Ônibus Paraibanos

BRT em Recife – Estações de vidro: frágeis e quentes

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria / Texto: 
Tânia Passos
Foto: Júlio Jacobina
O acidente com o
motociclista Marcelo Marcelino da Silva, 43 anos, que morreu no último sábado
ao ser atingido por um vidro da estação de BRT da Avenida Conde da Boa Vista,
levantou a discussão não apenas sobre a segurança – o caso foi tipificado como
homicídio culposo e será investigado pela Delegacia da Boa Vista -, mas também
a respeito da escolha do vidro como material para revestir estações em um clima
quente como o de Pernambuco.

Em algumas
capitais brasileiras que também optaram pelo sistema BRT, o vidro é usado, mas
não como material principal de revestimento das paredes laterais das estações,
como ocorre nos corredores da Região Metropolitana do Recife.

Nossa equipe visitou ontem a estação do Derby, às 11h, e constatou que já fazia
calor, mesmo com a ar-condicionado ligado. O motivo é o chamado efeito estufa,
que mantém o calor na parte interna de estruturas de vidro. Segundo um
funcionário da MobiBrasil, Gláucio França, a empresa solicitará ao Grande
Recife Consórcio de Transporte Urbano o revestimento dos vidros e a implantação
de cortinas de vento nas portas.

Em Belo
Horizonte, as estações são feitas em alumínio e portas de vidro, assim como as
estações do Rio de Janeiro. Em Bogotá, mesmo com o clima frio, o principal
material utilizado é o alumínio vazado. O vidro nas portas serve para facilitar
a visualização da chegada do ônibus. Em Curitiba, as estações “tubo” utilizam
plástico transparente.

O modelo
adotado na RMR, já trazia preocupação quanto a vulnerabilidade para o
vandalismo e em relação à temperatura. “Esse é um projeto de 2010, que já
previa vidro e ar-condicionado para dar mais conforto ao usuário”, disse o
presidente do Grande Recife, Nélson Menezes. “O governo optou por oferecer
estações com nível mais elevado. O desafio será manter esse padrão funcionando
bem”, afirmou o secretário das Cidades, Evandro Avelar.

A
presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em Pernambuco (IAB-PE), Vitória
Andrade, chama atenção para a falta de sincronismo dos projetos com o ambiente
urbano. “Os urbanistas e arquitetos precisam ocupar o espaço nas decisões
urbanas. A gente assiste a projetos de engenharia desvinculados da cidade.
Qualquer pessoa leiga sabe que nossas condições climáticas não são adequadas
para esse modelo”, criticou.

“Os projetos que impactam a cidade não podem ser implantados de cima para
baixo. É preciso uma discussão com a sociedade”, ressaltou o presidente do
Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Roberto Montezuma.

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