Ônibus Paraibanos

Paradas de ônibus sem abrigo em João Pessoa

Fonte:  Jornal da Paraíba

Matéria
/ Texto:
  Othacya Lopes

Foto:
Rizemberg Felipe

Quem depende de ônibus em João Pessoa muitas vezes
não tem outra opção senão esperar pelo transporte enfrentando sol e chuva em
paradas que não possuem abrigo. De acordo com a Superintendência Executiva de
Mobilidade Urbana (Semob), essa é a atual situação de 600 pontos de ônibus da
capital. A população deseja melhorias e a Semob afirma que a intenção é
terminar 2014 com uma considerável redução desse número.


Uma pessoa que diariamente passa por essa situação
é a funcionária pública Socorro Rodrigues, que sempre pega ônibus em um ponto
sem abrigo no bairro de Tambiá. Segundo ela, a população insatisfeita já buscou
solucionar a questão.
“Isso é horrível. A gente já perguntou, mas dizem
que aqui é ponto de passagem e, por isso, não tem como colocar um abrigo.
Quando chove eu trago um guarda-chuva e quando faz sol a gente tem que
enfrentar. Faz 11 anos que eu passo pela mesma coisa”, declarou.
Em uma parada de ônibus próxima à de Socorro estava
o motorista Moacir de Melo. Ele também depende de transporte público e diz não
ser o único a reclamar do problema. “Eu sempre vejo as pessoas reclamando
porque não tem abrigo. A gente fica se escondendo num cantinho, procurando um
lugar que tenha uma sombra”, relatou.
Para o motorista, o pior é ver pessoas com filhos
no colo esperando os ônibus muitas vezes em momentos que nem os prédios ao
redor fazem sombra para dar alguma proteção. “O ruim mesmo é quando a gente vê
uma mãe com uma criança no braço, muitas vezes sem sombrinha, rezando para o
ônibus passar logo”, comentou.
A mesma situação é enfrentada por Maria das Neves
Siqueira, aposentada. Ela espera o ônibus todos os dias no bairro de Jaguaribe
e diz que a sorte é quando os prédios e o próprio poste onde fica o ponto de
ônibus fazem alguma sombra. “A linha daqui demora muito e a gente tem que
esperar no sol e na chuva, é horrível. Os ônibus vêm lotados e nem dá pra gente
esperar por outro, por causa do sol. A gente fica de um lado pro outro
procurando sombra pra tentar se proteger”, acrescentou.
Além de pontos sem abrigos, em diversos bairros da
capital vemos paradas de ônibus situadas próximas ao mato, rodeadas por lixo e
totalmente abandonadas. Segundo a Semob, João Pessoa possui um total de 1.800
paradas de ônibus, das quais, 1.200 já possuem abrigo.
De acordo com o superintendente adjunto da Semob,
Roberto Pinto, dos 600 pontos sem abrigo, alguns não apresentam a necessidade
da sua implantação, por serem apenas local de desembarque de passageiros.
“Quando o ponto se localiza próximo ao terminal do bairro, por exemplo, nós
identificamos que acaba sendo um local onde as pessoas não ficam esperando
ônibus”, explicou.
O superintendente informou, ainda, que há outros
pontos de ônibus que, por estarem localizados em calçadas estreitas, não podem
receber os abrigos. “Outra situação é quando as calçadas são pequenas. Se nós
instalarmos um abrigo lá, a calçada ficará toda ocupada, impedindo as pessoas
de passarem de forma segura”, complementou.
Segundo o superintendente, apesar de algumas
situações motivarem a Semob a não implantar os abrigos, está dentro do plano de
metas do órgão para este ano realizar a revisão dos atuais pontos de ônibus,
tanto para restaurar os existentes quanto para observar os locais em que há a
viabilidade de instalação de abrigos.
Roberto Pinto ainda ressaltou que este ano muitas
mudanças serão direcionadas para o setor de transporte coletivo, com a
instalação dos Veículos Leves Sobre Trilhos (VLTs). “Vários bairros terão
modificação nos seus itinerários com modificação dos locais dos pontos de
ônibus. Então estamos em fase de planejamento para ver como será essa mudança”,
afirmou.

Com
a instalação dos VLTs, Roberto Pinto disse que diversos abrigos hoje existentes
serão substituídos por estações de embarque que, em algumas localidades, serão
climatizadas.
“Com
essa retirada dos atuais abrigos, nós iremos instalá-los em outras localidades.
Também pretendemos padronizar o cenário urbano, modificando os abrigos para se
encaixarem em locais como calçadas pequenas e também para terem maior durabilidade
e oferecerem maior conforto à população. Todo esforço será feito para diminuir
esse déficit que ainda temos hoje”, concluiu.
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