Os passes estudantis em João Pessoa

Fonte:
Portal Ônibus Paraibanos

Matéria
/ Texto: Kristofer Oliveira

Fotos:
Acervo Paraíba Bus Team


A admiração por ônibus não se restringe apenas a fotografia ou conhecimento
técnico dos veículos. Quem está dentro do hobby sabe disso, de que vai mais
além, existem várias perspectivas a ser explorada dentro do universo: Desenhos,
miniaturas, debate acerca do sistema de transporte, resgate histórico,
calendários temáticos, ficha de passagem, e, os tíquetes. A abordagem será
justamente este último item.

Em janeiro de 1999, quando eu tinha treze anos, resolvi começar uma coleção dos
tíquetes estudantis de João Pessoa. Na época, existiam quatro tipos existentes:
Vale Transporte, Passe Estudantil, Vale Transporte Opcional e Tíquete
Estudantil Opcional – esses dois últimos restritivo ao sistema opcional. Todo
mês eu separava um exemplar do talonário que eu comprava e guardava. Foi assim
até abril de 2007, quando os estudantes foram integrados ao sistema da
bilhetagem eletrônica. Nesta matéria mostrarei os dos meses de janeiro, de 1999
a 2007.


Os tíquetes estudantis existem em João Pessoa desde os anos 70, e em
determinados momentos foram extintos, regras foram mudadas, e quando não
existia uma satisfação por parte dos beneficiados, o “pau comia
solto”, mesmo dentro da ditadura. Pelo menos foi isso que li durante as
pesquisas que realizei para fazer o resgate histórico do transporte local. Como
eu não encontrei material suficiente para abordar toda trajetória história
desses tíquetes, prefiro me deter a partir dos anos 90, que foi a realidade que
eu vivenciei.

A AETC/JP era quem comercializava os tíquetes e mantinha postos de venda pela
cidade. Valentina, UFPB e a antiga Escola Técnica, atual IFPB, eram um dos
lugares, além da rodoviária, que durante um período de tempo, foi o único local
que comercializava. Após diversas reclamações, a AETC/JP reabriu os postos
desativados, além de abrir um na sua sede no centro da cidade. Atualmente
existem diversos espalhados pela cidade e funcionando até no sábado, coisa que
não ocorria. Também é possível recarregar online e na rede Pagfacil. O
abatimento da passagem é igual a atual: 50% do valor da inteira, válido por
todo ano e todos os dias da semana, independente do horário.


Após recebermos a carteira de estudante do ano, ou, no começo do ano letivo,
tínhamos que levar uma declaração escolar para comprovar que éramos estudante.
Após, recebíamos um cartela com os doze meses do ano e em cada lacuna dos
meses, tinha quatro semanas. Tínhamos o direito de comprar até cento e vinte
tíquetes por mês, e cada talonário adquirido vinha com trinta passagens. Cada
vez que adquiríamos uma cartela, era dado o visto na semana correspondente da
compra, e, se adquiríssimos mais de um talonário, o visto era dado também nas
semanas subsequentes. Se comprássemos os quatro talonários na primeira semana,
só podíamos comprar no mês seguinte. Se comprássemos na quarta semana, só era
possível comprar um talonário, mesmo não comprando nada nas semanas anteriores.
Acima de cento e vinte passagens, só era possível adquirir com uma autorização
especial, após comprovar que tal pessoa usava mais de cento e vinte passagens
durante o mês. Na cartela era possível incluir até três pessoas para comprar
pelo estudante, na qual era preciso comprovar a sua identidade.

Após o ano 2000, o sistema é informatizado e o controle passa a ser por um
programa. E a partir de abril de 2007, os estudantes ingressaram no sistema da
bilhetagem eletrônica. Os tíquetes de papel foram comercializados até meados de
maio e aceitos até o mês de junho. A partir de julho, não era mais aceito o
tíquete de papel. Um cartão com a foto do estudante e alguns dados pessoais
substituiu a antiga forma de pagamento, que vigorava desde os anos 70.

A compra das passagens era uma forma de interação social dos estudantes, na
época em que a Internet era restrito a poucos e não tinha tanta influência na
vida das pessoas como atualmente. Apesar de muitas vezes a compra ser um
processo penoso, com filas intermináveis e poucos guichês disponíveis para
atendimento, que piorava a cada reajuste da passagem, muita conversa era puxada
com quem estava na fila, ou os grupos de amigos marcavam para irem comprar
juntos.

Nas imagens abaixo, estão a parte frontal dos tíquetes.

No do ano 2000, tem-se uma homenagem ao dia do carteiro, e em 2002, ao dia do
aposentado. Em 2005 aparece uma homenagem ao dia dos Reis Magos. Em 2004 existe
um derramamento de tíquetes falsos pela capital, o que obriga a AETC
incrementar medidas se segurança. Na versão de 2005 é possível ver um pequeno selo
de segurança/autenticidade no canto esquerdo inferior.


Na parte traseira no geral se destaca a validade dos tíquetes, que normalmente
tinha vencimento até o fim do mês subsequente ao lançamento, além do lembrete
da necessidade de apresentar a carteira estudantil ao operador. No exemplar de
2006, é possível ver a mensagem da ilegalidade do comércio do passe, que a
partir de 2005 se torna em uma espécie de moeda paralela e muitos o revendem
com o valor inferior comercializado pela AETC.

Muitos se aproveitavam dos estudantes que não consumiam os 120 tíquetes o os
aliciavam para comprar, fazendo um escambo. Alguns sequer ofereciam algo em
troca e se aproveitava da boa vontade do estudante.


Com isso, a AETC/JP teve a sua justificativa fundamentada para implantar a
bilhetagem eletrônica.

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