Tendência das montadoras é projetar ônibus e caminhões nas filiais brasileiras

Fonte: Ipesi digital

Matéria / Texto:
Alberto Mawakdiye

Foto: Divulgação  
Diferentemente do que ocorre
na indústria de veículos de passeio – na qual sempre predominaram os projetos
desenvolvidos nas matrizes, substituídos hoje pelos chamados “carros
mundiais” – a indústria de ônibus e caminhões caracteriza-se
historicamente por adaptar o máximo que pode os seus projetos básicos às
condições climáticas, topográficas e de mercado de cada país. E quanto mais
maduro este mercado é, e mais densa a cadeia produtiva, mais estes projetos são
desenvolvidos dentro de cada próprio país, por equipes nacionais de engenheiros
e de designers.

Com um
mercado de ônibus e caminhões maduro e em franca expansão e um parque de
montadoras e fornecedores altamente qualificado, o Brasil é há vários anos um
exemplo cabal desta tendência. Dezenas de modelos de veículos foram total ou
parcialmente desenvolvidos dentro do país ao longo da história, para atender as
demandas específicas brasileiras, que são bastante diferentes na área de
transporte de massas e de cargas das verificadas nos Estados Unidos ou nos
países da Europa, onde estão as sedes da maioria das montadoras de ônibus e
caminhões cá instaladas.

Três
projetos recentes mostram que esta tendência não apenas continua, mas parece se
aprofundar – pois eles são totalmente de origem nacional. Esses projetos –
desenvolvidos nos centros tecnológicos de Mercedes-Benz, da Iveco e da MAN
instalados no país – foram dissecados por representantes das respectivas
montadoras para um qualificado público de engenheiros e executivos durante o
22º congresso e exposição da seção brasileira da Sociedade de Engenheiros da
Mobilidade (SAE Brasil), realizado na Expo Center Norte, em São Paulo, no
começo do último mês de outubro.


HíbridoBR – O gerente sênior de suporte ao desenvolvimento
do produto da Mercedes-Benz, Daniel Muller Spinelli, falou sobre o ônibus
HíbridoBR, desenvolvido em parceria com a Eletra, empresa especializada na
produção de veículos com tração elétrica. “O HíbridoBR é o primeiro da
modalidade com tecnologia 100% nacional a circular no país”, afirmou
Spinelli. “Esta solução foi desenvolvida com base na experiência e no
conhecimento adquirido pelos profissionais de ambas as empresas, e é totalmente
adequada para uso nas cidades brasileiras, e às características já conhecidas
pelos operadores de transporte de passageiros”.

O veículo
conta com duas fontes de energia: o motor elétrico, responsável pela
movimentação do ônibus, e o motor diesel, que, além de ser menor que o aplicado
a um modelo diesel similar, opera em rotação constante. Isso reduz em muito o
consumo de combustível e a emissão de poluentes, pois nas acelerações é o motor
elétrico que atua. As emissões de material particulado, por exemplo, são
reduzidas em até 95% e o consumo de diesel, em operação comercial, é cerca de
20% menor.

Um banco de
baterias tracionárias complementa a energia disponível para o motor elétrico,
quando necessário. Em cada parada, seja para entrada ou saída de passageiros ou
nos semáforos, o grupo motor gerador recarrega as baterias por meio do conceito
conhecido como “frenagem regenerativa”. As baterias são de chumbo
ácido, fabricadas no Brasil pela Moura e 100% recicláveis. Após o êxito dos
testes em situação real de operação, o HíbridoBR já está sendo utilizado
regularmente na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo.


Outro fruto
da parceria Mercedes-Eletra para este mercado é o trólebus articulado de 18 m,
que traz como destaque um novo sistema autônomo para deslocamento por até 7 km
sem rede aérea. O trólebus é baseado no chassi O 500 da Mercedes-Benz e foi
planejado a partir da constatação de que a maioria das situações de interrupção
de rede envolvendo os trólebus ocorre em trechos de no máximo 3 quilômetros.
Assim, a nova tecnologia poupa interrupções do sistema, garante maior autonomia
ao trólebus e dispensa a eletrificação das garagens.

Vertis HD – Já Christiano Garrido, gerente de engenharia da
Iveco, mostrou as soluções adotadas nos novos modelos Vertis HD, caminhão médio
da montadora, e cujo desenvolvimento também foi totalmente local. O Vertis HD
(a sigla significa “heavy duty”, e expressa a robustez e
confiabilidade da marca) chegou ao mercado com atributos como durabilidade,
desempenho, economia de combustível e custos reduzidos de manutenção. “Por
suas características, é um caminhão adequado principalmente para uso
urbano”, disse Garrido. O modelo está disponível em duas versões: de 9 t,
com cabine curta, e de 13 t, com cabine estendida. 

O chassi do
caminhão, inspirado no do semipesado Tector, da mesma companhia, tem estrutura
reforçada e bitolas que possibilitam a utilização de todos os tipos de
implementos rodoviários. Um moderno sistema de basculamento também torna mais
simples o travamento da cabine. O Vertis HD é ainda um dos caminhões mais
silenciosos do seu segmento, graças ao sistema de suspensão da cabine, com
quatro pontos de fixação e a um engenhoso conjunto de molas e amortecedores. A
suspensão primária também recebeu novas molas, amortecedores e suportes, além
de uma nova barra estabilizadora.

Além de
redução de consumo, os motores também registraram aumento de potência. O
propulsor do Vertis HD de 9 t está 10% mais potente  e com 7,6% de torque
a mais que na motorização anterior. Na versão de 13 t com cabine estendida, o
ganho foi de 3,4% no torque.

O Vertis –
que é a sexta família de produtos lançada pela Iveco num período de apenas dois
anos – é indicado para os segmentos de coleta e distribuição urbana e
interurbana e nas aplicações de baú, carga seca e carga refrigerada. Com ele, a
Iveco completa sua gama de produtos entre 3,5 t e 74 t e passou a disputar o
mercado de caminhões por inteiro pela primeira vez no Brasil. A Iveco pretende
com o Vertis ampliar para 7% seu market share no segmento de caminhões de 8 t a
15 t, um mercado em pleno crescimento, que deve atingir a marca de 45 mil
unidades comercializadas em 2013.

O retorno tem sido, até agora, acima das expectativas. A Iveco venceu, por
exemplo, uma licitação da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo no
último mês de agosto e fornecerá 232 caminhões Vertis HD para mais de 200
prefeituras, que os utilizarão em serviços de gestão de resíduos sólidos. Serão
200 unidades da versão 13 t e 32 modelos de 9 toneladas. O Vertis de 9 t será
aplicado em operações de coleta seletiva, enquanto o de 13 t foi a opção
escolhida para receber implementos coletores e compactadores de lixo.  A
compra foi realizada pelo governo do estado e os recursos são provenientes das
administrações municipais.


Volksbus – Por seu turno, Francisco Cabral, supervisor de
desenvolvimento da MAN, explicou no congresso do SAE Brasil o processo de
desenvolvimento dos ônibus fornecidos para o programa “Caminho da
Escola”, que o governo federal vem desenvolvendo desde 2007 com o objetivo
de renovar e ampliar a frota de veículos escolares nas zonas rurais do país. O
programa pretende ainda a padronização dos veículos, a redução dos preços e o
aumento da transparência nas aquisições.

Uma das principais integrantes do Caminho da Escola, no qual está desde o
começo, a MAN entregou até janeiro deste ano nada menos do que 12 mil veículos
para transporte escolar, utilizados por milhares de prefeituras do país.
“Trata-se de uma demanda exigente, pois os ônibus têm de trafegar em áreas
rurais com condições de tráfego às vezes bastante difíceis”, observou
Cabral.


A
construção dos veículos é acompanhada pelo Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e visa tanto atender a mobilidade
como a multifuncionalidade.

Inteiramente
desenvolvidos no Brasil, os modelos colocados à disposição do programa pela MAN
são o Volksbus 15.190 ORE 02R (sigla para Ônibus Rural Escolar Reforçado Médio)
e o ORE 03R (Ônibus Rural Escolar Reforçado Grande), ambos equipados com o
motor MAN D08, capaz de reduzir as emissões através da tecnologia de
recirculação dos gases de exaustão. As suspensões destes ônibus, adequados para
áreas rurais, são reforçadas e os balanços – a distância entre para-choque e
eixos – são reduzidos tanto na dianteira como na traseira, de modo a evitar que
os veículos raspem em aclives, declives e buracos. O conforto interno é
bastante levado em conta.

Nos cinco
primeiros anos de execução, de 2008 a 2012, o programa Caminho da Escola
atendeu 4.725 municípios. No período, foram entregues 25.889 ônibus escolares,
com investimentos de R$ 5,2 bilhões. Em 2012, além de três tipos de veículos
disponíveis, as prefeituras também puderam encomendar ônibus com plataforma de
acessibilidade para o transporte de estudantes com deficiência. Dados do Fundo
Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia responsável pelo
programa Caminho da Escola, mostram que, em 2012, dos 11.994 veículos pagos com
recursos do governo federal, 1.294 tinham plataforma de acessibilidade. O
investimento nesse item foi de R$ 159,1 milhões.

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