Ônibus Paraibanos

Medo da violência provoca rotatividade de 200 operadores por mês nas empresas de ônibus em João Pessoa

Fonte:
Portal Correio

Texto:
Alisson Correia

Fotos:
Divulgação
Trabalhar como operador de ônibus de João Pessoa
não se trata somente de uma oportunidade de emprego e inserção no mercado de
trabalho, mas de enfrentar o medo. A onda de violência assusta passageiros e os
3.500 profissionais que precisam se dedicar à jornada diária nos transportes
coletivos, em meio aos mais de 300 assaltos contabilizados pela Associação de
Empresas Transportes Coletivos da Capital, em 10 meses. Porém, isso não impede
que as vagas sejam rapidamente preenchidas.

Uma senhora de 63 anos que mora no bairro do
Cristo, Zona Sul da Capital, viu o neto dela ser uma das vítimas dos assaltos a
ônibus por três vezes, em apenas 30 dias. O jovem de 22 anos não pensou duas
vezes e preferiu largar o emprego porque não suportava mais ficar na mira das
armas dos bandidos que aterrorizam nos transportes urbanos. Além disso, ela
fala ainda que o neto tinha muitas dificuldades de lidar com vândalos que pulam
as catracas, ligam som alto e fazem baderna em algumas viagens.
Já outro jovem de 19 anos diz que não tem medo de
trabalhar como operador de transporte coletivo porque precisa ganhar dinheiro
para iniciar a independência financeira e se apega nas crenças religiosas para
trabalhar com segurança, enfrentando os riscos.
Entre as situações mais difíceis vivenciadas por
profissionais da categoria, está um assassinato cometido dentro de um ônibus da linha
110 do Jardim Planalto, na Capital, no dia 3 de maio de 2013
,
quando um homem simulou um assalto para matar um rival dentro do transporte, na
frente de passageiros e operadores, em plena luz do dia. As câmeras do circuito
interno registraram o homicídio e toda a ação do atirador.
O presidente do Sindicato dos Motoristas e
Cobradores de Ônibus de João Pessoa, Antônio de Pádua, diz que a rotatividade
de profissionais nas empresas está em torno de 200 por mês, entre demissões e
contratações. Ele fala ainda que apesar de existir preocupação com a segurança,
pelo menos 500 pessoas estão numa ‘fila de espera’ nos bancos de dados das
empresas de João Pessoa, aguardando a oportunidade de conquistar uma vaga de
motorista ou cobrador.

“O medo existe, entre todos os nossos
profissionais, mas isso não é uma dificuldade na hora de preencher as vagas
porque as empresas recebem muitos currículos, quase todos os dias, o que revela
o interesse e a necessidade das pessoas de conquistarem espaço no mercado de
trabalho, mesmo com toda essa violência”.
De acordo com Antônio de Pádua, o salário de um
cobrador é R$ 980. Para trabalhar na função, o interessado precisa ser maior de
18 anos e ter, no mínimo, o Ensino Fundamental completo. Para motorista, os
vencimentos chegam a R$ 1.855, mas é preciso ter outros requisitos mais
específicos, como Carteira Nacional de Habilitação categoria D ou E e um curso
de capacitação para transporte de passageiros.
Assaltos
A Polícia Militar diz que, em três meses, 40
pessoas foram detidas pelos assaltos a ônibus registrados em João Pessoa e
afirma que cerca de 80% dos apontados pelos crimes são adolescentes que
utilizam armas brancas (facas e canivetes). A PM afirma ainda que tem
intensificado as ações nas ruas para coibir a ação dos bandidos.

Mas, o diretor executivo da AETC-JP, Mário
Tourinho, diz que as ações policiais ainda não são suficientes para impedir a
criminalidade, assim como as câmeras instaladas nos 388 veículos da Capital,
(70% dos 468 da frota), que não inibem a ação dos assaltantes. Ele orienta que
os passageiros utilizem a bilhetagem eletrônica para diminuir a circulação de
dinheiros nos transportes.
A AETC informa que não contabilizou os números de
assaltos a ônibus em João Pessoa de janeiro a dezembro, mas até outubro de
2013, 301 roubos foram registrados nos transportes coletivos da capital
paraibana, o que corresponde a uma média de um crime por dia e um aumento
superior a 100% em relação aos 152 ocorridos em 2012.
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