Ônibus Paraibanos

Conhecendo as linhas: As linhas do SETUSA

Fonte:
Portal Ônibus Paraibanos

Texto:
Enver José

Fotos:
Acervo Paraíba Bus Team
O
SETUSA operou, com a aquisição inicial dos 20 ônibus, através das linhas 1500 e
5100 que foram as mesmas previstas no projeto da Empresa Municipal de
Transporte Coletivo (EMTC). O Governo do Estado teria como pretensão realizar
um investimento gradual até chegar a 100 ônibus, estes funcionariam por todo o
Estado da Paraíba. Mas como veremos, essa compra não foi concretizada, somente
50 ônibus foram adquiridos pelo SETUSA e a empresa do Estado não funcionou para
além da capital paraibana.

A
criação das linhas de ônibus 1500 e 5100 representou uma mudança significativa
na dinâmica de circulação do transporte coletivo, afetando diretamente o
cotidiano dos moradores de João Pessoa. Estas linhas possuíam caráter Circular,
percorrendo grandes percursos. Até então, a cidade não possuía linhas que
operavam neste sentido. As que existiam tinham em sua maioria características
de deslocamentos de um determinado bairro à outro ponto da cidade,
realizando o mesmo trajeto de ida em sua volta, que são chamadas de linhas
Radiais. Já as linhas Circulares trafegavam por vários lugares de João Pessoa,
realizando uma verdadeira volta na cidade. Para se ter ideia da diferença de
percurso entre uma linha Circular e Radial, registra-se que enquanto uma linha
Circular percorre 40 Km, uma linha Radial percorre cerca de 15 à 20 Km, por
exemplo.

SETUSA. PERCUSO: em média 40 quilômetros, em
sistema circular nos bairros. Sem terminais.[…] OUTRAS EMPRESAS:
dificilmente se ultrapassa 20 quilômetros. As linhas tem terminais. (Jornal “A
União”, 1 de Novembro de 1992) Outro ponto que pesa nos serviços prestados
pelo Setusa é o percurso, três vezes maior do que as empresas privadas.
Enquanto um ônibus da Transnacional percorrer, por exemplo, 15 quilômetro, em
sistema de ponto terminal, o Setusa percorre cerca de 40 quilômetro em sistema
circular.(Jornal “A União”, 15 de Novembro de 1992)
Um
dos grandes benefícios apontados com a criação do SETUSA está intimamente relacionado
com o seu grande percurso em relação às linhas até então existentes das
empresas privadas.

A linhas Circular 1500 e 5100 terão seu ponto final
na BR-101, saindo pela Avenida Cruz das Armas, avenida Vasco da Gama, Lyceu
Paraibano, avenida Epitácio Pessoa, avenida Tito Silva, Conjunto Castelo
Branco, Campus da UFPB (passando pelo Hospital Universitário), Conjunto dos
Bancários, Mangabeira, Valentina Figueiredo, Conjunto Ernesto Geisel, Cidade
dos Funcionários, Ernani Sátyro e Costa e Silva. (Jornal “A União”, 26 de outubro
de 1988)
Apesar
desses circulares realizarem o mesmo trajeto, ao contrário do que apresenta o texto
acima do Jornal “A União”, eles possuem sentidos inversos. Enquanto, por
exemplo, o 1500 realiza o sentido Mangabeira – Valentina –, o 5100 percorre o
contrário disto.
2300/3200 circulares, 1001 Mandacarú e 601
Bessa/Roger  

No dia 19 de agosto de 1989, os motoristas de ônibus
deflagram uma greve reivindicando aumento salarial para a categoria. O Governo
de Estado aciona o SETUSA, aumentando a frota de 20 para 50 ônibus, apenas o
Serviço Estadual de Transporte Urbano funcionou em João Pessoa-PB nesta data. 

Com a falta de ônibus ontem na cidade, em razão da
greve dos motoristas, o Serviço Estadual de Transporte Urbano S/A (Setusa) foi considerado
como uma salvação do pessoense, que dessa forma não ficou impossibilitado de se
deslocar ao seu local de trabalho ou até mesmo ao comércio para fazer suas
compras. A decisão do governador Tarcísio Burity de colocar antecipadamente ontem,
ao meio dia, 30 novos ônibus do Setusa, visando evitar que a população
ficasse sem esse meio de transporte […] (Jornal “A União”, 19 de Janeiro de
1989)
O
SETUSA funcionou com o apoio do Sindicato dos trabalhadores do transporte
coletivo durante a greve dos motoristas das empresas privadas, pois ao
contrário destas, a empresa estatal acatou com as reivindicações salariais. Os
ônibus circularam com altíssima lotação, já que apenas a frota do SETUSA estava
em operação. 

Nesta greve dos operadores de ônibus, o jornal “A União”
publica uma notícia de apedrejamento dos ônibus do SETUSA, dando a entender que
a ação foi planejada pelos empresários com o intuito de prejudicar o
funcionamento da empresa do governo estadual. 
Foi preso, ontem às 17 horas, na avenida Cruz das
Armas, após apedrejar um ônibus pertencente ao Setusa que faz a linha circular,
o popular Normando Vieira da Silva […]. Após o delito, o infrator buscou
refúgio nas dependências da Empresa Viação Paraíba, de propriedade do
empresário Nivaldo Manoel – eleito vereador pelo PFL nas últimas eleições
do dia 15 de Novembro-, onde permaneceu até as 17 horas. (Jornal “A
União”, 20 de janeiro de 1989)


A
intenção desta publicação como se pode observar, é de insinuar que os
empresários estiveram envolvidos nesta ação de desmantelamento do SETUSA.
Inclusive o vereador do partido de oposição do governador, é proprietário da
empresa de ônibus Viação Paraíba que atuava na cidade de João Pessoa.
Poucos
dias após o termino da greve, com os novos ônibus já em estado de funcionamento
desde o início da greve, o Governo do Estado anuncia a criação de novas linhas de
ônibus. 
A partir de amanhã, começam a funcionar as linhas
3200/2300 (Circulares)ligando o conjunto Valentina de Figueiredo e Mangabeira
ao Terminal Urbano, via Pedro II, voltando pelo corredor da 2 de Fevereiro e
vice-versa,a Linha 1001, ligando Mandacarú ao Bairro das Indústrias, passando
pela Lagoa, e a linha 0601, ligando Bessamar ao Baixo Roger, pela
Tancredo Neves, passando também, na Lagoa e terminal urbano.(Jornal “A
União”, 27 de janeiro de 1989)


A
criação das linhas de ônibus 2300 e 3200, 1001 e 601, iniciaram o seu funcionamento
em 28 de janeiro de 1989, com a nova frota de 30 ônibus. Das linhas criadas, duas
foram de carácter circular (2300 e 3200) e duas radiais (1001 e 601),
aumentando desta forma a quantidade de veículos do SETUSA de 20 veículos para
50.

A
reportagem ainda afirma que “A medida vem atender a antigas reivindicações da comunidade
pessoense e visa sobretudo beneficiar trechos de João Pessoa que vinham se ressentido
da ausência deste tipo de serviço”. Porém, a Superintendência de Transporte Público,
órgão vinculado à Prefeitura de João Pessoa, desativou duas linhas de ônibus
quando as do SETUSA foram criadas: a 111 – Valentina Figueiredo servida pela
empresa ETUR e A002 do Baixo Roger (contava apenas com um ônibus). Com a
desativação das linhas das  empresas
privadas, a população que utilizava estas foi prejudicada, pois diminuíram
suas possibilidades de mobilidade nos lugares antes servidos. A criação do
SETUSA ampliou as opções de deslocamento, mas se as linhas dos operadores
privadas continuassem em funcionamento, o usuário do transporte coletivo teria
maiores alternativas para utilizar o transporte coletivo na cidade. Uma
quantidade maior de veículos circulando, diminuiria não apenas o trajeto de
viagem do usuário, como também diminuiria o tempo de espera na parada de ônibus
e consequentemente a superlotação no ônibus, principalmente nos horários de
pico.

Linha
305 – Mangabeira 
Nas
pesquisas realizadas nos jornais, não foi possível identificar a data exata da criação
da linha 305 – Mangabeira pelo SETUSA, porém de acordo com notícias do Jornal “A
União” e com a relação das linhas existentes em 1992, neste ano esta linha
compôs o itinerário da empresa. De acordo com notícia abaixo e com Oliveira,
Maria (1993, p. 112), o 305 – Mangabeira foi criada para atender à
construção do Conjunto habitacional Mangabeira VII.

A Superintendência dos Transportes
Públicos definirá até o final desta semana o novo itinerário dos ônibus do
conjunto Mangabeira.(…) a intenção do órgão é colocar alguns veículos para atender
aos novos mutuários do novo conjunto Mangabeira, em sua etapa VII. (…) A Cehap
construiu neste local quase duas mil habitações, sendo 1200 apartamentos e o
restante casas de um, dois e três quartos. Dos 1200 apartamentos que estão
sendo construídos, apenas 224 já foram entregues. É que o restante ainda está sendo
concluído, devendo está pronto até o final de março. A previsão é que todas as
habitações construídas pela Cehap, no ano passado estejam ocupadas pelos novos
mutuários só no inicio de abril. Até lá (…) a STP terá providenciado,
junto com os empresários dos transportes, da Transnacional, que fazem o percurso
Mangabeira, uma quantidade maior de veículos para atender a população local. (A
União, 23 de Janeiro de 1992)
A
STP na época tentou, a priori, colocar a Transnacional para trafegar com seus
ônibus no novo conjunto habitacional, mas quem terminou operando foi a empresa
SETUSA.
Provavelmente
a linha 305- Mangabeira foi criada no ano de 1992 para atender a demanda do novo
conjunto habitacional, surgindo a partir de um investimento realizado no SETUSA
em1992 como uma linha experimental.
Linha
I002 Geisel/C. dos IPES
Operamos com apenas dois veículos uma linha I002
que faz a conexão dos circulares 1500, 5100, 3200, 2300 com o campus do
Ipês.[…] Com relação alinha de transporte que passa pelo Campus Universitário
do Ipê, o presidente do Setusa afirmou que ela foi colocada para atender a uma
reivindicação dos alunos daquela Universidade que sentiam falta de ônibus”
(Jornal “A União”, 12 de maio de 1989)
Esta
linha do SETUSA foi criada com objetivo de realizar a conexão entre as linhas circulares.
Provavelmente iniciou seu funcionamento em meados do início de 1989 com o advento
dos circulares, sendo uma reivindicação dos estudantes do Campus Universitário
Ipês(atual UNIPÊ). Oliveira, Maria (1993, p. 104) apresenta uma “Relação das
linhas atualmente em operação e a linhas extintas” e esta já se encontrava
inexistente na época de realização da pesquisa (1992), com a seguinte
definição “Linha já extinta e de caráter sazonal e, portanto, excluída da
análise”.
Linha
002 Róger 
[…] a linha 002 do Serviço Estadual de Transporte
Urbanos (Setusa) vai percorrer as principais ruas do bairro do Roger. […]
Mais de 1500moradores do Roger serão beneficiados com a mudança de itinerário
[…]. O itinerário da linha 002 fica da seguinte maneira: na ida os ônibus da
linha fazem parada no clube Guarani seguindo pelas ruas do baixo Róger, como1º
de maio, Salvador de Albuquerque, Elpídio Cruz, Praça da Sosic, Gouveia Nobrega,
Gama Rosa, Monsenhor Walfredo Leal, Maximiano Figueiredo, Dom Pedro I, indo
para o Lyceu Paraibano voltando pela Lagoa em direção ao Terminal Rodoviário
(Rodoviária). De volta, esta linha sai do Terminal Rodoviário indo para a
avenida Padre Azevedo em direção a lagoa. Daí ela pega a avenida Diogo
Velho em direção ao Mercado Central cruzando a Getúlio Vargas e passando pela
Almirante Barroso em direção a Epitácio Pessoa. Da Epitácio Pessoa ela contorna
o antigo cinema Metrópole retornando pela Juarez Távora, Praça da
independência, descendo na Barreto Sobrinho até a Bica e voltando a sua parada
no clube Guarani, no baixo Róger.” (Jornal “A União”, 7 de Setembro de 1991)

Essa
linha de ônibus provavelmente foi extinta quando foram criados os 2
circulares (2300/3200), o 1001 Mandacarú e 601 Bessa em Janeiro de 1989. Em
setembro de 1991,ocorre mudanças significativas no itinerário, mas não foi
possível identificar através das reportagens em que período ela voltou a
funcionar após sua extinção (neste época, janeiro de1989, houve apenas um
ônibus em operação). Com esta modificação no itinerário a linha de ônibus 601
Bessa do SETUSA, sofre modificações:

A partir da colocação em circulação do novo
itinerário, foram beneficiados tanto os moradores do Róger quanto os do Bessa, pois
a linha 601, a Bessa Roger, agora está fazendo um percurso menor, pois deixa o
Bessa em direção ao Terminal Rodoviário (Rodoviária), não sendo mais necessário
passar no Róger. (Jornal “A União”, 14 de Setembro de 1991)

com seu novo itinerário, em junho de 1992 o Diretor do SETUSA solicitou a desativação
desta argumentando que “se trata de uma linha deficitária, causadora de
prejuízos para a empresa. […] O movimento, […] caiu 70% do mês de
janeiro até maio”. A direção da STP negou o pedido, afirmando que outras
empresas também tinham prejuízo em algumas linhas e que o transporte tem uma
função social. Posteriormente, o governo anunciou que estava realizando um
plano de recuperação dademanda de duas das oito linhas de ônibus, dentre elas a
305 – Mangabeira e o 002 Róger.

Em função dessa melhoria substancial registrada em
tão pouco tempo, as linhas experimentais 002 (Róger) e 305 (Mangabeira) vão
continuar em operação, não havendo mais a necessidade de desativá-las, como foi
anteriormente proposto pela diretoria da empresa à STP. (Jornal “A União”,16 de
junho de 1992)

em 1992, segundo Oliveira (1993, p. 105), a concessão desta linha de ônibus foi
dada à empresa Mandacaruense. Atualmente esta linha, com esta numeração, é
inexistente na cidade de João Pessoa.
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