Ônibus Paraibanos

Volvo B58 Metrobus: O verdadeiro “papa-fila” dos terminais urbanos

Fonte: Mobilidade em Foco

Matéria / Texto: Carlos Alberto Ribeiro

Foto: Acervo Paraíba Bus Team
O ano era 1992, quando o mercado brasileiro vivia
momentos angustiantes com as medidas tomadas pelos Plano Color 1 e Plano Color
2, que retirou milhões do mercado através do congelamento de
valores monetários de milhares de contas correntes e de cadernetas de poupança,
deixando, principalmente as empresas, com terrível problema de liquidez para o
pagamento de contas de curto prazo, que são aquelas que vencem no decorrer do
mês, como salários, água, energia elétrica, telefone e outras que entram na
rubrica dos custos fixos e variáveis, sem o qual a empresa não consegue
sobreviver. 

Não só a falta de liquidez causou uma terrível dor de
cabeça aos empresários do setor, mas a queda vertiginosa de receita também. O
Brasil ainda sofria os efeitos terríveis da inflação galopante herdada do
governo Sarney e terríveis ajustes tiveram de serem feitos. No entanto, a
Volvo, sempre ousada, já escaldada por tantas crises, sendo que a primeira que
enfrentou foi justamente no primeiro ano “cheio” de produção dos seus
caminhões, em 1981, quando o mercado sofreu uma queda terrível nas vendas que
até hoje é discutida no meio acadêmico, não se fez de rogada. Sob vários
aspectos, desde que aqui se instalou, uma das suas especialidades sempre foi o
de abrir novos nichos, explorar demandas não atendidas.

Com know-how de ponta, mais uma vez, surpreendeu os empresários do setor de
transporte urbano de passageiros e lançou, em 1992, o chassi B58 METROBUS,
rapidamente denominado pelos usuários como ônibus bi-articulado. 


Encarroçado com carroceria Marcopolo, modelo Torino
(Bi-Torino), o novo veículo surpreendia pelo tamanho. Nada mais nada menos do
que 25 metros de comprimento, quase que o mesmo comprimento de três ônibus
normais enfileirados um atrás do outro. O motor que tracionava o super ônibus
também era da Volvo, pois a empresa sueca detém a tecnologia de produção de
todo o powertrain (trem de força). 

Denominado pela nomenclatura técnica THD 101 KB,
sua potência máxima era de 286 cv a 2.200 rpm, torque de 1.080 Nm (Newton
metro) a 1.400 rpm, sistema de freios com ABS e controle de tração ASR. 

Tratava-se do mesmo motor que equipava os chassis
rodoviários B58E, lançados em 1984, sendo a letra “B” de “Bussa”, ônibus num
dos dialetos falados na Suécia, e o “E”, representava a palavra “ecológico”,
pois se tratava de uma evolução dos motores que equiparam os chassis Volvo B58
entre os anos de 1979 a 1983. A Volvo realizou nestes engenhos toda uma série
de modificações cujo objetivo foi o de tornar o mesmo de maior eficiência
térmica na queima do combustível, aumentando o seu porcentual de rendimento
térmico e minimizando o potencial poluidor oriundo dos gases expelidos pelo
escapamento. E os aperfeiçoamentos foram de tal tamanho e tão exitosos, que a
intervenção realizada, modificando e aperfeiçoando vários itens, como, por
exemplo, recalibragem da bomba injetora, cuja maior pressão de injeção, aliado
ao retrabalho na turboalimentação e no sistema de refrigeração, contribuiu
sobremaneira para a elevação da potência de 245 cv para 286 cv. Tudo isso no
mesmo bloco do motor utilizado entre 1979 a 1983 nos chassis B58.

No entanto, o chassi B58 METROBUS oferecia uma
comodidade ao motorista que o chassi B58E rodoviário ainda não disponibilizava,
que era a caixa de câmbio automática. Com capacidade para transportar até 270
passageiros, ficou reconhecido como metrô de superfície da Volvo. Sua imensa
capacidade de transportar pessoas numa escala de tempo menor, substituindo
quase que três ônibus convencionais, diminuindo sensivelmente o custo
operacional da planilha de custos do operador, com menos motoristas e menor
consumo de combustível, marcou os anos 90 e tornou a Volvo referência mundial
no assunto, exportando tecnologia e produtos para diversos países. 

Pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que houve um
casamento perfeito entre a Volvo do Brasil e a grande Curitiba, cidade que
abrigou a planta industrial da empresa e testou nas suas ruas toda a
engenhosidade tecnológica da fabricante sueca quando o assunto era ônibus,
tanto é que Curitiba tornou-se referência mundial em transporte coletivo de
passageiros. E o que fez a fama da cidade neste requisito foi a união pra lá de
acertada do binômio Volvo/Curitiba.

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