Ônibus Paraibanos

Ônibus fora da lei

Fonte: Vrum

Matéria / Texto: Boris Feldman

Foto: Divulgação

Brasil é um país em que tem lei que
‘não pega’, principalmente quando o assunto é segurança veicular.

Luiz (nome real), cansado dos descontroladores de voo, trocou
o avião pelo ônibus. Para descobrir que o controle rodoviário é ainda mais
precário. A maioria dos ônibus interestaduais, por exemplo, não está equipada
com os cintos de segurança previstos por lei. Ou não existem, ou estão
quebrados.



Há algum tempo atrás, antes de iniciar viagem, ele chama o motorista da Viação Cometa
e mostra o cinto inoperante. A sugestão do chofer é que ele preencha o livro de
reclamações. Ao insistir em viajar com o cinto, recebe o apoio de dois outros
passageiros e vaia dos demais. O motorista decide então, em vez de pegar a
BR-040 em direção ao Rio, tocar para a garage da Cometa, apesar dos protestos
da maioria dos passageiros, preocupados com o atraso da viagem. Uma passageira
diz que não usa cinto em hipótese alguma e pergunta ao Luiz se ele “quer
consertar o mundo”…



Chegando
à garagem, não tem ônibus com os cintos em ordem. Mas o chefe da manutenção tem
a genial ideia de oferecer outro igualmente sem o equipamento, mas produzido
antes de 1999.



“É porque a lei – diz triunfante – só exige
cintos em ônibus produzidos depois de janeiro de 1999″. Naquele, os
passageiros ‘chatos’ não podiam mais alegar que a Cometa estava fora-da- lei.



Por
coincidência, o Estado de Minas do dia seguinte estampava matéria com o alto
índice de acidentes nas rodovias mineiras no último feriado prolongado. Entre
eles, um ônibus da Util, que tombou no km 694 da (mesma) BR-040, se arrastou
fora da estrada e caiu em uma ribanceira de 20m de altura. Três morreram e 42
se feriram. “Poucos passageiros usavam o cinto de segurança”, segundo
a PRF.



Se
alguém tivesse tentado (e conseguido) “consertar o mundo” no ônibus
da Util, quem sabe três vidas teriam sido poupadas…

1 comentário em “Ônibus fora da lei”

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