Como são calculadas as tarifas de ônibus no Brasil?

Fonte:
The City Fix Brasil
Matéria/Texto:
Guillermo Petzhold

Muitos não sabem, mas o preço da tarifa já foi
motivo de manifestações há trinta anos, que resultaram na criação do famoso VT
e que garantiu a estabilização dos preços do transporte público numa época na
qual o país sofria fortemente com a inflação. Portanto, não é de hoje que esse
assunto é tão polêmico. Ultimamente, diversas são as notícias que tem explorado
o quanto a tarifa aumentou acima da inflação ou quanto tempo de trabalho
precisamos para pagá-la aqui no Brasil, em comparação a outros países. Porém, é
raro encontrar informações de como a tarifa é calculada e, principalmente, o
que pode ser feito para que seu custo seja reduzido.

Normalmente,
baseado em uma planilha da década de 90 do extinto GEIPOT (Empresa Brasileira
de Planejamento de Transportes), o cálculo da tarifa é um valor obtido através
da divisão do custo médio por quilômetro (R$/km) e do IPK (pass/km).
Resumidamente, os principais insumos que influenciam o custo do quilômetro são:
Combustível
Pneus
Veículo
padrão
Salários
dos operadores (motoristas, despachantes e cobradores) e outros funcionários
Seguros
Deveria
ser com estes valores, e não com a tarifa, a comparação com os índices de
inflação, uma vez que, a diminuição do número de passageiros pagantes implica o
aumento ainda maior da passagem.
Situação vivenciada pelo transporte urbano de ônibus nas nove principais capitais do país. Fonte: NTU
Atualmente, a política do Governo se concentra em
diminuir as taxas sobre os insumos a fim de evitar o aumento das tarifas, ou
seja, cortando a própria carne, ao invés de combater os fatores que fazem o
custo aumentar. Com uma frota cada vez maior, as grandes cidades brasileiras
hoje apresentam uma taxa de motorização equivalente a da Europa nos anos 80,
mas sem a mesma infraestrutura que havia no Velho Continente. Consequentemente,
cada dia estão maiores os tempos que levamos para percorrer um mesmo trajeto. O
ônibus, que transporta mais de 15,5 bilhões de passageiros por ano no país,
também é refém deste congestionamento.
Crescimento da frota de veículos de passeio no Brasil. Fonte: DENATRAN
Quanto mais congestionadas as vias, menor a
velocidade e mais ônibus são necessários para atender à demanda com o mesmo
intervalo entre um e outro. A conta é lógica: mais ônibus, mais funcionários,
mais custos. Hoje, estima-se que até 25% do custo das tarifas deve-se ao congestionamento,
portanto, medidas que visem dar prioridade ao ônibus e um serviço de qualidade,
como o BRT (Bus Rapid Transit), são de fundamental importância para
conter a fuga de passageiros para outros modais de transporte, pois isso apenas
ocasionará um maior aumento da tarifa.

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