Ciferal GLS Bus na Paraíba: Mandacaruense

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto:
Massilon Júnior
Desenhos: Gilberto Costa Junior

Cinco foram os GLS provenientes da cidade do Rio de Janeiro que fizeram parte
da frota da Mandacaruense entre 1996 e 2000. Ocupando os prefixos 0401, 0430,
0443, 0460 e 0461, os GLS foram oriundos de duas empresas da capital
fluminense: Pavunense e Oriental.

Os
dois primeiros GLS da Mandacaruense chegaram por volta de 1996, ocupando os
prefixos 0460 e 0461, ambos ex-Transportes Oriental. O 0460 ocupava o prefixo
42061 e o 0461 ocupava o prefixo 42086 quando eram da Oriental. Fixo na linha
504, dando suas boas idas e vindas à linha 505, o 0460 foi um carro que chegou
à Mandacaruense em um péssimo estado de conservação, assim como o 0461, que era
fixo na linha 506. Naqueles anos, a Mandacaruense não preservava seus carros, e
era bastante comum ver cadeiras quebradas ou rasgadas, janelas que não abriam e
balaústres desparafusados, sem falar que os ônibus eram muito sujos.


em 1997, outros três GLS provenientes do Rio de Janeiro chegaram à
Mandacaruense, todos ex-Viação Pavunense. Ocupando o prefixo 0401, o ex 32539
era fixo na linha 505; o GLS que ocupou o prefixo 0430, ex 32624, era fixo na
linha 503, assim como o 0443, ex 32634.

Por
mais que eles fossem fixos nessas linhas, constantemente esses carros sempre
transitavam por itinerários de outras linhas da empresa. Naquele tempo, a
Mandacaruense dificilmente mantinha um carro “eternamente” fixo em uma linha, e
a rotatividade era sempre muito grande. Estes carros, porém, nunca rodaram na
linha 1001, pois os carros que poderiam rodar nessa linha normalmente chegavam
à empresa 0 km.

Podemos
abrir um parágrafo e relatar uma curiosidade importante a respeito da
Mandacaruense. No ponto final das linhas 505, 506, 516 e 604, tinha-se, no
interior do ponto de apoio aonde o fiscal trabalha, uma lista com os prefixos e
placas de todos os ônibus da empresa. E alguns prefixos eram grafados com um
asterisco, e nessa lista era possível ler que os carros grafados com este
asterisco eram os carros que poderiam rodar na 1001.

Saber
a procedência de todos os GLS não foi tarefa tão difícil. Quatro dos cinco GLS
tinham como LAF as letras iniciais de suas placas, com exceção do carro 0401
que apresentava iniciais LAU. Outro ponto a se destacar é que os carros 0460 e
0461 passaram um bom tempo com a placa ainda como se fosse do Rio de Janeiro,
até que fizesse essa troca para João Pessoa.

Uma
curiosidade é que, diferente do que acontece com os carros ex-Rio de Janeiro
que fazem parte da atual frota da Mandacaruense, os carros que chegavam à
empresa oriundos daquela cidade eram apenas descaracterizados pelo lado de
fora, aonde recebiam a pintura da empresa. Por dentro, portanto, a
Mandacaruense deixava os carros intactos, apenas fazendo alteração no posto do
cobrador do meio do ônibus (como assim é nos atuais ônibus da Unitrans) para o
lado direito dos mesmos, e a retirada dos itinerários auxiliares e traseiros. O
0401, desde a sua chegada, rodou algum tempo com o posto do cobrador na
configuração descrita acima, até que fosse feita a troca para o lado direito do
ônibus. Avisos das leis municipais do Rio de Janeiro eram encontrados ainda
colados nas janelas dos veículos, e o valor da tarifa era encontrado acima da
porta traseira. Plaqueta com numero do prefixo do carro também era preservada
dentro dos ônibus. Desta forma, saber os prefixos que os carros ocuparam no Rio
de Janeiro era muito tranquilo.

Porém, saber de qual empresa eles eram
provenientes, foi algo que levou mais tempo para ser descoberto. Certa vez,
quando eu estava andando no antigo 0420, um Torino LN ex-Verdun 71118, vi que acima
da primeira cadeira após o assento do motorista, colado no teto, tinha uma
informação de “achados e perdidos” com o nome da empresa e o número para
contato. Passei a observar em outros carros ex-Rio e todos apresentavam a mesma
identificação. Como já foi citado, a descaracterização no interior nos ônibus
usados da Mandacaruense não era feita. Daí ficou fácil de saber a procedência
dos carros por completo: prefixo e empresa. E assim descobri a procedência de
todos os usados da empresa, inclusive dos cinco GLS.

Uma
outra curiosidade dos GLS da Mandacaruense era que todos apresentavam encosto acolchoado
para a cabeça, fato que até então não se era obervado em nenhum ônibus de João
Pessoa. Esses encostos, porém, não passaram muito tempo nos assentos, pois logo
estavam rasgados ou então estavam retirados do local. Entre os cinco GLS,
apenas o 0460 não apresentava a plaqueta de identificação do prefixo do carro,
e o número 42061 era escrito à mão na tampa do itinerário frontal. O 0430, além
de todas as informações contidas em seu interior, ainda apresentava, na tampa
do itinerário frontal, escrita à mão num espaço separado por pequenas barrinhas
de ferro, a linha em que ele eram fixo no Rio de Janeiro. A linha era a 779,
porém não me recordo qual a nomenclatura dessa linha. Outro fato é que apenas o
0401 tinha o itinerário auxiliar frontal abaixo do itinerário frontal, porém
nunca foi utilizado e também logo foi retirado do veículo. Durante mais ou
menos umas três semanas, o 0461, ônibus que eu tomava todos os dias para ir à
escola sempre no mesmo horário, apresentava um dos seus bancos traseiros sem o
assento, o que denunciava a falta de conservação da empresa para com os ônibus.
Em 2000, após prestarem serviço para a Mandacaruense,
todos os GLS foram desligados da empresa e substituídos por ônibus novos. O
prefixo 0443, desde então, não foi mais ocupado por nenhum outro ônibus.

 A Viação Pavunense, além dos GLS 0401, 0430 e
0443, também foi “doadora” de outros três carros para a Mandacaruense. Já
provenientes da Transportes Oriental, apenas os dois GLS 0460 e 0461 fizeram
parte da empresa. 

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