Ônibus Paraibanos

Especial de domingo: O Fim das tradicionais?

Fonte:
Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Kristofer Oliveira, JC Barboza, Philippe Figueiredo
Fotos:
Acervo Paraíba Bus Team
Com
a venda da única linha da Empresa Viação Bonfim para a Viação Princesa dos
Inhamuns do Ceará, assistimos a mais um fim de uma tradicional empresa
paraibana que marcou época no transporte de passageiros em nosso estado. Num
cenário que existia há 30 e 40 anos atrás, praticamente não existem mais as
empresas dessa época, ou se existem, vivem sob novas administrações, que não
mais respeitam as identidades que tais empresas traziam em seu passado. Nesse especial de domingo, vamos conhecer algumas dessas empresas que
foram percursoras do transporte na Paraíba e hoje ou não existem mais ou estão
sob novas administrações!!! 

EVB
– Empresa Viação Bonfim

Severino
Camelo começa no ramo dos transportes muito cedo, desde meados de 1927 mais
exatamente falando. Começou com carro e depois adquire um tipo de ônibus com
carroceria de madeira, isso para operar uma linha entre os municípios
paraibanos de Esperança e Campina Grande. Só em 1948 que a situação melhora, e
a então empresa Bonfim adquire a linha João Pessoa X Recife, a principal linha
da empresa desde antigamente, e que também foi a última linha que a empresa
permaneceu em suas operações, encerradas na primeira quinzena desse mês de
junho de 2013, praticamente após 65 anos de plena operação na linha.

Até o início dos anos 70, a Bonfim tinha cinqüenta ônibus na sua frota,
100% Mercedes-Benz e um quadro com cerca de 160 funcionários. Tinha agência
própria em João Pessoa, Campina Grande, Natal e Recife. Mesmo operando apenas
uma linha, a Bonfim não perdeu a sua força e sua importância, pois, além de ter
continuado a prestar um ótimo serviço, continuou com o seu pioneirismo ao
adquirir novidades no segmento de ônibus rodoviários. Atualmente também explora o setor de encomendas entre João
Pessoa e Recife. 

A Bonfim entrou em crise nos últimos anos. No ano de 2010, a solução
para permanecer operando foi fazer sociedade com um empresário mineiro,
negociando 50% da empresa. Foram adquiridos junto à Expresso Guanabara quatro
Marcopolo Paradiso G6 1200 O-500RS de 2005, dando uma maior qualidade na sua
operação.
A última semana de agosto de 2011 poderia ter ceifado de vez
a história da Bonfim: a sociedade foi desfeita e os ônibus introduzidos pelo
empresário mineiro foram retirados da frota, causando um grande transtorno,
inviabilizando a operação da empresa. A priori, no dia 26 de agosto a empresa
tinha negociado a sua concessão da sua única linha com a Progresso, e esta
colocaria a Viação Cruzeiro para operar os horários da Bonfim, marcando o
retorno dessa viação pernambucana a esta linha. Para não encerrar as suas
atividades, a Bonfim planejava continuar apenas no fretamento para turismo. Porém,
na tarde do dia 29 de agosto, a Bonfim retorna a operar a sua linha por
direito.

Em 20 de Abril de 2012, a Bonfim paraibana
inicia uma  parceria com a Bomfim de Sergipe, com alguns dos carros da
empresa sergipana operando a única linha da Bonfim paraibana, porém a parceria
durou pouco tempo e a parceria foi desfeita.

Bomfim a serviço da Bonfim
E no dia 13 de junho, desse corrente ano de 2013, a empresa
cearense Princesa dos Inhamuns começa a operar a linha João Pessoa X Recife. Aparentemente
parece que tais carros estariam agregados à empresa paraibana, mas segundo foi
apurado, a compra da Bonfim pela cearense já foi concretizada e 10 ônibus da
frota da Princesa serão deslocados para a Paraíba no total. A cearense Princesa
atua em linhas intermunicipais do seu estado e em fretamentos contínuos, possui
frota nova e moderna e continuamente renovada.
Para saber a história completa da Empresa Viação Bonfim,
vejam em: http://www.onibusparaibanos.com/2012/09/serie-historica-especial-viacao-bonfim.html
Etur
No
transporte urbano pessoense, a empresa mais tradicional que já encerrou suas
atividades foi a Etur. As demais da sua época, que data inicialmente no fim dos
anos 60, já foram extintas por diversos motivos, sendo mais comum a falência
por não suportar as variações inflacionários dos anos 70 e início dos 80.
Apenas a Marcos da Silva e Mandacaruense sobreviveram e mantém as suas
atividades regularmente.
A
Etur foi a primeira empresa a ter sua concessão registrada no sistema de
transporte pessoense, em 1970, como parte do cumprimento do artigo 44 da Lei
Federal Nº 5.108 de 18 de Setembro de 1966, na qual incumbia ao município a
competência de reger os serviços de transporte a nível municipal. A
administração da empresa vinha da tradicional família Azevedo, que operava no
sistema rodoviário e detinham as Viações Rio Tinto, Bela Vista e a Luso
Brasileiro, conhecido como Expresso Canarinho.
Nos
anos 70 e parte dos anos 80 ela dominou o transporte pessoense, com uma média
de 100 carros, que em determinados momentos representava 2/3 da frota que
rodava no município.
Operava
praticamente todas as linhas que trafegavam pela Avenida Cruz das Armas nos
anos 70 e foi a primeira empresa a operar em diversos bairros que surgiram
nesta época na zona sul. A sua principal era a linha Distrito, a atual 115,
quando a indústria pessoense estava em boa fase, operando até no sistema
opcional nos anos 70 e 80. Posteriormente, as linhas 101, 102, 105 e a circular
5110 foram ganhando terreno.

Na
sua existência a Caio foi a carroceria que prevaleceu, com uma grande
quantidade de Gabriela, Carolina, Amélia e Vitória, tendo ainda Metropolitana
Ipanema, Monobloco O-362, O-364 e O-371 UP, e a partir dos anos 90, Marcopolo
Torino 1989.
Guarabirense

O
início do Expresso Guarabirense remonta aos anos 60. Fundada por Gustavo
Amorim, a empresa tem a razão social denominada de Amorim e Cia Ltda. A
Guarabirense, começa com linhas de Guarabira para João Pessoa e ao longo dos
anos 70 e 80, expande-se para várias cidades do brejo e curimataú paraibano
como: Solânea, Alagoa Grande, Araruna, Campina Grande, Cuité,  Araçagi,
Duas estradas dentre outras, totalizando 28 linhas intermunicipais. Lembro que
seus ônibus saiam e chegavam lotados na rodoviária de João Pessoa.

Os
anos 90 chegam, e a Guarabirense está no auge com força total. Possuindo
44 ônibus de variados modelos e de chassis Scania e Mercedes-Benz. A família
AMORIM proprietária da EXPRESSO GUARABIRENSE, fica no rol das poucas famílias
donas do transporte rodoviário e passa a ter bastante influência no estado
juntamente com as famílias BRITO (REAL e TRANSPARAÍBA); AZEVEDO (BELA VISTA e
RIO TINTO);  CÂNDIDO (EXPRESSO NACIONAL DE LUXO) e CAMELO (BONFIM).
Também se tornam numa das maiores empresas do estado. Em 1992 morre Gustavo
Amorim e então a empresa começa a declinar. Costumamos falar que ao morrer o
“cabeça”, o corpo desmorona. Bom, isso foi verdade. Seus administradores não
acostumados a gerir a empresa, esqueceram de sanar e enfrentar problemas, como
os clandestinos e passaram mais a visar o lucro.
No
final dos anos 90 a qualidade do serviço da empresa cai e a frota fica
ultrapassada por falta de investimento e dívidas. Porém, ela começa a piorar a
situação em 2002, com carros quebrando, sucateados, o não cumprimento de
horários aliado a praga do transporte clandestino que infesta aquela
localidade. 
Em
2003, o grupo A. CÂNDIDO sonda os diretores da empresa Guarabirense para sua
aquisição. Mas quando viram o montante das dívidas, viram que o negócio era
arriscado e adquiriram a Roger no mesmo ano.

Em
2004 a Expresso Guarabirense se transforma em um morto vivo. A empresa
passou a reduzir o número de ônibus para sete veículos e deixou de cumprir
horários. Em setembro de 2004, foi o limite: a Guarabirense, sem aviso à
clientela, retirou todos os ônibus, provocando o caos. As empresas TRANSNORTE,
RIO TINTO e SÃO JOSÉ de Campina Grande, assumiram algumas linhas da empresa, a
BOA VIAGEM assumiu a outra parte restante em 2006.

No
ano de 2006 era difícil ver um carro da Guarabirense. A empresa desapareceu em
pouco tempo. Toda sua estrutura foi reduzida a pó e 228 trabalhadores dos
setores de manutenção, motoristas, cobradores e da parte administrativa
foram demitidos e então chegava o fim do EXPRESSO GUARABIRENSE.
Expresso Paraibano

A empresa de ônibus Expresso
Paraibano surgiu entre as décadas de 40 e 50, na cidade de Guarabira-PB,sendo
foi fundada por Gustavo Amorim da Costa que era também parente dos donos
do Expresso Guarabirense(se não me engano, irmão do dono da
Guarabirense
). Além de empresário bem sucedido, foi vereador e prefeito de
Guarabira e ainda chegou a ser deputado estadual na década de 70.
A PARAIBANO possuía linhas da região polarizada
por Guarabira para João Pessoa bem como linhas para o
sul do país, saindo de João Pessoa e Guarabira para o Rio de
Janeiro. Uma curiosidade, é que na época em que se candidatou a prefeito de
Guarabira, nos anos 60, transportava eleitores de graça para o sul do país.

Ainda nos anos 70, a EXPRESSO
PARAIBANO vende suas linhas JOÃO PESSOA X RIO e GUARABIRA X RIO a
ITAPEMIRIM. No entanto, Gustavo morre nos anos 70, e deixa a Paraibano nas mãos
de viúva e filhos e com o passar do tempo, a empresa começa a passar por crise
financeira ao longo dos anos 80 e 90, chegando a alugar ônibus para suprir
horários e com uma frota bem deteriorada.
Com a falência da Guarabirense em
2006, fica uma lacuna nas linhas do brejo e consequentemente, dá uma força a
Paraibano para se reerguer. Nos últimos dois anos com um dos filhos de Gustavo
Amorim a frente da empresa, a mesma está passando por uma reestruturação comum a
primeira fase comprando carros da Itapemirim que posteriormente foram
devolvidos a Mirim por falta de pagamento e também por não terem sido
transferidos para o nome da Paraibano aonde foram multados várias vezes e tais
multas foram atribuídas a Itapemirim. 

No final dos anos 2000, a Viação Rio Tinto fez uma
proposta á diretoria da Expresso Paraibano para a compra da empresa. A Rio
Tinto cederia três Paradisos, do total de oito que a empresa adquiriu da
Expresso Guanabara, para Toinho, proprietário da Paraibano na época, montar sua
empresa de turismo, a Lógica, e ele passaria a Paraibano e sua única linha para
a Rio Tinto. Acordo feito, a Rio Tinto renovou toda a frota da empresa que
contava com alguns carros próprios, mas a sua grande maioria alugada.
Inicialmente colocou alguns dos 20 Ideales que a Rio Tinto adquiriu da Breda de
São Paulo, um Jumbuss ex-Guarabirense 0544 e ex-Rio Tinto 1422 e um Paradiso
1200 ex-Guanabara. A compra da Paraibano pela Rio Tinto foi estratégica pois
ela tinha acabado de adquirir as linhas da extinta Boa Viagem que eram a
principal ligação das cidades do brejo, zona da mata e agreste paraibano com a
capital paraibana, ficando assim a Rio Tinto com apenas dois concorrentes no
trecho, a São José com a João Pessoa X Picuí e a Transnorte com a João Pessoa X
Jacaraú, linha que foi comodatada a empresa Jonas Tur. A Nordeste que concorria
com a João Pessoa X Tangará desativou a linha.

Com o tempo o Jumbuss foi vendido e o Paradiso foi
para a Rio Tinto aonde foi numerado como 1450. Logo a frota da Paraibano foi
padronizada com Ideales, recebendo cinco unidades que foram numeradas como 0615,
0625, 0635, 0645 e 0655, sendo os únicos carros da frota da Paraibano para
operar sua única linha: a João Pessoa X Nova Cruz-RN.
A empresa dá sinal de uma possível extinção, já que alguns carros da sua frota, foram repassados para a Rio Tinto e a mesma já opera sua única linha.
Transparaíba

A compra da empresa se deu em
1995, e para vocês terem uma idéia da importância dessa aquisição, o próprio
Jacob Barata veio fechar o negócio, pelo ponto estratégico da Transparaíba para
sua expansão pelo nordeste. Segundo um relato de um amigo que era motorista da
Transparaíba e depois da Guanabara, o empresário chegou a João Pessoa em seu
próprio avião e foi direto para a garagem em Bayeux. Quando Jacob chegou, tinha
uma roda de funcionários entre eles  o motorista. Então, um outro
motorista falou: É ESSE DAÍ QUE QUER COMPRAR A TRANSPARAÍBA? SORRIU E DISSE –
MAL VESTIDO DESSE JEITO (CALÇA JEANS DESBOTADA, CAMISA POLO E TÊNIS), ESSE
P…. LÁ TEM DINHEIRO PARA COMPRAR A EMPRESA, É UM CONVERSADOR…

Estava totalmente enganado. Jacob
Barata pagou uma quantia interessante pela empresa e toda sua estrutura:
GARAGEM DE BAYEUX, 56 VEÍCULOS e TRANSPARAÍBA CARGAS E ENCOMENDAS e a transformou em Expresso Guanabara. A
Transparaíba depois que os sócios desfizeram a sociedade, passou a enfrentar
dificuldades de renovar a frota e manter a empresa.Porém,uma falta de gestão
foi quem minou a Transparaíba.Todo político do interior tinha talões de
passagem que as vezes não pagavam a empresa,carros velhos,  sem
manutenção e limpeza além de lotar os ônibus (as vezes com 20 a 25 pessoas e
pé) e vender poltronas mais de uma vez a diferentes pessoas,animais como bodes
e carneiros carregados na mala.

Outro fator, que rolam por baixo,
dizem que a Transparaíba foi afundando e ficou sem dinheiro, pois seu pai
Waldeno Brito seu pai bancava todas as despesas de Waldeno Brito Filho na stock
car e formula Fiat que são esportes bastante caros e consomem muito dinheiro. Em
1999 a Transparaíba some de vez e ficou somente a lembrança.

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