Arthur Schwambach – Da adversidade ao sucesso e sua relação com a Paraíba

Fonte: Abrati
Fotos: Acervo Paraíba Bus Team

A pobreza e a condição de órfão de pai
aos 14 anos de idade não impediram um jovem capixaba de fazer planos para o
futuro. Aprendeu no Exército o ofício de mecânico e depois lançou-se à tarefa
de erguer uma empresa de ônibus cujo primeiro veículo funcionava com peças
compradas no ferro-velho. Com esse ônibus e toda a sua energia, Arthur
Schwambach construiu o Grupo Borborema.

Arthur Bruno Schwambach é um dos
maiores empresários do ramo de transportes do Nordeste e do Brasil. Mas é,
sobretudo, um pioneiro do setor. Além de gerir todas as empresas do Grupo
Borborema, como seu titular e presidente, exerceu a função de conselheiro de
diversos órgãos de classe, inclusive da Rodonal, associação que antecedeu a
ABRATI como representante nacional das empresas que operam linhas federais.
Como líder de classe, Arthur Schwambach desempenhou a função de presidente do
Setrans -Sindicato de Empresas de Transportes Coletivos do Estado de
Pernambuco.

Com 93 anos de idade, continua a
acompanhar de perto o funcionamento de suas empresas, comparecendo diariamente
à sede do Grupo, em Boa Viagem, despachando com diretores, atendendo
funcionários, vendedores e autoridades. Com uma carga horária de oito o dez
horas de trabalho por dia, é ele quem toma as decisões mais importantes dentro
do Grupo Borborema. “É um desafio constante, mas que me fascina e me
conquista dia após dia”, explica. 
Arthur
Schwambach é exemplo de empresário que triunfou longe de sua terra natal. Nasceu
no dia 5 de setembro de 1920, em Baixo Guandu, no Estado do Espírito Santo.
Seus pais, Maria Amélia e Pedro Schwambach Júnior, eram pessoas pobres que
trabalhavam na lavoura e no comércio para manter os filhos, dos quais sete eram
mulheres. Aos 14 anos de idade, ficou órfão de pai e, como filho mais velho,
com a responsabilidade de assumir o sustento da família. Sem tempo para o lazer
e o estudo, deu continuidade às atividades agrícolas do pai desaparecido e
conseguiu assegurar a manutenção dos irmãos e da mãe, que também o ajudava.

Aos
17 anos, foi convocado para servir ao Exército. Com o apoio da mãe e dos
irmãos, buscou adquirir novos conhecimentos, já que na época a Arma oferecia
aos recrutas cursos de mecânico de automóvel, motorista e datilógrafo. Com
esses conhecimentos, Arthur pretendia conseguir um emprego estável quando desse
baixa, para melhor ajudar a família.

Mas
era tempo de guerra e ele foi transferido para o Rio de Janeiro e, depois, para
Natal, no Rio Grande do Norte. Finalmente, mandaram-no para Recife. Aos poucos,
galgou posições, passando de soldado a cabo, e de cabo a sargento. Com o soldo
de militar, ajudava a família, que ficara no Espírito Santo. Estava se
preparando para embarcar para a Itália, na Força de Expedicionários que lutaria
na Segunda Guerra Mundial, quando o conflito terminou. Foi então transferido
para Campina Grande, Paraíba.
Em 1951, Arthur pede baixa do Exército e, já com um sonho que
acalentava há algum tempo, monta uma empresa de transporte de passageiros.
Tinha um único ônibus e um só funcionário: ele mesmo. Dirigia de dia e, à
noite, era mecânico e encarregado da limpeza do veículo. Assim nasceu a
Borborema. Começava a saga de um homem apaixonado pelo transporte.

Como se comprovou mais tarde, seu
sucesso dependeu fundamentalmente dele, do seu trabalho, do esforço individual
apoiado pela família e, principalmente, da sua visão de que somente com muita
economia, reinvestindo no negócio tudo o que ganhasse, conseguiria erguer uma
empresa sólida. E tinha razão.

Foi
em Campina Grande, já com os conhecimentos de mecânica automotiva adquiridos no
Exército, que começou a amadurecer o grande sonho de se dedicar ao setor de
transportes de passageiros. Com isso, esperava ajudar a mãe a criar os irmãos
com mais conforto e com mais tranqüilidade. Foi também em Campina Grande que
escolheu o nome para a empresa que pretendia montar. Havia na cidade uma
companhia chamada Rainha da Borborema. Requereu o uso do nome (Borborema,
apenas) para Recife, o que foi concedido.

Schwambach
entrou de corpo e alma na atividade. Com apenas um ônibus, construído sobre o
chassi de um caminhão Chevrolet 1946, passou a operar a linha urbana que ligava
o Centro ao bairro de Nova Descoberta, na capital pernambucana. As peças e
componentes necessários para manter o veículo rodando eram compradas no
ferro-velho e recondicionadas por ele. Para tornar as coisas ainda mais
difíceis, as ruas eram cheias de buracos e lama. O velho ônibus tinha que
vencer todos esses obstáculos e ainda disputar espaço com carroças e
carros-de-boi.

O
dinheiro que ia sendo conseguido era aplicado parte nas terras deixadas pelo
pai, no Espírito Santo, e parte na expansão do novo negócio. Lazer era coisa
proibida. Pensava somente em vencer e em ajudar a família. Nada era
desperdiçado. Para ele, comprava somente o indispensável, aquilo que não podia
ser adiado.

Schwambach
relembra que sempre contou com o apoio incondicional da mulher, Augusta, a quem
conhecera no Rio Grande do Norte, e dos filhos Pedro, Maurício e Zélia, ainda
pequenos. Todos ajudavam na contenção das despesas. Graças a tanto esforço, o
dinheiro, mesmo sendo pouco, foi suficiente para ele conseguir em pouco tempo
uma pequena frota de ônibus.

O
apoio dos funcionários que iam sendo contratados também foi fundamental. E
assim, dia após dia, noite após noite, as dificuldades foram sendo superadas. Com
o passar dos anos, a empresa cresceu, tornou-se conhecida e ganhou destaque
pela qualidade dos seus serviços. Novas frentes de negócios foram abertas e
novas empresas passaram a fazer parte do Grupo Borborema.

Dotado
de espírito empreendedor e sempre buscando novidades para apresentar aos
usuários dos seus ônibus, Arthur Schwambach lançou ônibus com ar-condicionado
em linhas urbanas. Fez isso em Recife, mais de 25 anos atrás. A novidade se
espalhou por outras capitais.

Toda
a família, já na terceira geração, trabalha na empresa, nos seus vários ramos
de atividades. Os filhos, Pedro, Carlos Alberto e Maurício, desde cedo foram
treinados pelo pai nos diversos setores, para que pudessem aprender toda a
operação. As filhas, Zélia, Tânia e Graça, também sempre colaboraram com o pai
e desempenham funções definidas. Já há vários netos trabalhando. Alguns
gerenciam outros ramos de negócio, como revenda de veículos e agropecuária.

Integram
o Grupo Borborema a Real Alagoas de Viação, Viação Jangadeiros, Real Transportes
Urbanos, Borborema-lmperial Transportes, Borborema Participações e Rodoviária
Borborema. As empresas de ônibus operam 181 linhas, entre urbanas,
intermunicipais e interestaduais, nos estados de Alagoas, Pernambuco, Sergipe e
Bahia, dispondo de cerca de 900 ônibus e 4.000 funcionários diretos em
Pernambuco e 1.000 funcionários em Alagoas, entre motoristas, cobradores,
pessoal de tráfego, oficinas e administração.

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