Os 67 anos da Caio e os 12 da Induscar Caio

Fonte Abrati
Fotos: Acervo Histórico Paraíba Bus Team

Um
momento muito importante na trajetória da marca Caio, a mais tradicional no
Brasil, ocorreu no dia 25 de janeiro de 2001, em Botucatu, quando uma nova
empresa, operando sob a denominação de Induscar/Caio, assumiu a produção das
famosas carroçarias. Tratava-se de uma solução encontrada para pôr fim à longa
crise financeira da Companhia Americana Industrial de Ônibus, desencadeada na
segunda metade da década de 1990, quando a encarroçadora foi simultaneamente
afetada por problemas de gestão, pela retração do mercado interno de ônibus e
por dificuldades conjunturais da economia. A produção foi drasticamente
atingida e a empresa acabou interrompendo as atividades, embora naquele momento
contasse com significativa quantidade de encomendas em carteira.

Muitos
dos pedidos eram de um dos maiores clientes da Caio — o Grupo Ruas, com forte
atuação no segmento de transporte urbano de passageiros em São Paulo. Uma grande
quantidade de chassis urbanos pertencentes ao grupo se encontrava no pátio da
fábrica, em Botucatu, e corria o risco de deteriorar-se caso não recebesse
encarroçamento. O Grupo Ruas apresentou então uma proposta de arrendamento da
marca Caio e das instalações da fábrica. A proposta foi aceita, o que
possibilitou a constituição da nova empresa, a Induscar/Caio, cujo objetivo
inicial era fazer o encarroçamento dos chassis que já se achavam no pátio da
Caio.
Como
começaram a surgir pedidos de outras empresas de ônibus fiéis à marca Caio, a
produção para terceiros foi retomada e em pouco tempo voltou a funcionar a
plena capacidade.
Atualmente,
a Induscar Caio é uma das mais modernas e eficientes encarroçadoras brasileiras
e está entre as que mais cresceram no mercadointerno na última década. Em 2010,
alcançou a maior produção individual de carroçarias, com 8.984 unidades, respondendo
por 28% do total fabricado pelas encarroçadoras brasileiras associadas à Fabus.
Das mais de 172.000 carroçarias que receberam a marca Caio nesses 66 anos, mais
de um terço saíram das linhas de produção da Induscar Caio nos últimos dez
anos.

A
empresa, hoje, tem vários escritórios de representação de vendas.
Seu
parque fabril ocupa a área de 472.000 metros quadrados, sendo 159.000 de área
construída. Sua capacidade de produção é de 40 carroçarias por dia. Ela tem
mais de 3.000 colaboradores e é uma das maiores empregadoras de Botucatu.
A
produção atende aos segmentos rodoviário, urbano, de turismo, fretamento,
escolar, executivo e de carga, com vasta linha de modelos que inclui, além dos
rodoviários e urbanos, os articulados, biarticulados, mídis, micros e mínis.

A
antiga vocação exportadora da marca foi retomada e vem se firmando cada vez
mais. Em dez anos, a Induscar Caio conquistou vários novos mercados no
exterior.

No
dia 13 de abril de 1945, praticamente já no fim da Segunda Guerra Mundial,
começou a funcionar num galpão de 3.120 metros quadrados na Avenida Celso
Garcia, no bairro do Tatuapé, em São Paulo, a Companhia Americana Industrial de
Ônibus — Caio. Surgiu de uma associação entre os irmãos José Gonçalves e
Octacílio Piedade Gonçalves, tendo como terceiro sócio José Massa, com a
finalidade de produzir, ainda artesanalmente, carroçarias de ônibus, naquela
época chamadas de jardineiras. As jardineiras saíam da fábrica da Caio equipadas
com motor Buda ou Hercules; tinham o motor projetado para fora do salão de
passageiros e janelas acionadas por catracas. Os modelos rodoviários dispunham
de bagageiro no teto, com acesso por uma escada externa colocada na traseira do
veículo.

Em
pouco tempo as instalações da Celso Garcia ficaram pequenas e a empresa se
transferiu para uma área de 20.000 metros quadrados na Rua Guaiaúna, no bairro
da Penha, na capital paulista, onde deu sequência a suas atividades, que ainda
tinham certas características artesanais. A produção, contudo, cresceu
continuamente. Se no fim de 1946 eram fabricadas 12 unidades por mês, no ano
seguinte já eram 26, em média.

No
início dos anos 1950, quando a FNM — Fábrica Nacional de Motores —, sob licença
da Alfa-Romeo, passou a fabricar o primeiro caminhão nacional (conhecido por
“João Bobo” ou Fenemê), a Caio retirou dele a cabine, mudou a posição do
volante e introduziu algumas soluções técnicas, transformando-o em chassi para carroçaria
de ônibus. Foi o primeiro e um dos mais significativos avanços em termos de
qualidade e de tamanho das carroçarias Caio. Outra enorme evolução ocorreu
quando, anos mais tarde, a encarroçadora foi uma das primeiras no Brasil a
produzir carroçarias metálicas.  

José
Massa tornou-se o único controlador da companhia e, após sua morte, a família
manteve o controle acionário, representada inicialmente por José Roberto Massa
(segunda geração) e mais tarde por José MassaNeto (terceira). Ao longo dos
anos, foi adquirida a Companhia Autocarroçarias Cermava, do Rio de Janeiro, e instalada
em Recife a subsidiária Caio Norte, que chegou a produzir 50 carroçarias
mensais. Em 1976, a matriz comprou a Indústria de Carroçarias Metropolitana,
também do Rio de Janeiro, e criou a Caio Rio. A aquisição lhe permitiu absorver
a tecnologia de construção em duralumínio. Tornou-se também grande exportadora
de carroçarias: na segunda metade dos anos 1970, chegou a exportar 25% da sua
produção. 

no fim desse mesmo período, em virtude de mudanças no quadro econômico, a Caio
Rio foi desativada. Alguns anos depois, em abril de 1985, a matriz foi
transferida para Botucatu, no interior do Estado de São Paulo. A encarroçadora
respondia então por 80% do total dos ônibus urbanos fornecidos ao mercado
interno e mantinha volume expressivo de exportações. Em 1981, por exemplo,
cerca de 2.000 unidades foram destinadas a outros países. Naquele momento, a
marca Caio era, de longe, a mais forte no mercado de carroçarias de ônibus, especialmente
no segmento urbano.

1946
– Jardineira, com motor Buda e Hércules, as janelas imitavam os trens
(acionadas por catracas) e eram protegidas por grades. As
Jardineiras também tinham modelos rodoviários, com uma escada que dava acesso
ao teto para armazenar bagagens, uma das empresas que usavam era a mineira São
Geraldo.

1956
– Papa Filas, cavalo FNM puxando um semi-reboque.
1958 –
Cabines de caminhões para Mercedes-Benz.

1959 – Bossa
Nova, primeira carroceria rodoviária com estrutura tubular.

1960 – Ônibus
elétrico para Araraquara, SP.

1966 –
Gaivota urbana, lançada no Salão do Automóvel, com toalete, bar, iluminação
individual para leitura, carpete, poltronas reclináveis e cinto de
segurança. 

1967 –
Gaivota modelo rodoviário.

1969 –
Rodoviário Jubileu; Caio Verona – primeiro micro-ônibus brasileiro.

1974 –
Gabriela.

 
1974 –
Carolina I.


1976 –
Gabriela II, com vigia inteiriço.

1977 –
Rodoviário Corcovado.


1980 –
Amélia, produzida em Botucatu, SP.

1980 –
Rodoviário Aritana.

1980 – Papa
Móvel.

1981 –
Carolina II.

1983 –
Carolina III.

1985 –
Lançamento do modelo Amélia.

 
1985 –
Rodoviário Squalo, em alumínio.


1987 –
Carolina IV.

1988 – Urbano
Vitória.

 
1994 –
Rodoviário monobloco Beta, lançado na Expobus’94 é destinado ao mercado externo
(México) numa joint venture com a Mercedes-Benz da Alemanha.

1994 – Monte
Rei e Carolina V.

1995 – Urbano
Alpha.

 
1995 – Taguá
– urbano escolar.


1997 –
Piccolino, Piccolo, Millenium e Alpha Intercity.

 
1999 – Apache
S21.


2001 – Apache
Vip.

2002 – Giro
3400.


2003 –
Millennium II e Giro 3600.

2004 – Top
Bus e Giro 3200.

2005 – Foz
2400, Mondego HA e Mondego LA, Giro 3200.

2006 – Foz
Super.

2007 – Apache
S22.


2008 – Foz
2200 e Apache Vip 2008/2009.

2009 – Topbus
PB

2010 – Solar

2012 – Apache Vip III e Millennium BRT

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