Ônibus Paraibanos

Empresas aéreas salgam preços e clientes vão de ônibus

Fonte: Estado de Minas
Matéria/Texto: Pedro Rocha Franco
Fotos: Paulo Rafael Viana

É só dezembro chegar e os preços das passagens
aéreas decolam. Dólar em alta associado à maior demanda por voos,
principalmente depois do Natal, e a flexibilização quanto à regulação das
tarifas fazem o valor dos bilhetes ir às alturas. Mas por que só as tarifas
aéreas sobem tanto? Segundo especialista, a composição da tarifa aérea é
bastante diferenciada em relação à dos ônibus. Incidem no custo variável do
sistema aéreo o valor do combustível e as oscilações do dólar, entre outros.
Mas imagine se a “metodologia” do setor aéreo fosse válida para outras
situações, quanto valeria uma água de coco à beira-mar em pleno verão de
Ipanema? Ou um café num dia frio de inverno? E, por aquela cerveja gelada do
happy hour de sexta-feira, você pagaria R$ 60 (1.000% mais que em um dia
normal)?

Aproveitando a forte demanda na temporada de
festas, as companhias aéreas salgam os preços das tarifas aéreas, obrigando os
passageiros a trocar o avião pelo ônibus, que, com metedologia diferente,
mantém os preços durante o ano inteiro. Ou a desistir da viagem. Preparado para
voltar do Rio de Janeiro de avião, o técnico administrativo Franklin Coelho
Dorneles, se assustou ao consultar os preços no site da companhia aérea, e por
isso se viu obrigado a encarar as mais de seis horas que separam as capitais mineiras
e fluminense no transporte rodoviário. “É inviável. Eu compro um computador com
a diferença”, afirma. Também prejudicado, o aposentado Dorival Disessa vai
passar o Natal longe da filha pela primeira vez. Ela mora em Recife e a
passagem para BH nas vésperas do dia 25 estava quase R$ 5 mil. Como também tem
o marido, o valor dobra. “Por que para ônibus tanto faz se chove ou se faz frio
e o preço é mantido?”, questiona.

Especialista em setor aéreo, o professor associado da Fundação Dom Cabral, Hugo
Ferreira Braga Tadeu, explica que a variação está relacionada ao fato das
inúmeras variáveis que incidem sobre o custo operacional do transporte aéreo,
enquanto no caso do rodoviário tem-se uma planilha fixa. Segundo ele, a frota
das empresas de ônibus é própria, enquanto as companhias aéreas trabalham com
sistema de leasing para quitar as aeronaves adquiridas. Com isso, o valor das
primeiras passagens é usado para cobrir o custo fixo da operação, que vai desde
o combustível até o aluguel do avião. Depois de pago esse custo, as demais
tarifas se tornam mais caras e o valor arrecadado é usado para cobrir o custo
variável e a taxa de retorno.

Mas não é só. Ele lembra que, apesar de a tarifa ser paga em real, a maioria
das contas da empresa tem que ser convertidas para dólar e qualquer mudança de
câmbio imediatamente induz a alteração no valor tarifário. Como o real está no
menor patamar em comparação com o dólar desde maio de 2009, cotado a R$ 2,127,
os gastos também aumentam.

Segundo dados das companhias aéreas, entre 30%
e 40% do custo total está ligado ao gasto com querosene de aviação, o que com o
aumento do valor do barril do petróleo no mercado internacional onera o custo
de operação. No entanto, segundo o especialista, outros fatores precisam ser
considerados para o aumento de tarifas que se registrou, como a condição da
infraestrutura aeroportuária brasileira. Ele cita que desde o tamanho reduzido
das pistas até o tempo de taxiamento da aeronave influenciam pesadamente no
custo da tarifa. “Nas pistas de Congonhas, Santos Dumont e Recife, o processo
de frenagem tem que ser mais brusco e o tempo de espera taxiando faz com que a
turbina do avião esteja ligada para manter o ar condicionado em uso”, afirma o
professor em tom crítico à situação da infraestrutura.



Diferença chega a 140%



Os preços das passagens aéreas para quem vai
viajar nas festas de fim de ano podem variar até 140,3% no comparativo com os
valores do ano passado, segundo pesquisa feita pelo Procon da Assembleia de
Minas. O levantamento mostra que a passagem de Belo Horizonte para Porto
Seguro, por exemplo, que custava R$ 616 passou para R$ 1.481 para embarque
entre 26 de dezembro e 5 de janeiro. 



A solução é pesquisar. A variação de preços para
um mesmo destino pode chegar a 228% dependendo da companhia aérea escolhida. Se
a opção for por Ilhéus, também no litoral da Bahia, a tarifa pode custar R$
1.063 a mais. Comprando na Gol, o bilhete custa R$ 465,85, mas se a companhia
escolhida for a TAM o preço para ida e volta é de R$ 1.528,52. 



Como na casa da diarista Iris Medeiros são sete
pessoas. Por isso, qualquer economia na hora de viajar é válida. Por isso,
depois de ouvir os comentários da patroa sobre os preços das passagens aéreas,
nem mesmo consultou a internet para ver quanto pagaria. “Em julho, fomos de
avião, mas agora não tive nem a curiosidade de olhar. Já sabia que não cabia no
bolso”, afirma ela. (PRF)
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