Ônibus Paraibanos

Série histórica – 510 Tambaú

Fonte: Rota Bus PB
Matéria/Texto: Kristofer Oliveira
Fotos: Caio Henrique/Kristofer Oliveira/Acervo Histórico Paraíba Bus Team

Chegou a vez de falar de uma das principais linhas da cidade, na qual testemunhou a expansão imobiliária, a valorização da orla pessoense, sofrendo bruscas mudanças e “parindo linhas” para adaptar-se as nova conjuntura estrutural da área nobre da capital paraibana. Passou por diversas empresas até se firmar na Transnacional. Também, deixou de ser uma linha de colônia de pescador para ser uma linha que funciona 24 hrs atendendo uma grande diversidade de usuários durante os 7 dias da semana… Essa é a 510! Vamos conhecer mais dessa linha que é fundamental na ligação Orla x Centro!

Tambaú – Origem e atualidade

O nome “Tambaú” deriva-se do Tupi, significando “rio das ostras”. Em algumas fontes históricas datadas do início do Século XX, o Rio Jaguaribe desaguava em Tambaú, talvez daí o pq ter o nome “rio” inserido na origem do nome do bairro. No mesmo período, segundo as mesmas fontes, o curso do rio foi desviado, cortando o bairro de Manaíra e Bessa. 

Tambaú era uma antiga colônia de pescadores, mas após a valorização da orla pessoense, a colônia foi dando espaço para a elite pessoense que estava deixando suas antigas moradias no centro pessoense. E esses antigos colonos a cada dia estava sendo expulsos da orla, obrigando a se relocarem para a área do atual Bairro São José (eis aí a origem desse bairro problemático). O grande marco de Tambaú foi a construção nos anos 70 do Tropical Hotel Tambaú, eleito tempos atrás como um dos 10 melhores do país.

Outras curiosidades de Tambaú: A área do bairro também compreendia o atual Cabo Branco, pois esse nome era dado apenas a falésia; E justamente na atual área de Cabo Branco, residiu a partir dos anos 50 o ilustre paraibano de origem areiense José Américo de Almeida (escritor, jornalista, senador, governador e candidato a presidência da república nos anos 40), conhecido como o “solitário de Tambaú”; Existia uma linha férrea do centro até Tambaú, instalada após a abertura da Av Epitácio Pessoa.

Atualmente o bairro de Tambaú é considerado a área mais frequentada da orla pessoense, uma vez que possui uma infinidade de atrativos, não apenas para os turistas, mas também para quem vive na cidade. O bairro possui bares, restaurantes, hotéis, boates, ateliês, empresas de turismo, lojas de artesanatos, entre outros, sendo uma localidade ativa praticamente 24 hrs por dia. O perfil dos moradores do bairro é de classe A e B.

Tambaú antes da construção do Hotel Tambaú. Destaque para o ônibus á esquerda saindo da Avenida Ruy Carneiro e pegando a Avenida Tamandaré.
Evolução e mudanças da linha 510

A primeira empresa conhecida a atuar no bairro foi a Viação Dutra, atuando nos anos 50 e 60. Possivelmente Tambaú foi mais um bairro operado por diversos ônibus particulares.
International L170 da Auto Viação Dutra
Nos anos 70, a Viação 1º de Maio operou a linha até 1976. O detalhe é que a linha também compreendia o atual bairro de Cabo Branco e também o João Agripino. A linha passava na Av Ruy Carneiro. O terminal da linha era na área da atual quadra de tênis do Hotel Tambaú, mas foi transferido para o bairro de Manaíra.

Viação 1° de Maio avariado após acidente em 1976

Entre 1976 e 1978, a Viação Senhor do Bonfim operou a linha. A grande novidade é que essa empresa inseriu os primeiros Monoblocos no sistema urbano, e consequentemente, a linha de Tambaú foi a primeira a operar esse tipo de veículo. Também, a linha contava com o serviço opcional.

Senhor do Bonfim com seus monoblocos em 1976
Em 1978, a Rodoviária Santa Rita assume a linha, trazendo alguns Marcopolo Veneza para operar a linha. No mesmo ano, já existe registro da linha Cabo Branco, operada pela Marcos da Silva.
Rodoviária Santa Rita
A partir de 1979, possivelmente ano de fundação da São Judas Tadeu, mais uma vez a linha muda de empresa. No ano de 1986, a linha Tambaú ganha o prefixo 510. Também, com a criação da linha 511, a 510 altera o seu itinerário.
São Judas Tadeu
Manifestação nos anos 80
Frota da linha Tambaú

Em agosto de 1988, o ônibus da São Judas Tadeu que opera a 510 é vítima da Revolução de 88.

Torino 1983 da São Judas Tadeu na 510 sendo atacado por manifestantes

Após a Transnacional adquirir a São Judas Tadeu no fim de 1988, a linha 510 muda de empresa mais uma vez.

Destaque para a imagem da direita, com o Torino GV F-113 HL na 510 em 1996

A partir de dezembro 1997, a 510 passa a contar novamente com o serviço opcional. Inicialmente a Reunidas opera o serviço com Torino GV, e a partir do ano 2000, a linha passa a contar com Senior climatizado. No fim de 2008, a linha opcional 510 se transforma na linha 500 e sofre mudanças no seu itinerário, transformando-se em uma linha independente.

500 em operação
No ano de 2009, o terminal da 510 é transferido do Lucy para o Val Paraíso, alongando o seu trajeto e beneficiando alguns usuários. 

A curiosidade da linha é que apesar de sofrer tantas mudanças não alterou o seu nome principal. Possui o seu terminal no bairro do Bessa, atende aos bairros Jardim Oceania e Manaíra, para então chegar em Tambaú. Independente da sua nomenclatura, o que importa é a sua utilidade.

Assim como aconteceu com as linhas 101 e 402, cada vez mais o nome do consórcio Unitrans está ficando em evidência nos carros que compõe a sua frota.

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