Ônibus Paraibanos

João Pessoa e Recife: cidades tão próximas, sistemas tão distantes…

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos

Matéria/Texto: Paulo Rafael Viana

As
regiões metropolitanas de João Pessoa (Paraíba) e Recife (Pernambuco) são
próximas, separadas por praticamente 120 quilômetros de distância.
Geograficamente são bem próximas, e numa viagem de aproximadamente duas horas é
possível ir de uma dessas para a outra. Aqui nessa matéria será descrito e
mostrado como duas cidades tão próximas geograficamente são tão distantes em
relação à qualidade de seu transporte coletivo urbano. Na foto ao lado, um
Comil Doppio com chassi Volkswagen da empresa Cidade Alta, em um Terminal
Integrado do grande Recife. Vejam aqui nessa matéria completa mais informações
e conheçam o sistema da região metropolitana do Recife, sempre comparando o
ultrapassado sistema de transporte de João Pessoa!

– Introdução
– Empresas e suas frotas
– Órgãos gestores do transporte público
– Tarifas e eficiência na integração do sistema
– Conhecendo rapidamente o SEI / Recife
– Bilhetagem eletrônica
– Conclusão
Introdução –
A região metropolitana de João Pessoa que é conurbada (que é a unificação das
malhas urbanas de várias cidades) é composta por cinco cidades, sendo elas as
cidades de João Pessoa, Cabedelo, Santa Rita e Bayeux, além de uma parte do
Conde. Já a RMR (região metropolitana do Recife) é composta por oito cidades,
sendo elas Recife, Olinda, Paulista, Abreu e Lima, Igarassu, Camaragibe,
Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. O transporte público na
grande João Pessoa é decadente e ultrapassado, com pouquíssima mobilidade e
integrações, totalmente diferente e separado de acordo com a cidade, ao
contrário do transporte no Recife que é totalmente integrado entre si, gerido
pelo mesmo órgão gestor e um exemplo de como pode e deve ser feita as
integrações entre cidades e linhas de uma região metropolitana.


Empresa CRT, CAIO Apache S22
Empresas e suas frotas – Em Recife existem atualmente 18
empresas operadoras (são elas: Cidade Alta, Rodotur, Caxangá, Empresa
Metropolitana, Rodolinda, São Paulo, Mirim, Santa Cruz, Pedrosa, São Judas
Tadeu, CRT, Rodoviária Metropolitana, Itamaracá, Globo, Borborema, Vera Cruz,
Transcol e Cruzeiro)
no sistema de toda a região metropolitana,
responsáveis por operar bem mais que 300 linhas, distribuídas entre linhas
convencionais e linhas do SEI (Sistema Estrutural Integrado), considerados por
muitos o melhor sistema do nordeste. O ônibus ao lado é da empresa CRT (Cidade
do Recife Transportes), é um modelo Apache S22 da CAIO, inexistente na frota
urbana de João Pessoa.

A
frota de Recife é bem variada e possui modelos de todas as encarroçadoras
existentes. Marcopolo é uma forte presença, mas a encarroçadora Comil possui
uma boa fatia do mercado de carrocerias no Recife, juntamente com CAIO e a
recém-finada Busscar. Mascarello e Neobus, além de algumas unidades
remanescentes da Ciferal, também estão presentes numa quantidade menor. Em
relação aos chassis dos ônibus de Recife também são variados: Volkswagen com
17.210, 17.230 e 15.190 e Mercedes-Benz com OF-1721, OF-1722 e OF-1418 são em
maiores quantidades, além dos recentes 17.260 e do 17.230 Euro V da VW e
OF-1721 Euro V da MBB, mas também existe uma boa quantidade da Scania com seu
chassi F230 e os recém-chegados Volvo B270F.
Articulado O-500MA Mercedes-Benz

Chassis de motorização traseira e
central também começam a ficar mais presentes por Recife, com o Volvo B12M,
B10M, Scania K310 e Mercedes-Benz O-500MA, todos eles encarroçados em ônibus
articulados, além de uma boa quantidade de ônibus com câmbio automatizado,
proporcionando mais conforto para condutores e usuários. Ao lado um Gran Viale
Marcopolo com chassi Mercedes-Benz O-500MA, motorização traseira, da empresa
Borborema Imperial.

Ônibus articulados existem em vasta
quantidade em toda RMR, porém atualmente a maioria é de motorização dianteira,
como o Comil Doppio com chassi Volkswagen 17.230 EOD na foto abaixo da empresa
Cidade Alta Transporte e Turismo, na linha 909 – TI Paulista / Joana Bezerra,
que pertence ao SEI Perimetral e é operada compartilhadamente com a empresa
Itamaracá Transportes.


em João Pessoa existem 6 empresas (são elas: Santa Maria, São Jorge,
Transnacional, Reunidas, Mandacaruense e Marcos da Silva)
, mas na verdade
podemos dizer que a única coisa que existe de “6” no transporte
público de João Pessoa é o nome de seis empresas, já que quatro desses nomes de
empresas são do mesmo grupo, um império que comanda praticamente 80% das linhas
só em João Pessoa e 100% em Cabedelo e no Conde. As outras duas empresas operam
solitariamente poucas linhas. Pelas cidades de Santa Rita e Bayeux existem
algumas empresas pequenas, que se distribuem em linhas internas e linhas que
vão para João Pessoa.
Unitrans, a empresa que domina sozinha, desde 1996, a maior fatia do sistema pessoensse

Por
aqui a frota é bem básica, composta em sua maioria por Marcopolo e chassis
Mercedes-Benz. Não se ouve falar nada da encarroçadora Mascarello, alguns
Busscar perdidos, pouquíssimo de Neobus e há muito tempo atrás se ouviu falar
de Comil, restando apenas duas unidades dessa encarroçadora em João Pessoa e
alguns em Bayeux. Chassis Volkswagen são pouquíssimos, Scania e Volvo
apareceram e sumiram há muitos anos atrás e não existe nenhum ônibus com câmbio
automático em toda João Pessoa. Vale lembrar que os dois únicos ônibus com
chassi Scania encontram-se operando linhas entre Bayeux e João Pessoa,
inclusive pra o Aeroporto Castro Pinto (isso mesmo, AEROPORTO) e já possuem
seus mais de 21 anos de circulação.
Geralmente o nome “Scania” traz um impacto de ônibus moderno… por aqui?! Que nada… Essa é uma das Scanias que rodam pra o Aeroporto da grande JP

Órgãos gestores do transporte público – Em toda a região metropolitana
do Recife existe apenas um órgão gestor para todas as cidades e empresas
operadoras, responsável por estudos viários, mudanças nos itinerários, criação
de novas linhas, administração dos TIs, dentre outros assuntos, e desde 2008
chama-se Grande Recife Consórcio de Transporte, ou simplesmente Grande
Recife ou GRCT.
Logomarcas do SEI e do GRCT

Antes
seu nome era EMTU/Recife (Empresa Metropolitana de Transportes Urbano) e
era uma empresa pública estadual, mas depois da mudança para Consórcio
tornou-se uma empresa pública multifederativa.
Em
João Pessoa existe uma tarifa única, e custa nada menos ou algo mais que R$
2,20, independente se a sua linha anda muito ou pouco. Se, por exemplo, a
cidadã Larissa mora no Colinas do Sul (um dos bairros mais distantes do centro
da cidade), ela paga R$ 2,20; porém se Ronaldo, amigo dela, mora no bairro do
Róger, ao lado do centro, ele paga o mesmo alto preço. Nisso em Recife também é
diferente (e pra melhor), pois existem várias tarifas, chamadas de anéis, de
acordo com a proporção da distância que determinada linha percorre.
Antes
de qualquer coisa vale esclarecer de uma vez por todas que a tarifa em
Recife NÃO é R$ 3,25
, como já afirmaram em comerciais e recortes de jornais
numa tentativa de justificar os aumentos tarifários de João Pessoa, dizendo que
a tarifa em JP continua barata. R$ 3,25 é uma das tarifas do grande Recife, mas
na verdade a tarifa predominante por lá é R$ 2,15, que ainda consegue ser cinco
centavos mais barata do que a de João Pessoa, mesmo Recife sendo bem maior que
JP. Vejam na tabela abaixo as tarifas em Recife:

Nessa tabela dois pontos merecem ser
ressaltados: primeiro que, nos domingos todos tem direito à meia passagem à
vista, o que acaba movimentando mais a cidade e incentivando as pessoas a se
divertirem e terem mais lazer nos domingos. Reza a lenda que alguns políticos
pretendem implantar a meia tarifa aos domingos na capital paraibana, mas
infelizmente não sabemos se isso será ou não do agrado dos empresários de João
Pessoa. E segundo que se, por exemplo, o cidadão Dilson entrou no metrô e pagou
apenas R$ 1,60, ele tem direito pleno à integração com um ônibus dentro do TI,
seja esse ônibus anel A 2,15 ou B 3,25. Sim, passageiros, empresários e
gestores de transportes de João Pessoa, é verdade e é possível, ele não vai ter
que inteirar a diferença pra pegar o ônibus que é mais caro que o metrô. Esse
exemplo de “completar a diferença” deixa no chinelo a tal “integração” que
inventaram entre Jacumã e Mangabeira, quando alguém (sabe-se lá quem) decidiu
abolir a linha 5305, que levava passageiros de Jacumã direto para a Lagoa, sem
ter que fazer baldeação.

Um fato curioso é que no site
do “Passe Legal”
da AETC-JP tem uma tabelinha mostrando o valor
da tarifa de algumas cidades do nordeste (em destaque na reprodução ao lado).
Engraçado que o único valor mais baixo que a de João Pessoa que eles exibem lá
é a de São Luis/MA, que custa R$ 2,10. Esqueceram-se de citar justamente Recife
com seus R$ 2,15 ou até menos que isso, e mais ainda, esqueceram de
Fortaleza/CE, onde a passagem é exatamente R$ 2,00 (a mais barata do nordeste)
e possui benefícios como a tarifa social de R$ 1,40 (0,70 meia) aos domingos,
dia de aniversário da cidade, Réveillon e 1º de Janeiro e hora social de R$
1,80 (segunda a sábado, 9 às 10 e 15 às 16). As informações tarifárias de
Fortaleza foram retiradas do site da Etufor.

A farsante “integração
metropolitana” que mal citamos no começo desse tópico e que citam
loucamente como boa e a solução para o transporte metropolitano de João Pessoa
em propagandas políticas e em propagandas maquiadas na televisão é uma pura ilusão
para as pessoas, pois o que acontece é apenas um abatimento em parte da tarifa
de quem paga uma passagem inteira com o cartão eletrônico, já que quem paga em
dinheiro não tem direito a essa tal integração, além de estudantes que já pagam
meia passagem, e ao “integrar” em outro ônibus metropolitano é
descontado mais meia passagem, que é o mesmo que nada.
Integração metropolitana?!?! Nããão, hehehe!

E nem falem de integração com meios de
transporte diferentes, já que a integração de ônibus com o ultrapassado e
barulhento trem diesel metropolitano que vem de Bayeux passando por João Pessoa
até Cabedelo é um sonho, e seria uma grande dor de cabeça para muitos magnatas
do transporte dessa pacata metrópole. Dizemos que a integração entre meios de
transporte diferentes é uma dor de cabeça para muitos magnatas, pois até
pequenos empresários conseguem fazer uma integração intermodal de qualidade,
como fizeram as empresas Expresso Litoral (ônibus de Lucena) e a empresa
responsável pela balsa/ferry-boat (entre Cabedelo e Costinha), que entre si
integraram seus sistemas para facilitar a vida dos usuários desse trecho.
Falaremos melhor sobre esse caso numa matéria separada em breve, mas já vale
citar aqui essa atitude plausível.

Hoje em dia, e tudo indica que por um
bom tempo pro futuro (esperamos estar enganados), é impossível que, por
exemplo, o cidadão Aldo, que mora no Geisel, ir visitar sua tia Rita que mora
perto do Aeroporto Castro Pinto em Bayeux pagando apenas uma passagem. Ele vai
ter que pagar R$ 2,20 para ir até o “Mercado Modelo” e de lá pagar
mais R$ 1,85 para ir para Bayeux. Já o cidadão pernambucano Alfredo, que mora
na cidade de Camaragibe, pode ir visitar sua mãe Vera em Maranguape I, na
cidade do Paulista com apenas R$ 1,60, pegando um metrô e mais dois ônibus,
isso mesmo, menos de R$ 2, e atravessando quatro grandes cidades.

Um
exemplo de integração é a que existe em Recife, o SEI. Para quem não conhece e
será explicado mais abaixo, o SEI (Sistema Estrutural Integrado) é uma
rede de transporte público de massa que integra linhas de ônibus e metrô (trem
elétrico). A melhor parte disso tudo é a possibilidade de se integrar de
verdade, podendo pegar o metrô, descer numa estação “X” e pegar um
ônibus sem ter que pagar nada mais por isso, nem mesmo uma meia passagem como
se faz em João Pessoa. Com o SEI e com a existência de vários terminais
integrados na cidade não se faz como em João Pessoa, onde estando em qualquer
canto e querendo ir pra qualquer outro canto (por mais perto que seja) é
obrigatório fazer uma passadinha no belíssimo TIV (Terminal de Integração do
Varadouro).
Querem
um exemplo simples de como a mobilidade em JP é um fracasso?! Se o cidadão
Mário está dando um passeio num determinado shopping em Manaíra e quer se encontrar
com seu grande amigo Alberto que está no Cabo Branco, como ele faz? Ele tem que
atravessar toda a Epitácio, Lagoa, descer no TIV e voltar tudo de novo até
chegar no Cabo Branco? Não seria tão mais simples se na Epitácio Pessoa ou
pelos arredores do Bessa tivesse um terminal integrado com linhas por toda a
orla, que não é lá essa imensidão… o jeito é arriscar a “integração
temporal”, e implorar pra não pegar um engarrafamento que perca e acabe o
tempo no cartão, isto é, se esses rapazes tiverem o tal cartão. E se a falta de
mobilidade é assim entre o shopping e a praia (área nobre da cidade), imaginem
como é pelos bairros. A salvação em alguns casos são as linhas circulares, mas
quem não as tem sofre, e muito…
Conhecendo rapidamente o SEI / Recife – Como define o próprio site
do Grande Recife Consórcio deTransporte
, o Sistema Estrutural Integrado é
uma rede de transporte público composta por linhas de ônibus e metrô, e todas
essas linhas são integradas através de TIs (Terminais Integrados).
E como funciona o SEI? O SEI é dividido em cinco cores, e cada cor
representa um serviço diferente que cada linha faz dentro do sistema. A título
de curiosidade, as cores do SEI representam as cores presentes na bandeira do
estado de Pernambuco.
Amarelo, uma das cores do SEI
SEI Alimentadora (ônibus amarelos) – Trazem os usuários dos
bairros / subúrbios até o Terminal Integrado, alimentando os TIs com
passageiros;
SEI Radial (ônibus azuis) – Levam os passageiros do Terminal
Integrado até o centro do Recife;
SEI Perimetral (ônibus vermelhos) – Levam os passageiros do
Terminal Integrado cruzando grandes perímetros urbanos, sem passar pelo centro;
SEI Interterminal (ônibus verdes) – Fazem o trajeto de
dentro de um TI até outro TI, de forma expressa ou não;
SEI Circular (ônibus brancos) – Levam os passageiros à
locais nos arredores do TI.
Um dos poucos brancos do SEI, já que linhas circulares não são várias. Apache S22 da empresa Transcol, no TI Macaxeira, da linha 520 – Macaxeira / Parnamirim

Além
dos ônibus, existe também o metrô, que atualmente conta com três linhas
(Camaragibe, Jaboatão e Cajueiro Seco), todas elas partindo da Estação Central
do Recife. Locais como o Aeroporto, Rodoviária, Cavaleiro, Barro, Joana
Bezerra, Shopping Recife e Imbiribeira são atendidos pelas linhas de metrô. O
metrô (100% climatizado com ar-condicionado) é operado pela CBTU / Metrorec
(Companhia Brasileira de Trens Urbanos). Na foto ao lado um dos trens elétricos
climatizados do STU / REC numa estação do sistema.

Atualmente o SEI conta com treze
Terminais Integrados, e outros três já estão praticamente concluídos,
aguardando alguns detalhes para entrarem em funcionamento e continuar o plano
de integrar mais ainda a região metropolitana do Recife. Na foto abaixo o
Terminal Integrado Pelópidas Silveira, conhecido também como TI Paulista ou TI
PE-22, localizado em Paulista. Dos Tis já em funcionamento, esse é o maior de
todos.


Bilhetagem eletrônica – Poxa vida, João Pessoa tinha que ter
pelo menos um ponto positivo nesse sisteminha da década de 70 em pleno Século
XXI, eis que chegamos nele: a bilhetagem eletrônica. Implantada oficialmente no
final de dezembro de 2006, com tecnologia da Empresa1, a bilhetagem eletrônica
em João Pessoa sempre se mostrou eficiente, rápida e útil na capital, e a
população se adaptou muito bem. Desde seu lançamento tem o nome de “Passe
Legal”
, e possui os cartões Estudante, Vale Transporte e Cidadão.

– Passe Legal Estudante: cartão azul-claro com foto, destinado
aos estudantes de ensino fundamental, médio e superior, esse cartão pode ser
recarregado por estudantes cadastrados na AETC-JP. É descontado sempre metade
da tarifa (atualmente R$ 1,10), e possui direito pleno à integração temporal;
– Passe Legal Vale
Transporte:
cartão
laranja, destinado aos trabalhadores, esse cartão é solicitado pelo setor de RH
de empresas para seus funcionários obterem o direito ao benefício de vale
transporte, e também possui integração temporal plena, e meia tarifa na
integração metropolitana;
– Passe Legal Cidadão: cartão azul, destinado para qualquer
pessoa que desejar ter um para não pagar passagem em dinheiro, é recarregável e
usável por qualquer pessoa. Dá direito à integração temporal plena e meia
tarifa na integração metropolitana.

A
AETC-JP procura veementemente incentivar os passageiros a usarem esses cartões,
seja para causar mais conforto para os usuários, segurança em caso de assalto
por não ter dinheiro vivo em caixa, agilidade no sistema e, em conseqüência
disso, a retirada dos cobradores dos ônibus em João Pessoa, como já foi feito
em algumas linhas municipais e como já foi feito também em todas as linhas de
Cabedelo, Conde e quase todas de Bayeux, onde apenas as empresas Das Graças e
Almeida (justamente as menores, vejam só…) mantém os cobradores em seus
ônibus.

No início de junho desse ano, sabe-se
lá por qual motivo ou licitação, decidiram trocar a bilhetagem eletrônica de
João Pessoa, que “coincidentemente” se deu pouco tempo depois que em
Campina Grande também mudou para a mesma. A mudança foi da Empresa1 para a
empresa Transdata Smart, sediada em Campinas/SP. O que já era rápido e
eficiente ficou mais ainda, pois mesmo com um aparente “processo
longo” (leitura do cartão > débito da passagem > escrita da
integração temporal > escrita do novo saldo) ao encostar o cartão, a
bilhetagem em João Pessoa sempre se mostra bem rápida.

Outro
ponto positivo é a vasta quantidade de postos de recarga espalhados pela
cidade. Em João Pessoa existem atualmente dez locais, espalhados pelo centro
(só lá são quatro), universidades e alguns bairros como Mangabeira, Valentina e
Bessa.

no Grande Recife o sistema de bilhetagem eletrônica atual é o chamado VEM –
Vale Eletrônico Metropolitano
, que começou a mudar desde 2009 e atualmente
está em pleno funcionamento, com tecnologia da empresa Montreal APB Prodata. O sistema começou a melhorar quando foi implantado
o VEM, pois o sistema anterior era péssimo e muito burocrático. Enquanto
em João Pessoa existem apenas três tipos de cartões no sistema Passe Legal, o
VEM disponibiliza sete tipos de cartões, sendo eles:
Os cartões VEM, abaixo a descrição de cada um

– VEM Trabalhador (cartão
verde):
destinado a
funcionários de empresas, é solicitado pelo setor de RH para beneficiar seus
funcionários com o vale transporte;
– VEM Comum (cartão verde): destinado a quem quiser pagar a
passagem com o cartão e não ter que pagar em dinheiro vivo;
– VEM Rodoviário (cartão
branco):
destinado
aos funcionários do STPP/RMR (Sistema de Transporte Público de Passageiros da
Região Metropolitana do Recife), sendo cobradores, motoristas, despachantes,
dentre outros. Serve para operar o validador durante o trabalho, ou passar pela
catraca de forma gratuita;
– VEM Estudante (cartão
amarelo):
destinado
aos estudantes, como diz o nome. Com esse cartão se tem o beneficio da meia
passagem;
– VEM Infantil (cartão
colorido ilustrado):

destinado para crianças menores de seis anos, proporciona aos pequenos
passageiros girarem a catraca normalmente e não ter que passar por baixo delas;
– VEM Idoso (cartão
laranja):
estará
disponível em breve e possibilitará aos maiores de 65 anos passarem pela
catraca;
– VEM Especial (cartão azul): estará disponível em breve e
substituirá a CLA (Carteira de Livre Acesso), possibilitando deficientes
físicos, mentais e sensoriais passarem pela catraca.
A
bilhetagem eletrônica no Recife começou em 1999, com tecnologia da empresa
Tacom, e ficou conhecida como “Passe Fácil”, e que de
“fácil” só tinha o nome, pois a leitura dos cartões não era feita por
contato, e sim por leitura de inserção (semelhante a leitura de cartões de
banco com chip). Todo o processo de leitura demorava muito, mais tempo do que o
pagamento em dinheiro, e só estava disponível para rodoviários do sistema
(cobradores, motoristas e fiscais), estudantes e trabalhadores.
Enquanto
em Recife tem apenas dois postos, sendo um próxima ao centro e outro na Avenida
Caxangá (uma das principais avenidas da cidade), a distribuição pelos bairros
de postos de recarga é inexistente. O que existe são alguns pontos que
recarregam os cartões como recarga de celular.
Conclusão – Concluímos agora de forma bem
resumida que o sistema de João Pessoa já está bem ultrapassado. Com uma cidade
como Recife tendo um sistema que se mostra eficiente, tão perto de João Pessoa,
bem que podia ser copiado, claro que em tamanho reduzido. A única coisa que vai
muito bem na nossa capital paraibana é a bilhetagem eletrônica.
Poderíamos
citar também a idade da frota, que também vai bem… mas para encerrar essa
matéria com perguntas e dúvidas sobre esse assunto, poderíamos perguntar: por
que os ônibus em João Pessoa são novos? Aliás, por que os ônibus do Grupo A Candido são novos? Assim perguntamos porque as últimas renovações de ônibus
zero quilômetro de outras empresas já fazem um bom tempo, e de lá pra cá só
trouxeram usados, inclusive o próprio grande Grupo. E por que o Grupo investe
tanto em ônibus novos? É porque são preocupados com isso? A propósito, onde vão
parar os ônibus que rodavam por aqui? Vão pro lixo, prejuízo? Que nada… algum
destino útil eles tem. A renovação se dá claramente porque é vantagem para a
empresa, ter ônibus novo na cidade é só uma consequência de tudo. Por isso não
citamos isso como um ponto positivo do sistema de João Pessoa, pois se assim
fosse um ponto positivo para benefício da população mesmo, todas as outras
empresas de João Pessoa e região metropolitana seguiriam no mesmo ritmo.
Para
encerrar, mais três fotos da frota urbana da região metropolitana do Recife:
Neobus Mega IV Mercedes-Benz OF-1722, empresa Borborema Imperial Transportes
Busscar Urbanuss Pluss Volkswagen 17.210 com três eixos, empresa Itamaracá Transportes 
Marcopolo Torino Volkswagen 15.190 EOD, empresa Transcol

19 comentários em “João Pessoa e Recife: cidades tão próximas, sistemas tão distantes…”

  1. Parabéns, pela grande matéria desenvolvida, está show de bola e gostei muito dessa comparação entre as cidades.
    O que acho interessante foi o que ocorreu em Junho de 2011 em João Pessoa.
    O sistema foi dividido entre 2 consorcios: Unitrans e o outro que ninguem sabe nen o nome…
    Acho que deveria ter uma licitação seria na RMJP e assim fazer a padronização e a reforma e construção dos TI e TIP da Rodoviária, melhorar a distribuição de linhas com intinerario e a Legenda de cada uma…

  2. Toda vez que vou à Recife (pelo menos umas 4 vezes no ano) me surpeendo sempre com os terminais de integração, que são bem organizados e grande, quanto o daqui agora virou um zorra só, é gente vendendo dvd pirata, churrasquinho (eu axo q é de gato kkk) milho entre outras coisas kk
    Alem do mais pra chegar na rodoviaria a pessoa ja é recebido com um perfume de lavanda (esgoto)…..Toma providencia PREFEITURA

    1. Lucas, usuários das linhas metropolitanas não possuem qualquer tipo de segurança, durante a noite, as linhas paravam em frente à Rodoviária, por questões de segurança. Mas os taxistas denunciaram e hoje corremos risco ao lado do Mercado Modelo, que foi recentemente demolido. Pago duas passagens diariamente, por ser estudante.

      O nome do outro consórcio é "Nossa Senhora dos Navegantes". E nem vejo necessidade de padronização em João Pessoa. O que é necessário é a saída dos Cândidos e a regulação eficiente e bem planejada dos órgãos competentes, a Semob já demonstrou ser um fracasso e em pouco tempo o sistema entrará em colapso. O BRT poderá ser um verdadeiro inferno.

  3. Parabéns pela postagem. Mas é necessário algumas ressalvas: o sistema pessoense não é o mesmo da década de 70, ele é todo remendado. É claro que tivemos alguns avanços, como o TI do Valentina, as linhas integracionais e as linhas circulares. Avanços obtidos sem qualquer esforço por parte do Grupo A. Cândido. Sem contar as três únicas linhas perimetrais de fato: 5600,5603 e 5605, que deram tão certo, que hoje são linhas de altíssima demanda, ligando Mangabeira à Orla.

    É evidente que estamos muito além de Natal, que não possui linhas circulares, integracionais, terminais físicos de integração. Mas em comparação ao Recife, perdemos feio. A ascenção do Grupo A. Cândido só foi a confirmação da ineficiência dos órgãos reguladores.

    E a tendência é que essa quantidade de veículos "novos" comprados todos os anos é cair. Empresas como São Jorge e Marcos da Silva já não compram mais veículos 0 km. Ambas as empresas estão duramente sucateadas, com uma manutenção precária dos veículos.

    Enquanto isso, as empresas metropolitanas, vivem á margem do desenvolvimento do transporte público. Em Bayeux, chegou-se ao cúmulo de circularem veículos com mais de 30 anos de uso, evidenciando a falência do sistema. A Santa Rita, que chegou a ser uma das melhores empresas, hoje está capegando e se esforça pra se manter. As linhas internas são muito precárias e não são integradas. A PB Rio batalha pra se manter. A Boa Viagem Conde e a Roger já se acabaram e atuais empresas prestam um péssimo serviço.

    Isso sem contar a incompetência dos órgãos gestores, como a Semob,que nos últimos anos cria várias linhas inúteis e só prejudica o usuário, a 603 está à beira de um colapso, desde a extinsão da linha 600 e refoço da inútil 600.

    O SEI, excelente sistema integrado já possuia há anos alguns corredores exclusivos para ônibus. E tenho certeza que o BRT será bem sucedido no Recife, pois o SEI já é um esboço bem sucedido.

    Agora, em João Pessoa, o futuro da mobilidade urbana é muito sombrio. Creio que em poucos anos, o sistema entrará em total colapso e que o pseudo BRT vá conseguir ser eficiente.

    1. Vale ressaltar tbm a linha 1001-B. das industrias/Manaíra Shopping que é de grande importância pra quem esta em bairros como B. das industrias, Novais, Cruz das Armas, Jaguaribe, 13 de Maio, Ipês, B. dos Estados, Mandacaru e precisa se deslocar até o Shopping Manaíra, Praias, IESP e Hiper Bompreço, mas é tratada com mto descaso pelas empresas operantes, a São Jorge pertencente ao grupo A. Candido disponibiliza uns de seus piores ônibus já que a empresa faz questão de manter a sua frota mais nova e onibus de grande porte a disposição apenas das linhas do valentina 5120, 2300 e 1519, já a Mandacaruense mantem a frota bem nova na linha, que é quase sempre renovada em quase 100%.

    2. Vale dizer que a linha 603 deixou de circular ao lado do carrefour, deixando de atender o maior condominio de apartamentos da cidade, o Val Paraíso, então com isso que precisa ir mais dentro do bairro do Bessa, e até mesmo a integração do bairro, precisará andar até o Bessa shopping ou pegar dois ônibus. Acabei de me mudar de Fortaleza para João Pessoa, e me assusto com o preço da passagem de ônibus para uma cidade tão pequena, e com pouca disponibilidade de TI, e que vale salientar, um péssimo TI, sem estrutura, sem limpeza, sem segurança, sem organização, utilizei o TI uma vez e espero que para nunca mais, prefiro tirar do meu bolso outra passagem a me arriscar a utilizar o TI. Fica um pouco da minha indignação, pois com uma passagem tão cara e uma cidade pequena era pra ser melhor organizado o sistema de transportes coletivos.

  4. Na parte de padronização, cabe lembrar que as concessões das linhas pertencem a Prefeitura, e não as empresas. Por causa dessa mentalidade é que se observa a mesma pintura em vários bairros, e a permuta de linhas entre empresas do mesmo grupo quando isto não deveria ocorrer, dado que as empresas do Grupo A.Cândido se acostumaram a tratar as linhas como propriedade dela. Por conta disso a questão de padronização não me incomoda, já que a pintura de uma empresa é particular dela. Basta olhar a pintura da Unitrans. Está em quase todos os bairros. Isso não é uma padronização particular?

    E obviamente exigir mais das empresas não só nos processos licitatórios, mas agora. Se eventualmente uma empresa dessas do sistema de Recife entrasse agora, iria com certeza depositar seus veículos usados da empresa matriz (será isso que querem?) e comprar poucos novos tal como acontece com as empresas administradas por esses grupos em Natal (ou com o próprio Grupo A.Cândido mesmo que administra SM e Reunidas) onde a cada 1 novo, depositam sete carros usados, tratando as empresas fora do domínio matriz como "recicladoras". Não é essa relação de dependência do mais forte que quero para a minha cidade nem para Natal ou outras capitais. A vantagem que os A.Cândido veem em comprar carros novos as empresas pernambucanas também veem, Natal é uma prova disso, basta olhar as empresas administradas por grupos de fora do RN.

    O problema todo de João Pessoa está na falta de um modal de reforço, já que os deslocamentos por ônibus representam quase 90% dos deslocamentos realizados na cidade. Em Recife existe o metrô. Aqui apenas um sistema de trens que só atende a Zona Norte e que está sucateado. Aí qualquer empresa sentiria a concorrência.

    1. Na verdade Josivandro, o problema está quase sempre com empresas de grupos maiores (como A.Cândido).

      Se olhar para Fortaleza, lá foi feita licitação e tudo, mas quem domina mais de 70% da cidade (além da malha rodoviária) é o grupo da Expresso Guanabara e não só isso: pelo que eu soube, a 12 (aparentemente pertence a esse grupo) entrou com uma liminar para tirar a 10 (que não era do grupo) do sistema de Fortal, que ia até o fim de 2013.

      Também tem o mesmo problema aqui em Natal. Tem uma linha (a P) que só tem dois carros e foi tema de diversas matérias, e chegou a até exigir ao DER para que colocasse pelo menos uns 7 carros na P. Agora por que? Por conta do monopólio dos cândidos em Ponta Negra e ações judiciais para impedir que a linha P recebesse mais veículos.

      O Problema de lá e o parecido daí, só que no ramo rodoviário não é monopolizado (se eu estiver equivocado, me corrija).

      Mas sobre o texto, sinceramente ele ficou excelente e encaixa perfeitamente com a realidade não só daí, como aqui e em Fortaleza, acreditem se quiser.

  5. chico sem rabo preso

    esse grupo a candido eh a coiza mais nogenta que o sistema de trainsporte de uma cidade pode ter. fazem o que querem vei e ninguem faiz nada contra. ainda bem que aqui em pe eles so estao no fretamento pra peao de obra!!!

  6. Parabéns pela brilhante matéria sobre a verdadeira mobilidade urbana que deveria ser adotado por aqui,seria uma revolução assustadora se isso um dia acontecer seria muito bom mesmo para a grande JP e principalmente as cidades de Bayeux,Santa Rita,Cabedelo e Conde que atualmente sofrem com a ausência de transporte público resumindo um verdadeiro caos.

  7. Eu classifico como Verdadeiro desprezo o que o Grupo A.Candido faz com a população pessoese em relação ao serviço que ele presta no trasporte público de JP apesar de ter uma frota relativamente nova mas não e suficiente para dar conta,isso me faz lembrar a gigante ETUR nos anos 90 que era dessa mesma forma monopolizando todo o sistema.

  8. Parabéns pela excelente matéria comparando os sistemas das Regiões Metropolitanas das capitais vizinhas, tenho somente uma correção a fazer, da introdução da matéria, referente as cidades que compõe a Região Metropolitana do Recife (conhecida como RMR).
    Não são apenas 8 municípios que a compõe e sim 17, são eles: Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Igarassu, Goiana, Escada, Sirinhaém, Abreu e Lima, Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho, São Lourenço da Mata, Araçoiaba, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Moreno, Itapissuma além do Recife, porém destes municípios, Serinhaém, Goiana e Escada não são atendidos pelo sistema de ônibus da RMR por terem sido recém integrados a mesma, porém há projetos futuros para que hajam linhas ligando essas cidades a terminais do SEI, sendo Goiana ligado a Igarassu e Serinhaém e Escada ligadas ao terminal do Cabo de Santo Agostinho.

  9. Parabens a materia foi bem redigida bem elaborada e reflete um pouco da realidade do transporte publico da Região Metropolitana do Recife a unica coisa que eu poderia surgerir e que apesar da frota ser bem numerosa não da pra suplir a demanda

  10. e olhe q aqui,o sistema Grande Recife vem sendo duramente criticado!e com razão.esse ano q esta se encerrando,os caras abusaram do direito de errar!tenho reparado por fotos q o sistema de onibus de João Pessoa é"cópia Carioca"de padronização.onibus Viale Mercedes-Benz!não tem uma variação.agora,um mesmo grupo comandando o transporte pessoense é dose!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ATENÇÃO: Este conteúdo é protegido.