Ônibus Paraibanos

Relatos de viagem: Coice maldito

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: JC Barboza
Fotos: Márcio Miguel/ Antônio Augusto dos Santos

Sou
carioca, mas minha família inteira são de paraibanos, inclusive minha esposa e
faço o trecho Rio de Janeiro X João Pessoa X Rio de Janeiro desde 1981. São 16
viagens ao longo desses 31 anos, a mais recente no início do mês de outubro
último e sempre nessas viagens, tanto de avião como de ônibus, em sua grande
maioria de ônibus, sempre tive algumas experiências interessantes e á partir de
hoje vou compartilhar algumas com os leitores do nosso portal Ônibus
Paraibanos. Prefiro ir de ônibus, mas como minhas últimas idas a
Paraíba são rápidas, tenho ido mais de avião do que de ônibus. Quando tenho um
tempo maior, vou de ônibus, como em janeiro deste ano, porém voltei de avião. O fato de hoje,
aconteceu em Março de 1991, quando voltava de João Pessoa pro Rio de Janeiro…

A
viagem já começou engraçada na saída do Rio de Janeiro, pois eram eu e mais dez
familiares meus embarcando num Nielson Diplomata da São Geraldo em direção á
João Pessoa, foi tanto troço que levamos, que o último porta-mala do Diplomata,
atrás do último eixo, foi reservado só para nossa família.

Na
volta, embarcamos na rodo de João Pessoa num Diplomata também da São Geraldo
8635, o da foto acima, (me perdoem a qualidade da foto, foi o único registro
achado dele na internet). Eu vinha sentado com uma tia minha na primeira
poltrona do lado direito, ao passar a cidade de Alhandra, ainda na PB, entrou
um dos famosos vendedores de lanches no ônibus, e enquanto ele vendia, o
motorista levava o ônibus devagar, até que apareceu um jumento no meio da BR
101 e ao mesmo tempo que o motorista tentava sinalizar para os demais
motoristas que o animal estava na pista, tentava o espantar para o canto da
rodovia, até que ele deu uma leve encostada no jumento que em retribuição, deu
um coice maldito no ônibus que selou, uma viagem que acabou com o sossego de
todos os passageiros.

Logo
depois do coice que o 8635 levou, já em Goiana, PE, um caminhão nos ultrapassou
em alta velocidade causando um vácuo que estourou nosso pára-brisa direito. Um
motorista da progresso que tinha pego carona e estava sentado nos degraus do
ônibus, se cortou todo e eu pela poltrona que vinha só não me cortei mais
devido a divisória que existe entre a porta e as poltronas, mesmo assim ainda
fiquei com alguns cacos de vidro no meu cabelo, cacos que guardo até hoje de
recordação do fato. 
Depois
disso, seguimos viagem até a garagem da empresa em Recife para trocarmos de
carro. Aí embarcamos em outro Diplomata, dessa vez o 8637, confiantes que os
problemas tinham acabado por ali…
O 8637 era semlhante a esse


no 8637, a viagem seguia tranquila, até chegar na buraqueira que era a BR 101
em Alagoas, até qua começou um barulho estranho e o ônibus parou. Segundo o
motorista, era um problema na correia, e em todas os pontos de apoios em que o ônibus parava,
ficávamos por muito tempo esperando enquanto ele estava na oficina. Até que
chegamos nos arrastando em Governador Valadares, MG e de lá não conseguiu sair
mais.

Então
fomos transferidos para um terceiro carro que era mais um Diplomata, mas dessa
vez com chassi Scania K112 TL, carro que na época não rodava na linhas da
Paraíba nem do Rio de Janeiro, tanto que na vista, foi colocado “Especial” pois não havia
nem João Pessoa e nem Rio de Janeiro. Esse trecho da viagem foi o mais calmo,
já que o ônibus foi era mais novo e não deu muita dor de cabeça.

E
finalmente, 50 horas depois, sendo 10 de atraso, chegamos a rodoviária Novo Rio
no Rio de Janeiro, cansados, com os pés inchados e certos de que na próxima vez
que virmos um jumento na estrada, é melhor espantar de outra forma do que
encostar nele com um ônibus ou qualquer outro meio de transporte.

Quem tiver alguma história curiosa de viagem e quer vê-la nessa coluna do nosso portal, envie-nos para [email protected] que teremos o maior prazer em postar.

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