Ônibus Paraibanos

Especial feriadão: Grandiosidade sobre rodas

Fonte: Revista AutoBus
Matéria/Texto: Antônio Ferro

Primeiro articulado da marca Volvo nos anos 60

Ele é considerado o maior ônibus
do mundo. Uma versão genuinamente brasileira que rendeu frutos por outros
paises, o bi articulado representa uma criação impar em beneficio ao transporte
urbano. Suas raízes podem ser encontradas em Curitiba, cidade que revelou
muitos dos modernos conceitos que atualmente exemplificam a eficácia quando o
assunto é BRT. Se em 1991 essa inovação ganhou vida sob a marca da Volvo, é
necessário irmos um pouco mais além para conhecer a idéia gênese do modelo. Leiam mais sobre os grandes ônibus aqui nessa matéria histórica!

Desde a década de 1960 a marca sueca produz
os seus chassis articulados para o mercado europeu. No Brasil ele chegou em
1978, duas unidades do chassi B58 importadas para testes na capital paranaense.
Porém, o chassi articulado com uma configuração própria ao mercado local, montado
em terras brasileiras, foi apresentado pela também sueca Scania um ano depois
em um congresso sobre transporte urbano de passageiros. A possibilidade de um
ônibus urbano transportar 150 passageiros, frente aos 80 de uma carroçaria
convencional, permitiu uma grande evolução no modo coletivo sobre pneus.
O interesse e o sucesso pelo modelo logo se
manifestaram. Com o acelerado processo de expansão as cidades brasileiras
careciam de um melhor sistema com uma rede integrada dotada de infra-estrutura
capaz de atender as crescentes demandas de passageiros e de veículos maiores,
com alta capacidade de transporte.

No ano de 1981 a Volvo inicia a produção
nacional do articulado B58 e o chassi B111 da Scania, já testado em várias
cidades brasileiras, mostrava sua eficiência operacional nas cidades com
sistemas de transporte urbano estruturados. E foi em Curitiba, cidade que
adotou os corredores exclusivos para ônibus como solução para a mobilidade no
transporte coletivo, que a inovação desse tipo de chassi teve presença em maior
volume. Tais corredores exclusivos ou canaletas, como conhecidas pelos
curitibanos, foram idealizados no começo dos anos de 1970 e ganharam o mundo
com suas operações rápidas e seguras. Mas a partir dos anos 80 a cidade viu seu
número de passageiros aumentar e a necessidade de mais ônibus exigiu empenho da
municipalidade.

O criador do projeto biarticulado Juarez
Fioravanti, ex-engenheiro da Volvo que trabalhou na montadora desde 1983 até o
inicio deste ano e um interessado pelo negócio ônibus, conta que a idéia para
solucionar a problemática do crescente volume de passageiros seria a criação de
um veículo maior que os modelos articulados. “Não havia nada no mundo naquela
época (1991) similar em se tratando de ônibus urbanos e o chassi articulado Volvo B58
nos serviu de plataforma para o pioneiro protótipo do biarticulado”, revelou.
E o primeiro chassi bi articulado, após arranjos em toda parte mecânica,
cumpriu seu testes operacionais, ainda secretos, pelas madrugadas curitibanas
rodando nas canaletas. O sigilo do laboratório de campo só foi quebrado quando
a policia, a URBS e a imprensa flagram o experimento, logo contornado para
manter a idéia longe dos holofotes.



Mas um chassi
projetado apenas para uma articulação, com potência e torque desenvolvidos
adequadamente para essa operação, seria capaz de tracionar uma versão maior?
“Felizmente não foi preciso mexer na unidade motor, que já estava super
dimensionada para o articulado da época e eu consegui uma boa distribuição de
peso sobre o eixo de tração, que no articulado dava margem a uma certa patinagem
quando exigido maior esforço do sistema”, respondeu Fioravanti.

Após aprovados
todos os ajustes, o protótipo recebeu uma carroçaria produzida pela Marcopolo.
Segundo Fioravanti, um batalhão composto por 254 soldados do exército e demais
autoridades, foram transportados para comprovar, nesse inusitado teste
operacional, a eficácia do modelo em deslocar um alto número de passageiros. 
Com um resultado positivo, o chassi seguiu para a matriz da Volvo para a
homologação e o interesse pelo bi articulado ficou visivelmente demonstrado
pelo então prefeito de Curitiba Jaime Lerner. “Houve um interesse todo especial
por parte do prefeito Jaime Lerner neste modal, pois vinha a resolver as
necessidades de transporte de massa, com conforto e segurança, do sistema de
Curitiba, o primeiro BRT do mundo”, destacou o engenheiro. Com isso o processo
de produção foi iniciado e as primeiras 33 unidades do chassi foram
comercializadas com carroçarias de 25m de comprimento das marcas Ciferal (GLS
Bus) e Marcopolo (Torino) pintadas na cor cinza. 
O B58 era dotado com motor de
286 HP e câmbio automático. O metrô de superfície, como ficou conhecido
inicialmente o modelo, ofereceu como vantagens a maior capacidade no transporte
de passageiros, um custo menor de sua operação e implantação, a sua
flexibilização, o seu poder de tirar um grande número de automóveis das ruas e
os baixos índices de poluição emitidos.
O gigante das ruas ganharia, tempos depois,
novas configurações e outros modelos de carroçarias. Em 1995 a Marcopolo desenvolveu
uma exclusiva e sob medida carroçaria para Curitiba, denominada Torino GV-LS
(Long Size) com um design diferenciado em sua área frontal; altura interna de
2,20 metros, 30 cm a mais que os primeiros modelos; e a adoção de um teto
inteiriço feito em fibra de vidro, que eliminou a necessidade de rebites e
reduziu o peso do veículo. Ao lado o Torino GV-LS de Curitiba.

A pintura externa deixou de ser cinza e recebeu um
vermelho vivo, como nos primeiros modelos Veneza. Do B58 para o modelo B10M a
partir de 1994 e em 2004 com o B12M, com maior comprimento – 27m. foram muitas
as modificações ao longo dos últimos anos, a começar pela introdução de novos
motores, com maior performance (hoje ele possui o bloco DH12D de 340 CV) e
menos poluentes e o uso da tecnologia embarcada como fórmula de sucesso
operacional, possibilitando o diagnóstico eletrônico das funções vitais do
veículo. A capacidade de transporte também aumentou para quase 300 passageiros.
Outra novidade da Volvo em ônibus maiores foi apresentar ao mercado nacional em
2009 a sua versão bi articulada do chassi B9Salf com 100% de piso baixo em sua
extensão, tornando-se um veículo com acessibilidade total no transporte urbano.

E a otimização operacional dos biarticulados é o grande trunfo para ampliar o atendimento ao passageiro em um sistema
organizado composto por vias exclusivas para ônibus. Prova disso é que o
consagrado sistema de BRT de Bogotá, na Colômbia, terá as suas primeiras 10 unidades biarticuladas já neste ano para operarem
com outros tantos chassis articulados. Para melhorar ainda mais o rendimento
desse tipo de ônibus em cidades onde há corredores, mas com grande número de
cruzamentos e semáforos, Juarez Fioravanti aposta na adoção de tecnologias que
privilegiem o fluxo dos veículos em seus deslocamentos.

“Com o acionamento dos
semáforos via um sistema inteligente externo ou instalado no próprio biarticulado e que venha a garantir um tempo seguro de abertura em relação ao
tempo de abertura no sentido cruzado, será uma excelente opção para se promover
eficácia do transporte”, mostrou.

Benefícios e vantagens encontradas na
operação com ônibus de alta capacidade de passageiros –
 O sistema integrado, aquele em que há
corredores exclusivos para ônibus ligando geralmente extremos de uma cidade,
com pontos de paradas a cada 500 ou 600 metros e terminais dotados de
infra-estrutura necessária para a comodidade dos usuários, pode custar de 10% a
15% do total exigido para se investir no modal metro/ferroviário. Seu tempo de
implantação é outra vantagem, cerca de um terço se comparado a outros sistemas.

Ônibus articulados (até 180 passageiros) ou biarticulados (270 passageiros)
rodando por canaletas exclusivas podem alcançar uma velocidade média de 22
km/h, podendo atingir níveis maiores, dependendo do projeto escolhido. Além
disso, o uso de ônibus maiores apresenta economia no consumo de combustível.

– Estações de embarque ao nível do piso (tipo tubo) facilitam a entrada e saída
de passageiros e aumenta a velocidade média do sistema;
– Redução do tempo de viagens, segurança, cidade atrativa e moderna e melhoria na
qualidade de vida e ambiental;
– Sistemas dessa natureza são beneficiados com financiamentos privilegiados do
BNDES para a implantação de infra-estrutura.

Mega BRT

Ônibus grande é pouco
para o Mega BRT (Bus Rapid Transit), o maior veículo articulado do gênero do mundo. Com 28 metros de
comprimento; 2,6 metros de largura externa e 2,2 metros de largura interna, a
novidade possui lugar para cerca de 250 passageiros, aumentando em 45% os
lugares disponíveis para quem precisa usar o transporte público coletivo.

 

Além do tamanho, o Mega BRT carroceria Neobus, que se assemelha a um
trem-bala. A aerodinâmica foi feita para ser mais um ponto positivo do veículo,
eficiente para algo tão robusto quanto ele.
Viale BRT

O novo Viale BRT segundo a Marcopolo é
o ônibus mais avançado produzido no Brasil. Com acessórios e
equipamentos como modernos sistemas de comunicação, iluminação com LEDs e
dispositivo de acendimento dos faróis (Daytime Running Light).
Observe
algumas mudanças: 
-altura interna maior, permitindo a
inclusão de dutos de ar mais eficientes e alto-falantes;


-lanternas e sinalizadores de direção com LEDs para ampliar a visibilidade e a
segurança;


-itens
de série, como: GPS, televisão
digital, internet sem fio (wireless), câmeras de segurança, computador de
bordo, além de sistemas de indicação de parada, sonoras ou por imagem, e
gerenciamento de frota;


-câmbio automático e sistema de segurança para que o
ônibus não se movimente com as portas abertas;


-sistema
de bloqueio, impede que o condutor movimente o veículo sem atar o cinto
de segurança;


-câmeras de ré e de portas, contador de passageiros e vigilância por
vídeo, com gravação em disco rígido;


-sistema de aviso via internet, de problemas no sistema elétrico da carroceria;
E muito mais equipamentos de segurança e comodidade.
Interessante para quem faz viagens frequentes de ônibus, buscando um conforto a
mais.

 

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