Ônibus Paraibanos

Os tipos de pessoas que pegam ônibus

Fonte: O Povo
Matéria/Texto: JC Barboza/O Povo
Foto: JC Barboza

Para aqueles que viajam dia a dia de ônibus, vemos sempre aquelas figuraças embarcando de desembarcando dos ônibus em que viajamos. Uns nos fazem rir, outros nos fazem chorar, muitos nos fazem raiva como os conhecido dj’s do busão com o seu som alto sem fone de ouvido nos incomodando. E quem nunca fingiu que estava dormindo ou disfarçou pra não ter que ceder lugar para um idoso, gestante ou deficiente? Bem são esses “tipos” que vamos conhecer hoje nessa matéria!!!

Buchudas:

 
Suportar um peso danado na barriga já não é demais para uma
grávida?
Então, pra quê diabos elas gostam tanto de carregar bagagens e mais bagagens
nos ônibus, quando nem sequer possuem mais coordenação motora para subir os
degraus? No mais, Elas podem estar chegando do pré-natal, como voltando da
Delegacia das Mulheres.

Deficientes que pedem esmolas:

 
Malas, eles sempre pegam os ônibus que fazem o trajeto maior.
Existem aqueles que agradecem de coração, mesmo quando não recebem sequer um
centavo, e existem aqueles, em maior número, que amaldiçoam todo o coletivo,
com pragas de que o ônibus vai cair no primeiro canal poluído que encontrar e
tarará, tarará… Ora! Como se cada passageiro tivesse a obrigação de sustentar
esses salafrários.

Estudantes:

 
Esses são ossos estão divididos em uma sumária faixa etária.
Primeiro são os chamados “pivetes meliantes da vida loka”. Eles gostam de ficar
encangados em cima do trocador, batendo diversos papinhos enfadonhos e
repetindo, todo santo dia, as mesmas besteiras: “Que time é teu?” e “Em buraco
de peba, tatu caminha dentro?”. Fora isso, eles lascam a vaia em tudo que
testemunham e escutam, de uma vez só, de quatro a cinco funks abestalhados em
vários celulares ao mesmo tempo. Já os chamados “estudantes ultra boçais e
acavalados” chegam a ser piores ainda. Eles gostam de se acumular na porta do
meio (não sentam jamais), falam palavrão como se estivessem dentro de casa.
Gritam, bufam e jamais cansam de conversar sobre a mesma coisa: marcas de
carros, os dribles do Neymar, casas de forró e as dançarinas do Pânico. Além
disso, eles só vestem a farda na porta da escola (ela vai dobrada dentro do
caderno cuja capa pode ser a Walesca Popozuda ou a Shakira) e colecionam
toneladas de papel dentro da carteira.

Velhinhas:

 
As velhinhas vivem exaustas, coitadas. Elas passam meio século
bíblico para subir as escadas, bodejam pra caramba e penam demais durante toda
a viagem. Quatro velhinhas em uma condução correspondem a um atraso de 23,18
min.

Bêbados chatos:

 
Depois do batedor de carteira e do tarado ativo, ele é o sujeito
mais presepeiro que pega ônibus. Pra começar, ele nunca sabe que ônibus pegou e
nem pra onde vai…
Engarrafam a catraca, empestam o ambiente
com seu cheiro azedo e contam inúmeras histórias durante a viagem. Se o ônibus
for errado, sem estresse! Ele faz tudo do mesmo jeito e acaba pegando outro
coletivo lá na frente.

Turma do compra isso:

 
Eles tantos podem ser aqueles trombadinhas vendendo jujubas e
chicletes, com o mesmo argumento desde a peste negra na Europa: “meu pai tá
desempregado, minha mãe tá doente…”, como podem ser aquela simpática turminha
com a cara pintada vendendo cartões postais, desenhado por alguma turminha
qualquer.
Sinceramente, um negocinho pra ir mastigando durante a viagem até que não é uma
má ideia, agora a arte daqueles cartões, tenha dó. Ou é melhor nem comentar.

Cartunista:
 
È muito raro encontrar algum dentro de um ônibus, mas se você tiver essa sorte,
com certeza ele estará na última cadeira, lá de trás, emburrado com o enfado, a
quentura dessa cidade, a azia desgraçada e, principalmente, com todo povo citado
a cima.
Moleque
traquino:
Ele sempre sobe nos ônibus no maior dos estrupelos.
Eufórico, mete a tainha por baixo da catraca e se manda pelo corredor atrás da
cadeira com a janela mais escangalhada de todas. A partir daí, grita pela mãe,
que geralmente ainda está atolada na passagem e vai a viagem inteira fazendo
presepadas, que nem um soim nos pés de pau. Seja dando gritos agudos de doer o
juízo, seja chorando escandalosamente de doer o juízo mais ainda.

No final, ainda deixa aquele rastro de sebosidade no assento (cuspe,
saco de pipoca, resto de peta…), que a própria mãe, mais mal educada que o
filho, finge não existir.
Senhoras
enfezadas:
Se chove, elas reclamam. Se faz sol, elas reclamam
também. Dessa forma, é fácil identificar uma na fila do terminal ou até mesmo
nas lanchonetes que existem no recinto. Reclamando do suco, da qualidade do
salgado, da falta de palito, do guardanapo fuleiro, da cadeira pensa, de tudo
que for preciso… No ônibus, não querem ninguém tocando literalmente nos seus calos,
preferem todas as janelas abertas pra correr o máximo de vento e vão até em
casa falando mal do bairro inteiro (da própria filha que namora um “vagabundo”
ao cachorro da vizinha que late 24 horas por dia). Ah… E, se atendem o
celular, fazem questão absoluta que todos os passageiros escutem o que elas têm
pra dizer. Ou melhor, pra reclamar… 
Cocotas:
A cocota já sobe 100% desconfiada. Daí, encosta na
catraca e joga uma visão de 360 graus para o coletivo. Ela sabe o que lhe
espera. Praticamente o mesmo do que entrar banhada de molho de carne em um
cativeiro de jacarés. Porém, ao invés de meio mundo de répteis sanguinários
prontos pra lhe devorar vida, ela se vê cercada é por uma ruma de seres humanos
do sexo masculino, totalmente cheios de segundas intenções! Coitada. Do
estudante maloqueiro ao carteiro de greve. Além do tradicional
empresário-cabeça de porco, né? Aquele mesmo que está com o carro na oficina e
por isso é obrigado a pegar “a traste condução do povão”. 

E lá está a cocota na porta do meio. Toda encolhida e cabreira, olhando
de vez em quando seu celular pra matar o tempo e rezando minuto a minuto pra
chegar logo em casa. Isso porque ela ficou com dor de cabeça de tanto estudar o
dia inteiro e, pra variar, só comeu uma coxinha com Toddynho no almoço.

Piriguetes
de motor:
Ao contrário das cocotas,essa espécie daria tudo de
si para ser devorada pela sedenta prole de tarados ativos que toda condução
carrega. Pra começar, seu lugar favorito não é a porta do meio ou nenhum
assento do ônibus, e sim o famigerado motor que fica do lado do motorista. É
ali que ela senta e joga fora milhões de histórias cabulosas. De fazer vergonha
à própria cocota, à senhora enfezada e àquela eufórica evangélica que grita
gasguitamente o livro do Apocalipse de cor e salteado. E o mais hilário de
tudo. Chega a hora de cada passageiro descer, mas nunca ninguém vê a famigerada
piriguete fazer o mesmo. Será que ela mora dentro do veículo???

Pirangueiros:
 
Com certeza, ele é o tipo de passageiro mais odiado atualmente. Cinco ou
seis pirangueiros subindo num ônibus nos dias de hoje não é mais sinal de
tensão e terror. Ninguém esconde mais a carteira, nem o relógio, nem a
pulseira… Mas tampa desesperadamente os ouvidos. Essa é a verdade!
Segundo estatísticas do Instituto “A cara da favela”, que idealizou a
pesquisa chamada “Sons Canelais de Busão”, nos últimos 12 meses, as músicas
“Artigo 157” e “Negro Drama”, dos Racionais MC’s, além de Marcelo D2, Fiuk e os
hinos de torcidas, encabeçaram a lista das mais tocadas por celulares dentro
dos ônibus em diferentes linhas.
O que é pior. Vendo aquela arrumação, uma alma mais conturbada ainda
(pode ser a piriguete de motor) vai e solta o seu forró ao vivo, que parece ter
sido gravado dentro de uma piscina seca e daí o choque cultural atinge todo o
veículo. O trocador bufa, pois não pode mais ouvir sossegado seu Amado Batista
na rádio Liderança, enquanto que a pressão do motorista bate no teto. O
resultado são probabilidades de acidentes, além de vários riscos de homicídios.
Oura! Mas tudo isso são apenas ingredientes que fazem desse transporte
público uma grande aventura!
P.S. – O reggae não se encontra nessa inflamada pesquisa porque, enfim,
20 ou 30 músicas de reggae tocando uma atrás da outra é como se fosse,
espantosamente, a mesma coisa.

1 comentário em “Os tipos de pessoas que pegam ônibus”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ATENÇÃO: Este conteúdo é protegido.