Ônibus Paraibanos

Série histórica 517 – Castelo Branco

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Kristofer Oliveira
Colaboração: Josivandro Avelar/ Marcos Filho

Uma das linhas mais antigas da cidade em operação e uma das principais
referências no passado para quem pegava o ônibus na Lagoa/Rodoviária e tinha
por destino a Avenida Epitácio Pessoa. Uma das primeiras que operou para a UFPB
e a operar no sistema opcional. Também, uma das principais portas de entradas
na frota da Transnacional durante muito tempo…essa é a 517! Vamos conhecer essa linha não só na sua atualidade mas como toda a sua história ao longo do tempo e nas várias empresas em que ela passou!!!

A origem e atualidade do bairro
Antigamente, o atual localização do Castelo Branco eram um distrito de
Tambaú, bairro urbanizado mais próximo, considerando que a Torre,
Expedicionários e Miramar não existiam. Servia como propriedade rural e
balneário de férias, quando o Rio Jaguaribe não era poluído, além de ser
cercado por uma vasta Mata Atlântica. Aos poucos, com a urbanização e valorização
imobiliária da Epitácio Pessoa, o bairro foi nascendo e aos poucos perdendo a
identidade de área rural, se consolidando de vez como bairro nos anos 60 com a
construção do Campus da UFPB. Pelo fato do seu desenvolvimento ter acontecido
dentro do cenário nacional ditatorial, o bairro recebeu o nome do ex Presidente
Castelo Branco, o primeiro do regime governamental da época, que falecera em
1967. 
Atualmente o bairro é um dos principais da cidade por abrigar a UFPB,
além de sua posição geográfica estratégica, que serve como passagem obrigatória
para quem está no perímetro e segue para BR-230, Avenida Epitácio Pessoa,
Avenida Pedro II e Sérgio Guerra no Bancários. Abriga pessoas de diferentes
classes sociais, uma vez que possui área mais nobre e outra mais modesta, além
de diversos estudantes universitários que alugam casas ou que residem em outros
tipos de moradias. É bem servido de ônibus por ser corredor de uma infinidade
de linhas que operam em diversos bairros da capital. Até pouco tempo atrás uma
dessas linhas era a interurbana 5305 – Jacumã via PB-008, que atualmente opera
até o terminal das 301/5600/5206 e 2514 em Mangabeira.
O começo da linha e tempos da Roger

Certamente, a linha surgiu nos anos 60 com a origem do bairro, talvez
operada pela Viação Dutra, ou, com ônibus particulares, o que era comum na
época. O registro concreto que existe é do início dos anos 70, quando era
operada pela Roger, a mesma que operou até 2003 em Cabedelo e que atualmente se
dedica ao turismo e fretamento, denominado de Rogetur.
Em 1976, com a implantação do sistema opcional em João Pessoa, a linha
foi uma das contempladas, tendo certamente a sua clientela formado por quem
estava inserido no recinto universitário: funcionários, professores e alunos. 
A linha ficou na Roger até perto do fim dos anos 70.
Breve tempo na RB Transportes

O tempo que a RB existiu é o mesmo que a linha Castelo Branco durou com
ela. Em 1980 houve uma grande renovação na frota da empresa com a aquisição do
modelo Marcopolo San Remo, tendo algumas unidades destinadas para a linha.
Possivelmente ocasionada pela oscilação econômica e inflação da época, a
RB no início dos anos 80 encerra suas atividades.
Época da Nossa Senhora das Neves
Com o surgimento da Nossa Senhora das Neves, a linha mais uma vez muda
de empresa. Em 1986 ganha o prefixo 517, que é usada até hoje. A sua frota foi
quase exclusiva de O-364, com prefixos 0749 ao 0756.
A Nossa Senhora das Neves foi negociada com o grupo A Cândido em 1987,
sendo criada a filial da campinense Transnacional, utilizando-se da sua
estrutura física e aproveitando praticamente toda frota, dentre eles os
lendários San Remo II.
Tempos de ouro na Transnacional

Foi na Transnacional que sem dúvidas a 517 viveu seus melhores momentos.
Com a nova empresa que acabara de se estabelecer, a linha se tornou uma das
principais, tanto que no fim dos anos 80 e início dos 90 a sua frota era
composta por oito carros, superando  linhas como as 507 e 510, suas
“concorrentes” pelo corredor 5. 

Por ser uma das linhas com seu itinerário 100% asfaltado, foi uma
tradicional estreante de carros na frota. O mais marcante, seu dúvidas, foram
os Torino 1989 Volvo B-58E, que vieram em 1992 e permaneceram até 1998, com
prefixos 07121 até 07124, que tinham outro diferencial: três portas. Também
existiu o 07138, porém, tinha apenas duas portas. Esses veículos foram
adquiridos com essa configuração, além dos MB OF-1318 com prefixos 0755, 07101,
07130, 07131 e 07132, em cumprimento a uma lei municipal do mesmo ano que tinha
por objetivo facilitar o acesso de pessoas com dificuldades de locomoção aos
ônibus, e como não existia plataforma elevatória na época, era necessário a
porta no meio. Era estipulado que pelo menos 5% da frota tivesse essa
facilitação. A Transurb também chegou a adquirir ônibus com três portas, com o
Torino 1989 e Vitória, com chassi L-113.
Em 1998 a 517 passou por uma grande renovação na frota, sendo mais uma
vez porta de entrada de um novo chassi na Transnacional: o OF-1721, que vieram
nos GV’s altos e baixos, além do Padron Cidade I. Um dos que integraram a frota
da 517 foram os GV’s baixos com prefixos 0701, 0711, 07123, 07124 e 07177.
Curiosamente, eram os únicos que vieram com bancada acolchoada sintética.
Também, o destino era na cor verde-limão, e eram adaptados com rodobar e som
ambiente. 
Após três anos, a 517 é uma das linhas que estreia um novo modelo na
empresa: O Viale. A frota da linha passa mais uma vez por uma renovação,
recebendo os Viale 0701, 07123, 07124 e 07177. No ano seguinte vieram os 0784,
0791 e 07102.

No ano de 2007, a linha sofre uma granda redução na sua frota, contando
apenas com cinco carros, permanecendo até hoje com essa quantidade.

Curiosamente em 2008, estreou alguns Viale com vista eletrônica lateral
que vieram em março, a exemplo dos 0775, 0778, 07179 e o 07181, sendo esse
último adaptado para cadeirantes e com o embarque pela dianteira. Todos saíram
após a entrega oficial em abril do mesmo ano. 
O primeiro Torino 2007 fixo dela só veio no segundo lote, com o 07122.
Esse foi um dos poucos modelos que ela não foi uma das estreantes.
Atualmente a sua frota é composta pelos: 0723, 0751, 07110, 07116 e
07122. Se antes era uma principal linha do corredor 5, hoje tem a função de
servir de ser uma alternativa nos horários de pico, uma vez que desafoga as
linhas de grande demanda que passam pela UFPB.
Curiosidades
Ela não circula nos domingos e feriados, exceto quando coincide com o
vestibular da UFPB ou algum grande concurso público;
No sábado só circula até as 16 hrs;
Segundo relato de uma das tias do Peter Shelton, em 1974 no sábado a
linha só funcionava até as 13 hrs, sendo esta apenas a única opção de
transporte a Epitácio Pessoa;
Apenas circula nas principais vias do bairro, cabendo a linha 304 a
missão de transitar por dentro do bairro;
As suas duas primeiras viagens do dia tem como ponto de partida a Praça
da Paz, no Bancários.

 

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