Ônibus Paraibanos

Desgaste no trânsito aumenta número de afastamentos do trabalho

Fonte: Jornal Nacional
Foto: Paulo Rafael Viana

O desgaste diário no trânsito congestionado das maiores cidades brasileiras tem aumentado o número de motoristas de ônibus que se afastam do trabalho por estresse. Uma rua estreita e um impasse.
“Eu estou na minha preferência aqui”, grita um taxista.
“Ele vinha descendo e acelerou para obstruir a passagem. Como que dá ré em um ônibus grande desse daí com as ruas estreitas que têm atrás?”, questiona um motorista de ônibus.
“Eu preciso trabalhar.Tempo é dinheiro”, grita uma mulher enquanto buzina.
É só mudar de bairro para constatar que está faltando paciência para todo lado. Na hora do rush então…
“Uma guerra no trânsito. Ninguém respeita ninguém”, resume um motorista.

Pressão do tempo, cobrança das empresas e dos passageiros são fatores que estão levando um número cada vez maior de profissionais do volante a situações extremas de estresse. Por causa dele surgem problemas de saúde e muitos casos de afastamento do trabalho.
Em Belo Horizonte, 1350 motoristas e cobradores sindicalizados, quase 10% do total, estão de licença médica por problemas emocionais e de saúde, segundo o Sindicato dos Trabalhadores. Dos afastados, mais da metade por estresse. Os números refletem a exposição a riscos como assaltos e agressões.
Rodrigo Coelho abandonou o ônibus lotado no meio da rua, na Zona Sul da capital mineira, minutos depois de ser fechado por um carro.
“Ele foi e fez gesto obsceno para mim. Aí foi a hora que eu estourei, ultrapassei ele e atravessei o ônibus na frente dele, deixei o ônibus atravessado. Desliguei, joguei a chave no capô e fui embora”, conta o condutor.
Hoje ele está de licença médica. Segundo a psicóloga Sest/Senat Patrícia Teixeira da Cunha, a volta ao batente, geralmente, é sofrida.
“O fator estressante não vai sair do ambiente. Se ele não aprender a lidar com isso inicialmente, nós vamos ter o caso de doenças, síndrome do pânico, depressão”, analisa.
“Tem que gostar do serviço, não é? Se não gostar, aí perde a paciência, estressa, mas dá para levar legal”, diz o motorista Welington Silva.
A  Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (ANTU) declarou que estuda, com os associados, formas de reduzir o problema.
 
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