Ônibus Paraibanos

Problemas e soluções para o transporte público em Santa Rita

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria / Texto: Peter Shelton
Fotos: Thiago Martins de Souza, Marcos Filho

Santa Rita é a terceira maior cidade do estado, com 120 mil habitantes e integra a região metropolitana de João Pessoa e sofre com sérios problemas com a mobilidade urbana e com a qualidade do transporte público.  A falta de infra-estrutura nas malhas viárias do munícipio, a decadência do transporte público e o crescimento do transporte alternativo demonstram o descaso de anos do poder público. Atualmente a mobilidade urbana se tornou um das principais preocupações da população nas grandes, médias e pequenas cidades. Mas o que fazer diante de tudo isso? O que pode ser feito?

Atualmente existem dois tipos de transporte público intermunicipais na cidade, ligando à João Pessoa: o trem urbano com a tarifa social de R$ 0,50. Mesmo sendo um transporte de massa ágil, o sistema de trens da CBTU sofre várias dificuldades: os trens só circulam de segunda à sexta das 04h30 às 19h e aos sábados até 13h, as locomotivas são antigas e quebram constantemente, além do mais, só beneficia que mora no Centro e adjacências. Atualmente o trem urbano está no planejamento do PAC da Mobilidade Urbana, no qual serão substituídos pelos modernos VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

O outro modo de transporte público intermuncipal são as linhas de ônibus operados desde 1975 pela Rodoviária Santa Rita e cobrem os bairros urbanos do município como: Tibiri, Heitel Santiago, Centro, Várzea Nova e o Bairro Popular, e o cidade litorânea de Lucena. O serviço regular é operado diariamentre entre 04h45 e 00h, além de uma linha “bacurau” que circula durante a madrugada. A Rodoviária Santa Rita ainda opera para a cidade litorânea de Lucena, disponibilizando microônibus em alguns escassos horários ligando a cidade até João Pessoa e Santa Rita.

Forte Velho é uma região turística que não possui uma via de acesso asfaltada e tem dificuldade com o transporte público

Nos últimos anos, a empresa de ônibus vem prestando um serviço considerado insatisfatório, que é alvo de reclamações:  atrasos constantes, que ultrapassam facilmente os 45 minutos, a circulação de microônibus em horários de pico, que chegam a levar o dobro da capacidade de passageiros e uma passagem de valor salgado: R$ 2,60 (bem acima da cidade de Cabedelo, que é mais distante do centro pessoense).

Embora tendo realizado algumas aquisições de veículos semi-novos, a frota da Santa Rita está sucateada, que sofreu com uma manutenção precária. Alguns veículos possuem 12 anos de uso. Os microônibus eram do antigo sistema opcional da empresa e foram absorvidos na frota convencional de forma errônea, são abafados e instáveis. Eles circulam em alguns momentos em horários de pico, enquanto veículos convencionais de maior porte, circulam em horários de baixa demanda, aumentando a insatisfação, embora a empresa procure resolver alguns problemas pontuais.
A empresa de ônibus, a Santa Rita tenta de recuperar da decadência sofrida a partir de meados dos anos 2000. As crises financeiras e administrativas refletiram na qualidade so serviço, que chegou a ser um dos melhores da Grande João Pessoa e que chegou a contar com veículos climatizados. Com a gradativa decadência so serviço, deu espaço para o crescimento do chamado transporte “alternativo”, que já existia desde o final dos anos 80, mas que na crise da empresa de ônibus (que quase foi à falência), viu a proliferação de carros particulares que serviram para o transporte de passageiros. Sendo assim, os “alternativos” praticamente só circulam em horário comercial, reduzindo quase completamente seu fluxo após 17 horas.  Mesmo com a concorrência desse tipo de transporte, as linhas de ônibus são de alta demanda.

Para a ligação entre as localidades do município, existem as linhas internas, que atende os bairros urbanos e os distritos rurais.

As linhas internas para alguns bairros urbanos mais distantes do centro, como Heitel, Marcos Moura e Várzea Nova, são operadas pela Viação Sonho Dourado, que sofre com uma forte concorrência dos alternativos e não possui o cativo público da bilhetagem eletrônica, mas que procura oferecer um serviço de qualidade, com uma frota de idade razóavel e em melhor estado que a vizinha cidade de Bayeux. Outra empresa que opera linhas internas é a PB Rio, que opera três linhas (Tibiri via Fórum, Forte Velho e Livramento). Além dessas duas, existem a Meirelles (Lerolândia/Usina Santana) e a Empresa Valter (Usina São João), nos demais distritos operam ônibus particulares com a mais variada frota.

As linhas internas operadas pela Santa Rita (Tibiri via Planalto, Bairro Popular e Açude) foram descontinuadas, já que os dois últimos bairros são próximos ao centro (1,5 a 2 km) e Tibiri é atendida por outras linhas internas. Apenas a linha Bairro Popular foi reativada, operada pela pequena empresa “Transporte Popular”, que opera a linha precariamente a R$ 0,50. Vale salientar que apenas os bairros urbanos do município possuem acesso à lnhas intermunicipais, a única exceção é o distrito de Lerolândia, que tem direito à linha Lucena via Santa Rita (ao custo de R$ 7,00).

Conforme matéria publicada no Jornal da Paraíba, os moradores da zona rural são castigados pela falta de transporte público, que só circulam entre 5h e 17h, com intervalos de 2 a 3 horas, com frota formados por veículos antigos, com mais de 20 anos de uso. Quando um ônibus quebra, não existe qualquer tipo de reserva, os passageiros tem de esperar até chegar o conserto.
A situação da malha viária
Em melhor situação que a malha da vizinha cidade de Bayeux, Santa Rita possui ruas em melhor estado de tráfego, inclusive alguns binários, como a da Juarez Távora/”Rua do Rio” e em várias ruas centrais do muncípio como a Rua São João, dando melhor fluidez ao trânsito. Bairros como Tibiri II e até Marcos Moura possuem ruas bem demarcadas e largas. Santa Rita ainda possui vários acessos à BR 230 em excelente estado. Mas a malha viária fora da zona urbana é extremamente precária, alguns distritos rurais como Bebelândia, Livramento, Ribeira e Forte Velho possuem uma única via, que só tem pavimento até Bebelândia, o restante da via é de terra e partir de Livramento é muito esburacada e até com poças de água pelo caminho. Mesmo Forte Velho sendo um destino turístico de enorme potencial turístico, não dispõe de uma via asfaltada de acesso.
Outros distritos do muncípio possuem situações semelhantes, com sorte, alguns distritos como Odilândia possuem acesso pavimentado. A única exceção na zona rural é o distrito Lerolândia, que possui um bom acesso asfaltado, já que este acesso é o mesmo do município de Lucena à BR-101. Mas existem descasos, a BR-101 vem sendo duplicada e quando for concluída, os acessos de Santa Rita à BR-101 serão todos fechados (inclusive o mais importante, o acesso do Castanheiro, que é utilizado pelas linhas ônibus da zona rural e para Lucena). Ou seja, pra se ter acesso à BR-101 será necessário um retorno já dentro do munícipio de Bayeux.

Possíveis soluções para o transporte público:

Como a mobilidade urbana vem se tornando uma preocupação e uma necessidade para a população do município. Como a população urbana possui um serviço insatisfatório e a população rural sequer possui acesso às linhas intermunicipais. O que poderia ser feito:

O sistema aqui proposto é o BRS (Bus Rapid Transport), que prioza o tráfego dos ônibus e visa a reorganização e melhor atendimento da demanda e seria feito da seguinte maneira:

A linha Lucena via Santa Rita é considerada um peso morto, com uma demanda muito baixa, ela só é lucrativa para a empresa durante o carnaval. A linha possui um enorme trajeto e uma passagem com um valor salgado (R$ 7,00). Mas existe alguma demanda de Lucena pra Santa Rita (tanto que existem alternativos apenas entre Santa Rita e Lucena). 
Uma solução interessante seria essa linha ir do centro de Lucena só até o terminal de ônibus do centro de Santa Rita, quem precisasse ir pra capital, teria plena integração com a linha Santa Rita. Com a diminuição do trajeto e dos custos, seria possível uma maior regularidade da linha com um maior número de viagens.Para aumentar a demanda nos fins de semana, promoções e divulgação publicitária da linha (já que Lucena possui praias, poderia ser um atrativo para a população santarritense).
O munícipio de Cruz do Espírito Santo não possui nenhuma ligação de linhas de ônibus direto para a capital, dependendo exclusivamente de linhas rodoviárias. Outra interessante solução seria a criação da linha Cruz do Espírito Santo x Santa Rita, com integração plena com a linha Santa Rita x João Pessoa e mesmo com a linha Lucena (no caso o usuário pagaria apenas o complemento da passagem, se Lucena fosse R$ 4,50, o usuario pagaria R$ 1,90 a mais). No caso as linhas de Lucena e de Cruz do Espírito Santo passariam a funcionar como inter-municipais alimentadoras (ou integracionais) e que com o tempo, poderiam ter os horários ampliados.
As várias linhas internas de Santa Rita (Forte Velho, Livramento, Marcos Moura, Heitel…) poderiam servir de intergracionais (ou alimentadoras) para as linhas intermunicipais do município. Exemplo: saindo de Livramento, o ônibus iria até o terminal central, de lá haveria integração parcial com a linha Santa Rita x João Pessoa.
Para um pleno funcionamento do sistema BRS teria de ser criado um terminal de integração no centro do municipio, que funcionaria da seguinte forma:
1 – Realizando a integração plena entre os bairros e distritos rurais (como o Terminal do Varadouro)
2 – Integração parcial das linhas alimentadoras internas com as linhas intermunicipais  para João Pessoa, Cruz do Espírito Santo e Lucena. Como exemplo: saindo de Forte Velho, se pagaria 1,30 pela linha interna e mais 1,30 para a utilização da linha Santa Rita x João Pessoa.
Para não sobrecarregar o terminal central do município, poderia ser criado um outro terminal integrado em Tibiri II, o que eliminaria a necessidade de algumas linhas irem necessariamente até o centro como Odilândia, Cicerolândia, Mumbaba, Marcos Moura e Heitel. Esses bairros citados, mais próximos de Tibiri iriam utilizar esse terminal. E para ligar os dois terminais haveriam três linhas inter-terminais: Tibiri via Planalto, Tibiri via Fórum e Tibiri via Várzea Nova, que fariam a ligação entre esses dois terminais. Da mesma forma que o terminal central, haveria a integração plena entre os bairros e distritos e a integração parcial com as linhas intermunicipais.

Sendo assim haveria cinco tipos de linhas: as alimentadoras (que ligariam o bairro até o terminal de integração), inter-terminais (que interligariam os dois terminais de integração), as complementares (assim como na capital, essas linhas ligariam área de menor demanda ao terminal de linha mais próximo), as linhas circulares (com esquema semelhante à João Pessoa, circularia entre os bairros, sem passar pelo terminal de integração). Esses quatro tipos de linhas seriam operadas por veículos convencionais, “micrões” ou microônibus. Por fim, haveriam as linhas intermunicipais, que seriam operadas por veículos de dois eixos e articulados, que ligariam o município até as cidades próximas: Tibiri x João Pessoa, Várzea Nova/Boa Vista x João Pessoa, Santa Rita x João Pessoa, Santa Rita x Lucena, Santa Rita x Cruz do Espírito Santo, Santa Rita x Distrito ou Tibiri x Distrito. Para atender a demanda durante a madrugada, circularia linhas “bacurais”, sendo linhas inter-municipais, inter-terminais e linhas circulares.
Por último e não menos importante, a criação de faixas exclusivas para a circulação de ônibus, alargamento de ruas e avenidas e a revitalização da malha viária. A revitalização da estrada que sai por trás da Fábrica Cincera e vai até a BR-101, que se encontra abandonada, como acesso mais rápido à Forte Velho, Lerolândia e Lucena, com um retorno duplo, daria um acesso seguro e regular à BR-101 e a necessária estruturação das vias de acesso aos distritos rurais.
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