Ônibus Paraibanos

Conheça uma boa galeria de fotos e seu autor: Philippe Figueiredo

 Fonte: Portal Ônibus Paraibano
Matéria / Texto: Paulo Rafael Viana, JC Barboza
 Com colaboração de Philippe Figueiredo

Ciferal Tocantins MB LPO-1113 da Bela Vista

Mais uma vez aqui na Coluna: Perfil trazemos mais uma entrevista com um dos nossos amigos no hobbie aqui na Paraíba. Dessa vez trazemos a entrevista do Philippe Figueiredo: trabalhador do setor de vendas em Campina Grande, casado, 29 anos e apaixonado por ônibus desde os seus cinco anos de idade. Nessa matéria, ilustrada com fotos do Figueiredo, exclusiva aqui no Portal Ônibus Paraibanos apresentaremos mais sobre o grande amigo Philippe Figueiredo, além de seus históricos relatos sobre ônibus e transporte na Paraíba, não deixem de conferir 🙂


Nascido no município de Ibiara no sertão da Paraíba, mas passou toda a infância até a adolescência no município de Conceição, também Paraíba. “Costumo dizer que nasci em Ibiara mas fui adotado por Conceição, cidade que aprendi a amar”, disse o amigo Figueiredo.
Como e quando você começou a apreciar ônibus? Conte-nos como surgiu o interesse: “O amor por ônibus surgiu muito cedo, com cinco anos de idade, isso em 1987 na cidade de Ibiara. Eu morava na rua principal da cidade e quem mora em cidade pequena sabe que tudo acontece neste local. Em Ibiara na época não existia rodoviária e minha casa era vizinha de uma garagem que era a “rodoviária” da cidade. Neste tempo a empresa que rodava por lá era a Trans. Paraíba, com seus Viaggio, Marcopolo III  e seus novíssimos Nielson Diplomata, e ela foi responsável por esse amor. Foi uma paixão a primeira vista e doentia (risos) da qual nunca mais consegui me desligar. Os ônibus paravam em frente da minha casa e em uma dessas oportunidades um Diplomata teve o seu pneu furado e isso foi um acontecimento estrondoso nas proximidades da minha casa. Em 1990 realizei minha primeira viagem de ônibus e lembro como se fosse hoje, em um Viaggio da Trans. Paraíba carro 01.32, e a sensação que tive era de estar entrando em uma nave espacial, foi muito emocionante e a paixão aumentou ainda mais.”
Nosso amigo Figueiredo ainda contou mais de uma de suas histórias interessantes: “Em 1995 fui residir em Campina Grande com minha mãe e de quinze em quinze dias eu viajava para o sertão de ônibus para visitar meu pai e com isso andei em quase todos os carros da Trans. Paraíba e acompanhei a sua venda para a Guanabara no final de 95. Meus pais foram residir em Conceição em 1997 e passei a freqüentar a rodoviária de Conceição, ponto final da linha João Pessoa x Conceição e na época Cajazeiras x Conceição, e para mim isso foi um “extase” total. Vivia na rodoviária, fiz amizades com motoristas, alguns deles da velha guarda da Patoense, Andorinha e Trans. Paraíba, cobradores e com o Sr Antônio Paixão (vendedor de passagens desde o tempo da Viação Ipalma). Por essa paixão ao ônibus, fui taxado de louco e lunático e por longo tempo fui motivo de chacota na cidade, por deixar algumas vezes de namorar, ir a festas e ao invés disso viver na rodoviária onde ouvi muitas histórias nas quais repasso tudo que ouvi e aprendi a vocês.”
Marcopolo III O-364 Mercedes-Benz

– Qual modelo de ônibus antigo você mais aprecia?: “Para mim é o Marcopolo III, em minha opinião ele foi o “divisor de águas”, onde os modelos de carroceria deixaram aquele roupagem clássica dos anos 60 e 70.”

Perguntado sobre qual empresa de ônibus ele mais admira, foi impossível classificar apenas uma. Philippe Figueiredo nos citou cinco e ainda detalhou: “Empresa Viação Bonfim por sua tradição e pioneirismo, a extinta Empresa Patoense pela sua moderna frota na época, Trans. Paraíba pelos momentos que vivi em seus ônibus, a atual Expresso Guanabara pela sua grandiosidade e estrutura e a Real Bus por sua organização e pela frota moderna que possui.”
Um assunto que atualmente vem caindo em decadência é a forma que o hobbie por ônibus, apelidado de busologia, vem sendo tratato por muita gente de dentro do próprio hobbie. Além do termo “busologia” ter caído na infantilidade por causa de ações errôneas de moleques repetitivos, a falta de ética entre algumas pessoas e grupo também vem decepcionando. Porém, mesmo com toda essa bagunça, conseguimos ter uma busologia limpa e entre amigos, e Figueiredo não deixou de falar disso: Com o advento da internet e o seu crescimento nos últimos anos a busologia vem pegando carona nesse crescimento e assim amadurecendo a cada dia e deixando de ser algo estranho e nunca ouvido e visto. Percebe-se que o número de integrantes de sites e blogs relacionados ao assunto vem crescendo em todas as regiões do Brasil e principalmente entre os jovens que, diferentemente da minha geração, possuem atualmente meios eletrônicos ao alcance como máquinas fotográficas digitais e computadores. Outro ponto importante da busologia atual é a integração dos busólogos de todo o país através da internet que é de extrema importância. Um exemplo disso são os nossos amigos Marcos Filho e JC Barboza que comunicam-se com nós da Paraíba, mesmo morando em outros estados.”
0719 da Transnacional de Campina Grande

Histórias com muitas curiosidades vindas do Philippe Figueiredo é o que não falta. Os relatos históricos relacionados ao tranporte na Paraíba são vários, e ele nos contou dois: um fato engraçado e outo não engraçado porém aconteceu. Figueiredo nos conta: O primeiro fato curioso, ou melhor, engraçado, que passei em uma viagem de ônibus foi em 1999 quando vinha de Conceição a João Pessoa. Fui alvejado na cabeça com uma rajada de vômito de uma criança que vinha na poltrona de trás e para minha infelicidade eu estava com minha poltrona reclinada. Rapaz… só não chorei, mas fiquei puto da vida e tive que descer em Patos para lavar minha cabeça. Traumatizante!


Outro fato não muito engraçado foi em setembro de 1995 quando eu tinha 12 anos. Estava em um El Buss da Trans. Paraíba, carro 01.52, e nesse período uma onda de assaltos a ônibus assolavam a BR-230 entre Santa Luzia e Juazeirnho, que inclusive um desses assaltos resultou na morte de um cobrador da Trans Paraíba. Quando o ônibus fez uma parada em Santa Luzia, dois caras insistiram em querer subir no ônibus em que eu estava. O motorista não permitiu por pressentimento eu acho e em seguida esses dois caras subiram em outro ônibus. Nessa época era comum viajar em comboio de cinco ou seis carros e quando havia algo de errado, um ajudava o outro. Quando chegamos na linha do trem entre Junco do Seridó e Juazeirinho o motorista da frente começou a dar sinais com o pisca insistentemente para os outros carros e o nosso motorista falou: “Se preparem porque estão assaltando a Trans. Paraíba”. Nesse dia eu viajava com a minha mãe e a partir daí eu comecei a tremer descontroladamente, e o fato engraçado da história é que acabei urinando nas calças de medo. Esses caras não chegaram a entrar no nosso ônibus, pois quando chegamos em Juazeirinho no posto de combustível na saída da cidade para Soledade esses caras desceram e os motoristas sacaram seus revolveres e começaram a atirar para espantar estes dois infelizes. Foi a pior viagem que fiz, nunca esqueço desse episódio!”

O único registro do Senior com chassi Agrale da Real Bus em Campina Grande, atualmente roda como particular na Bahia
Philippe Figueiredo não tem tempo para se dedicar a fotografar ônibus, mas mantém uma galeria no site Ônibus Brasil intitulada “Cantinho do Figueirêdo”, onde ele posta de vez em quando fotos tiradas por ele mesmo além de registros históricos que ele tem guardado ou acaba encontrando. Sobre fotografar ônibus ele contou: Sempre quis fotografar com freqüência, mas o tempo quase sempre não permite realizar esta atividade prazerosa. Tenho algumas fotos no Ônibus Brasil na galeria que tenho chamada “Cantinho do Figuêiredo” e outras fotos estão no acervo do amigo Marcos Filho. Das imagens que fiz a mais  marcante foi de um Diplomata 350 todo canibalizado da extinta Expresso Guarabirense que fiz na garagem da Aroeirense em Campina Grande. Na época do registro da foto (2009) não existia nenhuma imagem da Guarabirense e foi a primeira imagem da empresa a circular na internet embora com o estado do ônibus deplorável. Mais imagens da empresa só passaram a existir através do amigo Jackson Muniz. Essa imagem me marcou muito por que devido a imponência e a importância que a Guarabirense tinha, era injusto ela terminar daquela forma.”
Marcopolo Viale M-Benz OF-1721 / N.S. Perpétuo Socorro

“O trabalho da equipe do Portal Ônibus Paraibanos (Paraíba Bus Team ®) é inquestionável! A qualidade, o carinho e o respeito com que tratam a busologia sem sombra de dúvidas é a marca do grupo. Alguns sites e blogs que felizmente é a minoria da minoria tratam a busologia, ao meu ponto de ver, com caráter interesseiro e de foma parcial e tendenciosa. Já a PBT age diferente, com amor ao que faz, seja um ônibus particular, uma pequena empresa ou uma grande empresa, fazem o mesmo trabalho da mesma forma com amor e respeito.”

Agradecemos ao grande amigo Philippe Figueiredo pela entrevista e informações importantes para o nosso hobbie. Aproveitamos essa matéria para divulgar a galeria do Figueiredo no Ônibus Brasil, basta seguir o link e acompanhar excelentes registros:

“Fiquei muito lisonjeado e sinceramente emocionado com a matéria. Queria desde já agradecer a equipe da Paraíba Bus Team ® / Portal Ônibus Paraibanos e a amizade sincera que construí ao longo dos anos com os amigos Marcos Filho, Kristofer Oliveira, JCBarboza, Paulo Rafael Viana e J. Muniz e tenham de mim sempre a mesma consideração de sempre e a amizade de todas as horas. Tudo do pouco que sei quero sempre compartilhar com vocês. Um grande fraternal abraço!”

Viale OF-1722 da Transnacional de Campina Grande com sua antiga numeração: 32xx, na foto o carro 3233 atual 0733
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