Ônibus Paraibanos

A atual situação do transporte em Santa Rita

Matéria / Texto: Peter Shelton Alves

A situação em Santa Rita é bem mais amena que em Bayeux, tanto em relação à malha viária quanto em relação à frota intermunicipal, mas mesmo assim não deixamos de ter problemas semelhantes ao município vizinho…O texto é longo, mas vale a pena ser lido com cautela…
Panorama da situação:
Malha viária: Em melhor situação que a malha de Bayeux, Santa Rita possui ruas em melhor estado de tráfego, inclusive alguns binários, como a da Juarez Távora/”Rua do Rio” e em várias ruais centrais do muncípio como a Rua São João, dando melhor fluidez ao trânsito. Bairros como Tibiri II e até Marcos Moura possuem ruas bem demarcadas e largas. Santa Rita ainda possui vários acessos à BR 230 em excelente estado…Mas a malha viária fora da zona urbana é extremamente precária, os distritos rurais de Bebelândia, Livramento, Ribeira e Forte Velho possuem uma única via, que só tem pavimento até Bebelândia, o restante da via é de terra e partir de Livramento é muito esburacada e até com poças de água pelo caminho. E olha que Forte Velho é um destino turístico de enomr potencial. Outros distritos do muncípio possuem situações semelhantes ou às vezes pior, com sorte, alguns distritos como Odilândia possuem acesso pavimentado. A única exceção na zona rural é o distrito Lerolândia, que possui um bom acesso asfaltado, já que este acesso é o mesmo do município de Lucena à BR-101. Mas existem descasos, a BR-101 vem sendo duplicada e quando for concluída, os acessos de Santa Rita à BR-101 serão todos fechados (inclusive o mais importante, o acesso do Castanheiro, que é utilizado pelas linhas ônibus da zona rural e para Lucena). Ou seja, pra se ter acesso à BR-101 será necessário um retorno já dentro do munícipio de Bayeux. O que já prejudicaria mais o trânsito de vocês…
PB Rio, a melhor de Santa Rita

Transporte público: Existem dois tipos de linhas de ônibus em Santa Rita: as linhas intermunicipais urbanas, que são operadas desde 1975 pela Rodoviária Santa Rita e as linhas internas que ligam os bairros urbanos (Tibiri, Heitel, Várzea Nova) e os distritos rurais (Forte Velho, Odilândia) ao centro do muncípio, algumas dessas linhas internas foram operadas pela Santa Rita até 2007. Além de vários alternativos para várias partes do município…

As linhas internas para os bairros urbanos (Heitel e Marcos Moura via Tibiri e Várzea Nova) são operadas pela Sonho Dourado, que apesar de uma forte concorrência dos alternativos e sem possuir o cativo público do vale transporte eletrônico (o popular “povo do cartão”, que a Santa Rita tem), procura oferecer um melhor serviço à população, a frota é formada por Torinos GV, Torino “G6” e alguns microônibus, a frota consegue estar em melhor estado que Bayeux (estando entre 1998 e 2000). Outra empresa nas linhas internas é a PB Rio, que opera três linhas (Tibiri via Fórum, Forte Velho/Ribeira e Livramento), ainda existe a Meirelles (Lerolândia/U. Santana) e a Empresa Valter (Usina São João), nos demais distritos operam ônibus particulares com a mais variada frota. As linhas internas operadas pela Santa Rita (Tibiri via Planalto, Bairro Popular e Açude) foram descontinuadas, já que os dois últimos bairros são próximos ao centro (1,5 a 2 km) e Tibiri é atendida por outras linhas internas. A linha Bairro Popular voltou a circular precariamente nas mãos do Transporte Popular, que utiliza um Volare e um Vitória em péssimas condições a R$ 0,50.

Por sua vez as linhas intermunicipais, desde meados dos anos 70 são operados pela Santa Rita e cobrem os bairros urbanos do município: Tibiri, Marcos Moura, Heitel Santiago, Várzea Nova, Centro, Bairro Popular, Açude, Santa Cruz, Lot. Nice…Apenas os bairros urbanos do município possuem acesso à lnhas intermunicipais, a única exceção é Lerolândia, que tem direito à combalida linha 5015 Lucena via Santa Rita (ao custo de R$ 7,00). Não vamos demonizar totalmente a Santa Rita, ela de fato, chegou a ter uma frota superior às empresas dos Cândidos (em 1997, a idade média da frota era de 2,5 anos com seus GLS Bus e Senior GV), com pontualidade…
Antigamente a Santa Rita já operou linhas pra Tambaú

Mas passado é passado e a empresa já não vive em seus melhores dias. Nos últimos dez anos, o serviço da empresa de Aldo Marinho decaiu muito.. Atrasos constantes, que ultrapassam até 45, 50 minutos, a circulação de microônibus em horários de pico (Piccolinos, campeões de instabilidade) levando apenas 60, 70 pessoas, uma passagem de valor salgado (R$ 2,60, enquanto Cabedelo, bem mais longe, R$ 2,30). A frota está sucateada e com manutenção precária, o Torino G6 prefixo 5015 ou Viale prefixo 5018 já possuem 12 anos, esses microônibus já com 10 anos eram do antigo sistema opcional e foram absorvidos na frota convencional de forma errônea, são abafados e instáveis, ao passar por um quebra-molas ela balança facilmente. Enquanto um Piccolino circula em horário de pico, modelos como os Viales e Citmax, de maior capacidade, são colocados em horários de menor demanda. Apesar de recentes aquisições de Mega IV ex-Lourdes (sob carroceria OF-1418 encurtados), os problemas permanecem. Algumas linhas como 5003 (Santa Rita), 5017 (Santa Rita/Açude via Oeste, que é um prolongamento da 5003), 5004 (Tibiri/Heitel), 5005 (Tibiri/Marcos Moura) mesmo com a forte concorrência dos alternativos, são de alta demanda. Vale salientar que os trens e alternativos só circulam até 17h, 18h, após isso, os ônibus da Santa Rita se tornam a única opção.

Solução pro transporte público em Santa Rita e cidades circuvizinhas.
Fácil é apontar para os problemas, mas vamos à possíveis soluções do transporte público em Santa Rita, Lucena e Cruz do Espírito Santo…
1º A linhas 5015 Lucena via Santa Rita é considerada um peso morto, com uma baixa demanda, ela só é lucrativa pra Santa Rita durante o carnaval. E passagem é salgada (R$ 7,00), além de um enorme trajeto desnecessário. Mas existe alguma demanda de Lucena pra Santa Rita (tanto que existem alternativos apenas entre Santa Rita e Lucena). Uma solução interessante seria essa linha ir do centro de Lucena só até o centroSanta Rita, quem precisasse ir pra capital, teria plena integração com a 5003. Diminuindo o trajeto, os custos e a passagem…com um trajeto menor, seria possível mais viagens e maior regularidade na linha. Com uma passagem inferior poderia haver maior demanda. Para aumentar a demanda nos fins de semana, promoções e divulgação publicitária da linha (já que Lucena possui praias, poderia ser um atrativo para a população santarritense).

2º  O munícipio de Cruz do Espírito Santo não possui nenhuma ligação para a capital, dependendo exclusivamente de linhas rodoviárias. Outra interessante solução seria a criação da linha Cruz do Espírito Santo x Santa Rita, com integração plena com a 5003 Santa Rita x João Pessoa e mesmo com a 5015 (no caso o usuário pagaria apenas o complemento da passagem, se Lucena fosse R$ 3,60, o usuario pagaria R$ 1,00 a mais). No caso as linhas Lucena e Cruz do Espírito Santo seriam alimentadoras e que com o tempo, poderiam ter os horários ampliados.

3º As várias linhas internas de Santa Rita (Forte Velho, Livramento…) poderiam servir de intergracionais (ou alimentadoras) para 5003, 5002, 5004, 5005 (Santa Rita, Tibiri, Marcos Moura e Heitel respectivamente). Exemplo: saindo de Livramento, o ônibus iria até o terminal central, de lá haveria integração com a 5003. As linhas Bairro Popular e Açude poderiam ser reativadas e como alimentadoras, eliminaria a necessidade de ir até o Bairro Popular ou Açude, diminuindo o trajeto. 

4º Pra isso teria de ser criado um terminal de integração no centro do municipio, que funcionaria da seguinte forma:

A- Realizando a integração plena entre os bairros e distritos rurais (como o Terminal do Varadouro)
B- Integração parcial com as linhas intermunicipais (ex: pagaria 1,30 Livramento x Santa Rita, e mais 1,30 pra usar a 5003 Santa Rita via Bayeux ou 5017 Santa Rita via Oeste) para João Pessoa, Cruz do Espírito Santo e Lucena.
5º Para não sobrecarregar o terminal central do município, poderia ser criado num segundo momento um outro terminal integrado em Tibiri II, o que eliminaria a necessidade de algumas linhas irem necessariamente até o centro (Odilândia, Cicerolândia, Mumbaba, Marcos Moura, Heitel). Esses bairros citados, mais próximos de Tibiri iriam utilizar esse terminal. E para ligar esses dois terminais haveriam 3 linhas inter-terminais: Tibiri via Planalto, Tibiri via Fórum e Tibiri via Várzea Nova, que fariam a ligação entre esses dois terminais. Da mesma forma que o terminal central, haveria a integração plena entre os bairros e distritos e a integração parcial com as linhas 5002, 5004, 5005.
6º Por último e não menos importante, a revitalização da estrada que sai por trás da Fábrica Cincera e vai até a BR-101, que se encontra abandonada, como acesso mais rápido à Forte Velho, Lerolândia e Lucena. Essa estrada ganharia um retorno duplo (acesso à BR-101, que não existe). O asfaltamento da estrada de Forte Velho e o prolongamento da PB 025 (estrada de Lucena) entre a BR-101, passando pela Usina Santana, ate chegar ao centro de Santa Rita.
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