Ônibus Paraibanos

As mulheres no transporte urbano pessoense

Fonte: Paraíba Bus Team (WordPress)
Matéria / Texto: Kristofer Oliveira
No dia de ontem (08/03) foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. Para saber mais a respeito da origem da data, recomendo esse link: http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm. No último século as mulheres conseguiram conquistas históricas, emancipando-se frente ao modelo patriarcal e machista na qual estavam submetidas a vários séculos. No mercado de trabalho cada vez mais as mulheres se faziam presentes, ocupando e conquistando espaços inimagináveis até décadas passadas. Diante desse contexto, no transporte público, não poderia ser diferente. Não deixem de ver essa matéria mostrando as mulheres no transporte público pessoensse atualmente e em décadas passadas!

O registro mais antigo no sistema de transporte público pessoense que se tem de mulher trabalhando data a década de 70, mais precisamente no ano de 1976, quando o sistema opcional foi implantado. Eram jovens cobradoras que recolhiam as passagens quando os passageiros se acomodavam nos ônibus. As empresas que atuavam nesse sistema opcional eram quatro: A Senhor do Bonfim, Róger, Mandacaruense e Etur.
Um dos opcionais da empresa Róger, anos 70

No ano passado o Flogme Rota Bus PB publicou uma matéria abordando esse sistema opcional dos anos 70. Confiram nesse link: http://rotabuspb.flogme.com.br/?id_foto=936762. No mês de outubro de 1980, a RB Transportes teve a iniciativa em dar oportunidade de emprego as mulheres, que ocuparam o cargo de cobradora. Até então foi algo pioneiro, pois antes nenhuma mulher teria trabalhado nos ônibus dentro do sistema convencional. Inicialmente a empresa RB tinha quinze cobradoras e diante do êxito da experiência deixou na época a disponibilidade de em curto prazo aumentar em 100% a quantidade de cobradoras.

Outra empresa, a Viação São Judas Tadeu tinha contratado oito cobradoras e seguia a mesma linha de estratégia da RB. Os diretores de ambas empresas tinham a mesma conclusão: Diferente dos homens, as cobradoras eram mais educadas, simpáticas, responsáveis, honestas, pontuais e organizadas. O jeitinho feminino para evitar a falta de troco e uma maior resistência ao cansaço a jornada de oito horas (sem citar a jornada em casa) também eram um trunfo delas. Também, tinham dois benefícios: Não trabalhavam no turno noturno e o auxílio durante a maternidade.

Abaixo, a imagem de duas cobradoras da RB Transportes em 1980:

Nereide Felix da Silva – 1980

Severina Maria da Conceição / 1980
Em pequena quantidade, as mulheres se mantiveram no posto de cobradora durante os anos 80 e 90. Mas após o ano 2000, foi mais fácil encontrar cobradoras em maior quantidade e com mais frequencia, até no período noturno. Diversos fatores sociais contribuirám, a exemplo de divórcios, aumento de responsabilidade financeira no lar, e até o fato do aumento da quantidade de mulheres sendo a provedora do lar, ou melhor, chefe de família. E o espaço ocupado não se restringiu apenas ao posto frente a catraca…pois algumas quebraram tabus e chegaram a conquistar o volante do ônibus, a exemplo da Rosilene, motorista da Marcos da Silva, conforme noticiado em novembro do ano passado pelo portal VRUM.com.br. A Santa Maria também tem uma motorista no seu quadro, que atua na linha 105. Na foto abaixo, a motorista da empresa Marcos da Silva:

Quando se pensa em mulher atuando no transporte, vem a mente apenas a parte operacional, como foi abordado até então no nomento. Se era tabu uma mulher ser cobradora nos anos 70 e início dos 80, imagine comandar uma empresa. Foi o que aconteceu com a Viação 1º de Maio, na qual era de propriedade feminina. Atualmente quem está a frente de uma empresa pessoense é a Larissa Nascimento, que dentro do Grupo A. Cândido responde pela empresa Santa Maria Transportes e Fretamento.
Espero que as vitórias e conquistas das mulheres não parem por aí. O transporte fica muito melhor com a presença feminina!

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