Ônibus adaptado muda rotina de cadeirantes

Por Jornal da Paraíba
Sair de casa, pegar um transporte coletivo e se deslocar sempre que desejar, de forma autossuficiente, pode ser uma tarefa difícil para muitos cadeirantes – não para Reginaldo Faustino, 48 anos. A rotina do atleta e estudante de Biblioteconomia começa bem cedo. Ele acorda às 5h e uma hora depois já está na parada de ônibus, no bairro 13 de Maio, em João Pessoa, pronto para seguir até a Vila Olímpica Ronaldo Marinho, no Bairro dos Estados, onde pratica natação.

Por dia, são pelos menos quatro viagens que Reginaldo faz utilizando os coletivos. Mas quem vê o estudante nesse pique todo, pegando até mais de oito coletivos por dia – e sozinho, não imagina que há cerca de seis anos ele até deixava de sair de casa, “devido ao sofrimento e o constrangimento” de pegar um ônibus. Segundo Reginaldo, após a chegada dos primeiros coletivos adaptados em João Pessoa, a situação dos cadeirante começou a mudar. “A gente tinha que subir por trás do ônibus, se arrastando, colocando a mão no chão e ainda pedindo ajuda de alguém – que nem sempre está disposto a dar a mão. Era uma luta muito grande, tinha que fechar cadeira, entrar, abrir cadeira, era desestimulante sair de casa assim”, revela Reginaldo, enfatizando que “agora melhorou”.
Um elevador para cadeirantes e seu espaço reservado mais ao fundo num ônibus da Marcos da Silva, de João Pessoa
“Eu vou para todo canto, sem precisar da ajuda de ninguém”. Assim como Reginaldo, o músico Anderson da Silva Marinho, 31 anos, também usuário dos transportes coletivos, afirma que a chegada dos veículos adaptados melhorou bastante a mobilidade dos cadeirantes. “Eu trabalho como músico na praia e todos os dias preciso me deslocar. Antes eu tinha que pagar a passagem de uma pessoa para ela ir comigo e me ajudar a pegar o coletivo. Graças a Deus não preciso mais disso”, detalha. “Passei a ter liberdade para ir para todos os lugares”, completa Anderson, que é portador de necessidade especial desde os primeiros meses de vida.
Embora os cadeirantes se alegrem com os avanços no número de ônibus adaptados, eles pedem que a oferta seja maior para melhor atender ao público. Além disso, que os cobradores e motoristas sejam orientados sobre como manusear os elevadores de acessibilidade e tratar de maneira adequada os deficientes físicos. Atualmente, segundo o diretor-executivo da Associação das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de João Pessoa (AETC-JP), Mário Tourinho, as seis empresas que operam em João Pessoa (Mandacaruense, Marcos da Silva, Reunidas, São Jorge, Santa Maria e Transnacional) contabilizam uma frota de 448 ônibus, sendo 158 deles adaptados (35,2%) – percentual bem maior do que outras capitais até mais populosas.
Mário Tourinho declara também que a frota adaptada é suficiente para atender os cadeirantes e justifica a afirmação através de números. “Um coletivo faz em média 40 mil viagens mês, sendo nesse período, o máximo de solicitações para uso dos elevadores adaptados foi de 120 vezes”, diz. Ainda segundo o diretor-executivo da AETC-JP, todos os funcionários das empresas de transportes coletivos, quando admitidos, são orientados sobre como atender o cadeirante. Entretanto, alguns esquecem o manuseio da máquina em virtude da falta de uso.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, já que os microdados do Censo 2010 não foram divulgados, a Paraíba tinha cerca de 700.000 pessoas com alguma deficiência.
Abaixo, um vídeo demonstrando o funcionamento correto e eficiente do elevador dos ônibus adaptados para cadeirantes. Vídeo gravado por Kristofer Oliveira, disponível em seu canal no YouTube (http://www.youtube.com/kristoferoliveira/)

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