História da marca FNM – Fábrica Nacional de Motores

Fonte: Blog FNM
Matéria/Texto: José C. Reinert 
Fotos: Michael Swoboda
* Nota: A FNM fabricou motores para carros, geladeiras, aviões, ônibus e principalmente caminhões. Nessa matéria, reproduzimos a história de uma marca ligada diretamente à história dos chassis e mecânicas dos ônibus do Brasil. Essa matéria também é ligada a ônibus por outro motivo, já que a fábrica atual da encarroçadora Ciferal em Duque de Caxias/RJ se localiza no mesmo local onde foi a fábrica da FNM. Vale salientar a fonte dessa matéria aqui reproduzida, citada logo acima na faixa preta de créditos.
A
construção da Fábrica Nacional de Motores (FNM) foi iniciada em 1940, no governo de Getúlio Vargas, na cidade de Duque de Caxias/RJ, distrito de Xerém. Ela foi idealizada pelo Brigadeiro
Antônio Guedes Muniz, tendo sido oficialmente fundada em 13/06/1942,
para a construção de motores aeronáuticos, que seriam utilizados em aviões de
treinamento militar. Era a época da II Guerra Mundial, e em troca da utilização
de bases militares no nordeste brasileiro, o governo dos Estados Unidos deu
incentivos financeiros e  assistência técnica, para a construção tanto da
FNM, como da CSN (Companhia Siderúrgica
Nacional).

A
produção de fato começou apenas em 1946, quando o maquinário ficou pronto, e pouquíssimas
unidades de motores de avião chegaram a ser construídos pela FNM pois, com o
fim da guerra, os mesmos já estavam ultrapassados e se tornaram obsoletos.
Nesta época a FNM já era chamada de “cidade dos motores”.
Inicia-se então um período de reformulação, e como
as excelentes máquinas importadas para a fabricação daqueles motores facilmente
se adaptavam a vários outros tipos de produção, iniciou-se a fabricação de
geladeiras, compressores, bicicletas, tampinhas de garrafas e peças para trem,
fazendo-se também serviços de revisão de motores de avião.  Isso
até 1948.

No começo de 1949 a FNM firmou contrato com
a Italiana Isotta Fraschini para a fabricação de um caminhão
Diesel de 7,5 lt, inicialmente apenas montado aqui, mas com projeto de
nacionalização progressiva. Até o fim daquele ano foram entregues 200 desses
caminhões, denominados FNM IF-D-7300 para 7.500 kg. Mas já em 1950 a Isotta,
que enfrentava dificuldades financeiras em casa, veio a encerrar as suas
atividades.
Em vista disso, pouco tempo depois (ainda em
1950)
a FNM  firmou um novo acordo, com a também italiana Alfa
Romeo
, pelo qual seriam fabricados os caminhões Alfa Romeo, e também
chassis para ônibus, sob licença da marca italiana. Os caminhões
seriam denominados FNM Alfa Romeo D-9.500, e seriam equipados com motor
de 130 CV, tendo uma capacidade de carga de 8.100 kg (aumentada para 22.000
kg, se adaptado a uma carreta de dois eixos)
.
Já em 1951 começou a produção do FNM D-9,500, mas
a sua comercialização só se daria no início de 1952. Graças a suas
características de grande robustez, foi imediatamente muito bem aceito no
mercado. Além disso, era o único caminhão a possuir uma espaçosa cabine
leito dotada de duas camas, ideal para longas viagens, que então duravam de
semanas a meses.

Já em 1958 a FNM lançava o modelo D-11.000, com
motor de 11 litros e potência de 150 CV, a qual seria aumentada para 175 CV em
1967. Em 21 de abril de 1960, em comemoração à fundação de Brasília, a FNM lança
o 1º automóvel da sua linha, derivado do Alfa Romeo 2000, e denominado FNM
JK
. Posteriormente ele seria substituído pelo modelo FNM 2150, e mais
tarde pelo Alfa Romeo 2300.
  • Em 1968 a fábrica foi vendida para a Alfa Romeo italiana, sendo uma das primeiras privatizações do Brasil;
  • Em 1972 lançou os novos caminhões FNM 180 e 210, com 180 e 215 CV de potência, respectivamente;
  • Em 1973 a FIAT compra 43% das ações da Alfa Romeo, e em 1976 assume o total controle acionário. A FIAT continuou produzindo os FNM 180 e 210 até 1979, quando os substituiu pelo FIAT 190;
  • Em 1985 já administrada pela Iveco (empresa italiana do grupo FIAT) e com o declínio acentuado na venda de caminhões, encerra suas atividades no Brasil.
Atualmente, o local é a fábrica da Ciferal, do Grupo Marcopolo. Fabrica-se apenas ônibus urbanos na Ciferal, Duque de Caxias/RJ
Acima,
um foto da fábrica, cuja estrutura foi tombada pelo Patrimônio Histórico
Nacional e hoje se encontra a fábrica da encarroçadora de ônibus Ciferal do
Grupo Marcopolo. Abaixo, fotos da linha de produção e outras da fábrica e seus
funcionários.
A linha de montagem dos FNM 180 / 210 e dos FIAT 130
Funcionários chegando para mais um dia de trabalho na fábrica
Chassi para ônibus da FNM – Fotos dos ônibus equipados com trem de força FNM
Carrocerias Grassi, Empresa Águia Branca, 1957
Carroceria CAIO, empresa CMTC – Companhia Municipal de Transporte Coletivo
Carrocerias Grassi, ,a revendedora Veloz, início da Via Dutra
Carrocerias Grassi para exportação
Material publicitário da FNM e seus chassis para ônibus
Trólebus – ônibus elétrico
Série de cabines standard FNM da fabricante Amalcaburio que tinha o mapa do Brasil como símbolo

Curiosidade – O dedo do Presidente Lula e o motor FNM
O
fato a seguir aconteceu no mês de março, 2008. Um orgão ligado ao governo
denominado FIRJAN (RJ),
patrocinou uma exposição pelo Brasil sobre a industrialização Brasileira que
comemora seus 200 anos. Me contataram (no caso, o autor da matéria) para
fornecer um motor FNM para a exposição, que gentilmente faço questão de enviar
para que seja exibido, dado a importância da marca no processo de
industrialização.

Marcados para a retirada do motor e assim ser levado à Brasilia, eis que um
caminhão trucado vem retirar o motor com o Munch,  observo em sua
carroceria um torno mecânico bem antigo, porém em bom estado. Perguntei ao
motorista:

 O
que faz este antigo torno sob o caminhão?

Este
me responde:

 Este
é o torno em que o nosso presidente perdeu o dedo, e foi encontrado em um
depósito na região do Brás, São Paulo, totalmente abandonado.

Imediatamente subi na carroceria para verificar se achava algum vestígio do
acidente ocorrido, como marca de sangue, porém nada achei. Vejam o destino de
um motor FNM, sendo exposto juntamente com o torno em que o presidente perdeu o
seu famoso dedo. A exposição ocorreu em Brasília no final do mês de Junho,
2008.


Apesar de nossos esforços, só temos a foto do motor FNM no qual Lula perdeu seu dedo.

Onde o ex-presidente Lula perdeu seu dedo, segundo o site fonte da matéria
____________

Para finalizar essa matéria, uma relíquia vista perto de nós paraibanos. Um Fiat / FNM 180 fotografado em Bayeux, região metropolitana de João Pessoa/PB:

One Reply to “História da marca FNM – Fábrica Nacional de Motores”

  1. Olá, gostaria de saber se alguém pode fornecer o endereço completo (rua e número) da fábrica, antes de ela ter sido vendida para a Alfa Romeo.
    Desde já agradeço,
    Larissa
    Trata-se de um trabalho academico sobre lugares da memória.

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