EV Bonfim: a história

Empresa Viação Bonfim – O pioneiro do transporte na Paraíba
Monoblocos Mercedes-Benz O-326 da Empresa Viação Bonfim. Foto em 1971, na garagem em Cruz das Armas. Essa é a mesma garagem atual, sendo modificada em alguns aspectos
Quem vê a Bonfim hoje, operando apenas uma linha e com uma pequena frota, não imagina o tamanho da sua contribuição e importância no que tange o transporte paraibano. A sua longínqua trajetória carrega consigo diferentes momentos que geram possibilidades de trazer a tona os mais variados sentimentos. Foram poucas as empresas que já vivenciou quase de tudo ao decorrer da sua existência.

Severino Camelo – Em busca da realização de um sonho
Assim como quase todos que nasceram no interior paraibano no inicio do século passado, a sua infância e juventude foi marcado por muito trabalho e dificuldade na cidade de Esperança. Diferente dos demais, ele costuma juntar dinheiro para colocar em prática algum negócio. Após o Serviço Militar em João Pessoa e conseguir juntar algumas economias, retorna a sua cidade em 1922 e adquire um ponto comercial, passando a comercializar frutas, verduras, farinha, etc.

No fim de 1927, após juntar Um conto e 500 de réis, adquire um carro e começa a operar a linha Esperança x Campina Grande, iniciando-se no mundo dos transportes. Após três anos, adquire de um rapaz em Campina Grande um ônibus usado de madeira por Quatro contos e 500 mil réis, com alguns defeitos, mas o suficiente para transportar 20 passageiros e algumas bagagens.

O transporte nessa época era bastante complicado, pois a viagem entre Esperança e Campina Grande poderia durar das 6 da manhã até as 17 horas, isso com a estrada em condição razoável. Caso chovesse, facilmente o sôpa atolava e poderiam passar até três dias no local. O Severino Camelo era de tudo… motorista, cobrador, carregador, mecânico, etc.


Em 1940, passa a residir em Campina Grande. Uma nova estrada surge no estado, ligando João Pesso a Campina Grande. Ele disponibiliza mais um ônibus para fazer esse trajeto, dos seis novos que acabara de adquirir, fabricados em João Pessoa e de madeira do tipo sucupira e guaraúna.

Em 1948 a situação melhora bastante. Severino Camelo compra de um empresário paraibano, o José Alves de Azevedo, a linha João Pessoa x Recife, já utilizando ônibus mais modernos, com carrocerias feitas no sul. A situação melhora ainda, algum tempo depois, quando começam a surgir os primeiros ônibus Mercedes-Benz e o nosso perseverante paraibano não é mais apenas um simples transportador – é proprietário da Empresa Viação Bonfim. Também, torna-se pioneiro na aquisição de ônibus Mercedes-Benz na Paraíba, comprado a Aldino Pimentel, então concessionário em Campina Grande.



A consolidação de um império e o seu encolhimento
Entre os anos 50 e 70, diversas estradas estavam sendo construídas ou pavimentadas, interligando cidades e localidades. Com isso, um aumento na demanda por transporte surgiu na Paraíba para suprir essa necessidade. Mesmo consolidada como uma empresa, um fator no início dos anos 60 foi fundamental para a Bonfim: a esquematização mais administrativa visando a sua ampliação com qualidade. O General Aldenor Valente Quinderê deu uma contribuição significativa nesse sentido ao unir os laços com a família Camêlo após sua filha se casar com um dos filhos do proprietário da Bonfim. A primeira preocupação foi criar os meios de trabalho e então começaram a construir uma garagem, que é esta atual. A partir daí a empresa estruturou-se de maneira a prosseguir no seu desenvolvimento.
Bonfim na Lagoa do Parque Solón de Lucena, Centro de João Pessoa
Até o início dos anos 70, a Bonfim tinha cinqüenta ônibus na sua frota, 100% Mercedes-Benz e um quadro com cerca de 160 funcionários. Tinha agência própria em João Pessoa, Campina Grande, Natal e Recife. Até então, nos primeiros anos da década de 70 tinha a concessão das linhas:
João Pessoa x Recife (Operada desde 1948 pela empresa e apenas essa desde 1979);

João Pessoa x Natal (Negociada com a Viação Nordeste);

João Pessoa x Rio de Janeiro (Negociada com a Itapemirim);

João Pessoa x Goiana/PE (Repassada a Viação Boa Vista);

João Pessoa x Cajazeiras (Repassada a Viação Gaivota);

João Pessoa x Patos (Repassada a Viação Gaivota ou negociada com a Viação Patoense – a verificar);

João Pessoa x Campina Grande (Negociada com a Real da Família Brito);

João Pessoa x Brejo Paraibano (Negociada com a Família Azevedo (Bela Vista) e possivelmente a Família Amorim da Guarabirense);

Recife x Natal (Negociada com a Viação Nordeste);

Campina Grande x Recife (Possivelmente negociada com a Progresso);

Campina Grande x Natal (Negociada com a Nordeste);

Guarabira x Recife (Negociada em 1979 com a Itapemirim);


Até a primeira parte dos anos 70 boa parte de suas linhas foi negociada, ocasionada por problemas de ordem familiar e, conseqüentemente, administrativa. Em 1975, a empresa teve 50% de redução da sua frota, ficando com apenas 25 carros para as duas únicas linhas: João Pessoa x Recife e Guarabira x Recife. De todas as suas linhas citadas acima, a João Pessoa x Recife era a mais rentável, uma vez que em Recife tinha de tudo que o pessoense necessitava, além das mercadorias serem mais baratas. Em 1979, ela negocia a linha Guarabira x Recife para a Itapemirim, passando a operar apenas uma linha, além de operar, também, no fretamento para turismo. Atualmente também explora o setor de encomendas entre João Pessoa e Recife.
Monobloco M-Benz O-362 da Bonfim num anúncio da época sobre sua frota

Bonfinave, serviço diferenciado da empresa que existiu. Na foto, Marcopolo II da Bonfim com ar-condicionado

Mesmo operando apenas uma linha, a Bonfim não perdeu a sua força e sua importância, pois, além de prestar um ótimo serviço, continuou com o seu pioneirismo ao adquirir novidades no segmento de ônibus rodoviários. O nome do terminal rodoviário de João Pessoa, inaugurado em 1982, leva o nome do pioneiro do transporte paraibano.
Monobloco M-Benz O-370RS da Bonfim em frente ao Hotel Tambaú

A Bonfim gerando outras empresas
O Severino Camelo não criou apenas a Bonfim, mas também outras empresas.

No dia 19 de agosto de 1954, a Viação Gaivota foi fundada, e nos anos 70 vendida para o Fernando Barbosa. A Gaivota na nova administração teve um notável crescimento se tornando em uma das principais empresas paraibana. Chegou a operar a linha Recife x Iguatu/CE via João Pessoa e Campina Grande, além das linhas: João Pessoa x Recife, Cajazeiras x Recife e linhas de Campina Grande para o interior.

Marcopolo III da Viação Gaivota
Nos anos 70, a Viação Luso-Brasileiro, mais conhecida como Canarinho, foi adquirido junto a família Azevedo. Essa empresa operava linhas para cidades do litoral sul paraibano. Após a aquisição, o nome foi modificado para Viação Boa Vista e foi administrada por um dos filhos do Severino Camelo. Além de operar para o litoral sul paraibano, a Boa Vista passou a operar para Goiana e Recife. A empresa foi vendida para a Progresso e passou um tempo sendo operada pela Viação Cruzeiro, empresa do mesmo grupo, mas retornou a ser Boa Vista. Encerrou suas atividades em meados de 2001 e passou a operar no turismo em Salvador.
Marcopolo III no centro de João Pessoa, década de 80
Entre as empresas urbanas, duas foram criadas. A primeira foi a Bonfinense, entre os anos 60 e 70, que fazia linha ligando Cruz das Armas a Tambaú. Não durou tanto tempo, pois empresa urbana era pouco rentável comparada a rodoviária. A segunda foi a Boa Vista, fundada em 1991 após adquirir parte das linhas da Etur junto aos herdeiros do Abelardo Azevedo, proprietário da Etur que faleceu num acidente automobilístico. A empresa durou apenas 11 anos.

Atuais dificuldades
A Bonfim entrou em crise nos últimos anos. No ano de 2010, a solução para permanecer operando foi fazer sociedade com um empresário mineiro, negociando 50% da empresa. Foram adquiridos junto a Expresso Guanabara quatro Marcopolo Paradiso G6 1200 O-500RS de 2005, dando uma maior qualidade na sua operação.
A última semana de agosto de 2011 poderia ter ceifado de vez a história da Bonfim. A sociedade foi desfeita e os ônibus introduzidos pelo empresário mineiro foram retirados da frota, causando um grande transtorno, inviabilizando a operação da empresa. A priori, no dia 26 de agosto a empresa tinha negociado a sua concessão da sua única linha com o Progresso, e esta colocaria a Viação Cruzeiro para operar os horários da Bonfim, marcando o retorno dessa viação pernambucana a esta linha. Para não encerrar as suas atividades, a Bonfim planejava continuar apenas no fretamento para turismo. Porém, na tarde do dia 29 de agosto, a Bonfim retorna a operar a sua linha por direito.

Com isso, a Bonfim continua firme na linha e está buscando meios de permanecer viva, pois o espírito de perseverança do Sr° Severino Camelo está presente para a felicidade de quem admira esta empresa de verdade e reconhece a sua importância dentro do estado.

Também, esperamos que a direção da Bonfim aprenda com os seus erros para que certas coisas não venham mais a acontecer, pois é necessário ter ciência de que apenas de história e nostalgia não é possível manter uma empresa viva e competitiva. Do passado tiramos lições e admiração, mas o presente é agora.

Confira essa matéria completa, abordando também a parte da atualidade da Empresa Viação Bonfim, com muitas outras fotos antigas e atuais. Não deixem de conferir tudo completo, cliquem no link abaixo e leiam na íntegra com exclusividade no Fotopages da PBT – Paraíba Bus Team ®.
____________________
Até a próxima postagem, amigos visitantes, obrigado pela sua visita, até mais!
contato? dica? sugestão? crítica? Clique aqui e veja como nos contatar.

One Reply to “EV Bonfim: a história”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Este conteúdo é protegido.